Saldanha, de Belver às Avenidas Novas

Freguesia da Misericórdia

Rua Marechal Saldanha – Freguesia da Misericórdia                                                   (Foto: Rui Pereira)

João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun , mais conhecido como Duque ou Marechal Saldanha dá nome a duas artérias de Lisboa, uma rua na freguesia da Misericórdia desde 1885 e,  uma praça nas freguesias das Avenidas Novas e de Arroios desde 1902.

A Rua Marechal Saldanha, com a legenda «1790 – 1876», foi um topónimo atribuído por edital municipal de 31 de dezembro de 1885, 9 anos após a morte do homenageado, na Rua da Cruz de Pau que por sua vez resultara da junção da Rua da Cruz de Pau e do Largo da Cruz de Pau num arruamento único pelo edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de Setembro de 1859.

A Praça do Duque de Saldanha nasceu mais tarde, pela publicação do edital camarário de 22 de agosto de 1902, na que era a Praça Mouzinho de Albuquerque (edital de 03/09/1897)  e antes fora a Rotunda das Picoas. Foi neste arruamento que em 1889  foi erigido um monumento em sua homenagem que foi oficialmente inaugurado em 1909 pelo Rei D. Manuel II.

De seu nome completo João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun (Lisboa/17.11.1790 – 20.11.1876/Londres), neto materno do Marquês de Pombal, foi  militar desde 1806 e político agraciado com o título de Duque em 1846, que se notabilizou no combate contra as invasões francesas (1807-1813), na Guerra contra Artigas que lhe valeu em 1821 ser nomeado capitão-general da Província do Rio Grande do Sul, bem como nas guerras liberais tendo em 1833 sido nomeado por  D. Pedro chefe do Estado-Maior do Exército. Como político desempenhou os cargos de chefe de governo nos anos de 1835, 1846-49, 1851-56 e 1870, de ministro das pastas da Guerra (1826) e dos  Negócios da Fazenda e, ainda foi Embaixador de Portugal em Londres.

Praça Duque de Saldanha - Fregeusia de Arroios e mais qqq coisa

Praça Duque de Saldanha – Freguesias das Avenidas Novas e de Arroios                              (Foto: Rui Mendes)

 

A Rua do Dantas, pim!

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: José Carlos Batista)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: José Carlos Batista)

Júlio Dantas, que nos dias de hoje é mais conhecido pelo poema-manifesto que Almada Negreiros lhe dedicou em 1915, passou a nome de rua lisboeta pelo Edital de 17/12/1963, como Rua Dr. Júlio Dantas, com a legenda «Escritor e Eminente Académico/1876 – 1962», crismando assim o arruamento que era conhecido como Rua A à Rua Ramalho Ortigão, ou Rua A à Rua Fialho de Almeida ou ainda, Rua A à Avenida Ressano Garcia.

Júlio Dantas (Lagos/19.05.1876 – 25.05.1962/Lisboa),  estudou no Colégio Militar e em 1900 formou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, com a tese «Pintores e poetas de Rilhafoles», e dois anos depois ingressou no Exército como oficial médico, no campo da psiquiatria, mas rapidamente abandonou esta área, tendo-se destacado mais como dramaturgo e político.

Das suas obras destaque-se A Severa (1901)A Ceia dos Cardeais (1902)Os Crucificados (1902), A CastroRosas de Todo o Ano (1907) ou O Reposteiro Verde (1921), que alcançaram grande êxito, sendo que a primeira enunciada serviu de base ao 1º filme sonoro português, de Leitão de Barros, em 1931. Consoante as épocas, Júlio Dantas escrevia uma peça que se adequava e assim, quando da Lei da Separação do Estado e da Igreja de Afonso Costa  publicou a peça A Santa Inquisição (1910); com o Estado Novo lançou Frei António das Chagas, um «elogio de quem se sacrifica, se imola pela Pátria» e, com o final da II Guerra, prevendo a queda do salazarismo introduziu na peça Antígona (1946) uma crítica velada a Salazar equivalendo-o ao personagem Creonte. Do ponto de vista estilístico, a sua obra situa-se entre o romantismo e o parnasianismo, sendo predominantes  os temas históricos no teatro e nas novelas , sendo Nada (1896) o seu 1º livro de poesia e, destacando-se ainda a sua novela Pátria Portuguesa (1914) e, as diversas colaborações que manteve em jornais e revistas. 

Foi ainda Comissário do Governo junto do Teatro D. Maria II, Professor de História da Literatura e Diretor da Secção Dramática no Conservatório Nacional bem como, um dos fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP) de que também foi o 1º presidente, assim como se tornou desde 1908 sócio da Academia das Ciências de Lisboa de que viria a ser Presidente a partir de 1922.

Na política, foi deputado na Monarquia (1905),  ministro da Instrução Pública e dos Negócios Estrangeiros na Primeira República (1921-1923) e, no Estado Novo, deputado, embaixador (no Brasil) e Presidente da Comissão Executiva dos Centenários (1938-1940). 

Júlio Dantas casou-se no registo civil e determinou para si uma cerimónia fúnebre exclusivamente civil para além de ter sido agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Brasil (1949) e de Coimbra(1954), bem como com a Ordem Militar de Santiago da Espada (1920 e 1930) e a Ordem Militar de Cristo (1930).

na Ilustração Portuguesa 14.03.1904

na Ilustração Portuguesa de 14.03.1904

 

Rua Venceslau de Morais no seu 160º aniversário

Venceslau de Morais-02 -FOTO DO 1ºLIVRO

Neste dia em que o oficial da Marinha e escritor Venceslau de Morais faria 106 anos, recordamos a rua a que dá nome na Freguesia de Santo António – arruamento  entre a Rua Rodrigo da Fonseca e a Rua de Artilharia Um -, sete anos após o seu falecimento, através do Edital de 20/02/1936.

Nascido Wenceslau José de Sousa de Moraes (Lisboa/30.05.1854 – 01.07.1929/Tokushima- Japão), no nº 4 da Rua Cruz do Torel, destacou-se mais como o escritor de viagens que divulgou os costumes do Japão com títulos como Doi-Nippon, O Culto do Chá, Traços do Extremo Oriente e Relance da História do Japão, país onde aliás se fixou por mais de 30 anos.

Numa nota biográfica que lhe pediram, escreveu «Sou português. Nasci em Lisboa (a capital do país) no dia 30 de Maio de 1854. Estudei o curso de Marinha e dediquei-me a oficial de marinha de guerra. Em tal qualidade fiz numerosas viagens, visitando as costas de África, da Ásia, da América, etc. Estive cerca de cinco anos na China, tendo ocasião de vir ao Japão a bordo de uma canhoneira de guerra e visitando Nagasaki, Kobe e Yokohama. Em 1893, 1894, 1895 e 1896 voltei ao Japão, por curtas demoras, ao serviço de Macau, onde estava comissionado na capitania do porto de Macau. Em 1896 regressei a Macau, demorando-me por pouco tempo e voltando ao Japão (Kobe). Em 1899 fui nomeado cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka, lugar que exerci até 1913».

Casa onde nasceu no nº 4 da Rua Cruz do Torel

Casa onde nasceu no nº 4 da Rua Cruz do Torel

Venceslau de Morais completou a Escola Naval em 1875 e ingressou na Marinha portuguesa. Em 1885 foi pela 1ª vez a Macau e aí se estabeleceu como imediato da capitania do Porto e professor do Liceu de Macau, para além de ter feito amizade com Camilo Pessanha e casado com Vong-Io-Chan (Atchan), uma chinesa de quem teve dois filhos.

Em 1889 viajou para o Japão, país ao qual regressará várias vezes no exercício das suas funções nos anos seguintes, até em 1898 abandonar mulher e filhos para se mudar definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe, crescendo também a sua ocupação literária e jornalística – nomeadamente, nas revistas Branco e Negro, Brasil-Portugal ou Serões - para divulgar o quotidiano japonês e, mantendo um relacionamento amoroso com a japonesa Ó-Yoné Fukumoto e, após a morte desta, com a sua sobrinha Ko-Haru. Venceslau de Morais determinou para si um funeral budista com a suas cinzas ao lado das de Ko-Haru no cemitério de Chionji.

A TAP deu o seu nome a uma das suas aeronaves e, no Japão teve direito a um estátua na praça principal de Kobe, bem como na principal avenida de Tokushima, onde existe também  um Museu Wenceslau de Moraes.

Edital  Wenceslau de Morais

 

A Travessa da Manutenção Militar do Estado

Freguesia do Beato  (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

Tal como a Rua da Manutenção, a Travessa da Manutenção consagra a Manutenção Militar, um estabelecimento fabril do exército português destinado a assegurar o fornecimento de víveres às forças militares.

 Ambos os topónimos começaram por ser «da Manutenção do Estado» mas viram a sua denominação encurtada por deliberação camarária de 22/06/1921 e Edital de 30/06/1921.

A Manutenção Militar foi criada pelo Decreto de 11 de junho de 1897,  em conformidade com o disposto no art.º 4.º da Carta de Lei de 19 de Julho de 1888, e foi instalada no antigo Convento de freiras carmelitas ou Grilas, no Beato. Já no ano anterior, a 13 de janeiro, o Governo determinara que o Ministério da Guerra tomasse posse do edifício, já em adaptação pelo risco do Engº Renato Baptista, que sobre essa matéria publicou o livro Manutenção Militar. A Manutenção incluía uma fábrica de moagem, de panificação e de bolacha, depósitos, armazéns, cocheiras e cavalariças.

O primeiro diretor da Manutenção Militar foi o Comandante Augusto Eugénio Alves, no período de 1897 a 1900, mas a toponímia lisboeta apenas regista um outro diretor, Artur Xavier da Mata Pereira, que a dirigiu de 1942 a 1944.

No entanto,a responsabilidade pela alimentação militar foi atribuída ao Estado em 1772.  Trinta e nove anos depois, em 1811, foi criado o Comissariado de Víveres do Exército e, cinquenta anos depois, por iniciativa do então Ministro da Guerra, Marquês de Sá da Bandeira, iniciou-se a a título experimental o fabrico e fornecimento de pão ao Exército por administração direta do Estado sendo criada então no ano seguinte a Padaria Militar,  no Aterro da Boa Vista, junto à rocha do Conde de Óbidos, que virá a originar a Manutenção Militar do Estado. O 1.º Regulamento da Manutenção Militar nasceu em 1907 e nele se especifica «que é um estabelecimento com sede em Lisboa (Beato) com sucursais e depósitos noutros pontos do País, destinado à preparação e distribuição de víveres ao Exército e a outras instituições oficiais.»

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do Comandante do Caça – Minas Augusto de Castilho

Freguesia de Arroios e Penha de França (Foto: Artur Matos)

Freguesias de Arroios e da Penha de França (Foto: Artur Matos)

A Azinhaga do Areeiro passou por deliberação camarária de 08/08/1924 a designar-se Rua Carvalho Araújo, 6 anos após o falecimento deste oficial da Marinha, a combater os alemães em plena I Guerra Mundial e, no mesmo ano em que na sua terra de infância foi homenageado com um monumento do escultor Anjos Teixeira e a atribuição do seu nome a uma Avenida.

O homenageado é José Botelho de Carvalho Araújo (Porto/18.05.1881 – 14.10.1918/mar dos Açores), oficial de marinha portuguesa que morreu no seu posto em combate contra os alemães e, a título póstumo, atingiu a patente de capitão-tenente. No dia 14 de outubro de 1918, quando Carvalho Araújo comandava o Caça – Minas Augusto de Castilho no mar dos Açores, em escolta ao vapor São Miguel, para proteger o barco com 206 pessoas de ser afundado pelo submarino alemão U 139, comandado pelo às dos ases dos submarinos Lothar von Arnauld de la Perière, atacou a unidade alemã e aguentou durante 2 horas, apesar de apenas dispor de duas peças de artilharia de proa com as quais investiu contra o submarino poderosamente armado de 6 tubos lança-torpedos e de dois canhões de tiro rápido com calibre de 150 milímetros, surpreendendo assim o comandante do submarino e permitindo que o São Miguel se afastasse.

Refira-se ainda que Carvalho Araújo era um republicano que colaborou em vários jornais, nomeadamente no Vilarrealense, e que após a implantação da República integrou a Assembleia Nacional Constituinte eleito por Vila Real. Carvalho Araújo foi condecorado com a Medalha de Cobre de Filantropia e caridade (socorros e naufrágios), a Medalha Militar de Prata de comportamento exemplar, a Medalha de Prata comemorativa das campanhas do Exército Português – com a legenda «Sul de Angola 914/915» – e, a título póstumo, com a Cruz de Guerra de 1ª classe, a Medalha de Prata comemorativa das campanhas do Exército Português no mar 1916/17/18 e o 2º Grau da Ordem da Torre e Espada.

O troço desta Rua Carvalho Araújo a norte da Alameda D. Afonso Henriques passou a denominar-se Rua Abade Faria no ano de 1957, por Edital municipal de 7 de fevereiro.

Freguesias de Arroios e da Penha de França

Freguesias de Arroios e da Penha de França

Capitão Ramires, o Aviador morto na I Guerra

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

A alfacinha Rua Capitão Ramires, que liga a Avenida Óscar Monteiro Torres à Avenida Sacadura Cabral, na Freguesia do Areeiro, homenageia o capitão de cavalaria José Joaquim Ramires que se tornou também um dos primeiros aviadores portugueses em 1917.

O Capitão Ramires foi um dos 13 primeiros pilotos militares da escola de aviação militar portuguesa, que receberam o seu diploma no dia 10 de maio de 1917, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa. Os outros aviadores foram António Cunha e Almeida, Aurélio Castro e Silva, Azeredo Vasconcelos, Duvale Portugal, João Luís de Moura, Luís Cunha e Almeida, Miguel Paiva Simões, Olímpio Ferreira Chaves, Pereira Gomes J., Rosário Gonçalves, Sarmento Beires e Sousa Gorgulho.

Em 1914 foi oficialmente constituída em Portugal  a comissão formadora da Aviação Militar, saída do Aero Clube de Portugal, gerando a Escola de Aviação Militar (Exército) e de Aviação Naval (Marinha). As provas finais foram realizadas em Estremoz, como noticiou o Diário de Notícias de 30 de março de 1917: «Ontem, pelas 7 horas, saíram daqui nos mesmos aparelhos os srs. capitão Ramiro e alferes Paiva Gomes, depois de terem feito umas voltas sobre a vila, tendo-se elevado o aparelho do sr. capitão Ramiro à altura de 1:100 metros».

Em 1917, o General Gomes da Costa, comandante do Corpo Expedicionário Português, conseguiu integrar 31 pilotos e 31 mecânicos portugueses no Groupe de Divisions D’Entrainement de Plessis-Belleville.  Quando depois, por determinação do Ministro da Guerra de Sidónio Pais, o General Freitas Soares ordenou o regresso de todo o pessoal da aviação a Portugal, houve 13 pilotos portugueses que não obedeceram a essa ordem e mantiveram-se integrados nas esquadrilhas francesas a combater os alemães, como aconteceu com o Capitão José Joaquim Ramires, na Esquadrilha N-158 com base em Laon, com o avião BR 14-A2 atribuído.

A Rua Capitão Ramires foi dada à Rua C do Bairro Neves Piedade, por deliberação camarária de 02/07/1931, com a legenda «Ilustre Piloto Aviador Morto Durante a Grande Guerra».  Cerca de nove anos depois, foi retirado da legenda a parte «Morto Durante a Grande Guerra», por despacho do Presidente da CML de 27/02/1940.

Refira-se ainda que a escritura de municipalização da Avenida Óscar Monteiro Torres e das ruas Capitão Ramires, David Sousa e Augusto Gil apenas se concretizou em 21 de dezembro de 1932 e, a empreitada da pavimentação dessas ruas foi adjudicada cerca de três anos mais tarde, em 21 de janeiro de 1935. O Bairro Neves Piedade também passou a ser conhecido como Bairro da Bélgica, após a aquisição do Casal do Ramires a Francisco Neves Piedade, bem como da Quinta do Brasileiro a Joaquim Ferreira da Cunha, pela Empresa dos Bairros Urbanos.

(Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Rua Capitão Ramires na Freguesia do Areeiro, Foto: Arnaldo Madureira, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

A Rua do político Ginestal Machado no seu 140º aniversário

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: José Carlos Batista)

 

No passado dia sábado, dia 3 de maio,  cumpriu-se o 140º aniversário de Ginestal Machado, Ministro da Instrução Pública, do Interior e Presidente do Conselho de Ministros da I República, que  39 anos após o seu falecimento  foi perpetuado na Rua G à Estrada da Luz, também designada por Rua B, com a legenda «Político/1874 – 1940», pelo Edital de 14/05/1979.

António Ginestal Machado (Almeida/03.05.1874 – 28.06.1940/Santarém), oficial da armada e licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e partidário de uma linha republicana moderada, foi Ministro da Instrução Pública em 1921 (24 de maio a 30 de agosto e de 31 de agosto a 19 de outubro) e dois anos depois, Presidente do Conselho de Ministros do 32º governo da I República (de 15 de novembro a 14 de dezembro de 1923), acumulando com a pasta do Interior.

Antes da implantação da República colaborou regularmente na Imprensa, nomeadamente no Correio da Estremadura e n’ A Luta de Brito Camacho, assim como participou empenhadamente na Liga Nacional de Instrução, criada em 1907 por Trindade Coelho e Borges Grainha, chegando a presidir à mesma em Santarém.

Iniciou a sua actividade política como companheiro de Álvaro de Castro sendo em 1909 eleito presidente da Junta Distrital de Santarém e após a implantação da República passou a liderar o movimento republicano no Distrito de Santarém, presidindo à comissão republicana que assumiu o poder a 6 de outubro de 1910 naquela cidade. Logo no ano seguinte foi nomeado comissário do Governo da República na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Em fevereiro de 1912 aderiu aos unionistas de Brito Camacho, seu amigo e, após a saída deste, tornou-se desde 1914 membro do directório do Partido da União Republicana. Em outubro de 1919, na sequência da formação do Governo da União Sagrada, foi um dos promotores da fusão entre o seu partido e o Partido Republicano Evolucionista, criando o Partido Liberal Republicano e mais tarde, em 1922, agrupando militantes desafetos do Partido Liberal Republicano e do Partido Reconstituinte promoveu a constituição do Partido Nacionalista a cujo directório presidiu até 1927, já que após a implantação da Ditadura Nacional, Ginestal Machado decidiu retirar-se da vida pública e dedicar-se em exclusivo a ser professor e a dirigir a Misericórdia de Santarém.

Ao longo da sua vida, Ginestal Machado foi também professor e reitor no Liceu Nacional de Santarém, para além de ter exercido as funções de deputado eleito por Santarém em 3 legislaturas consecutivas (1921- 1926) e de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém (1919 – 1933) até ser demitido pelo governo do Estado Novo. Faleceu vítima de ataque cardíaco após saber da queda da França frente à Alemanha Nazi.

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

A Rua do comandante dos Sapadores Bombeiros de Lisboa Ribeiro Viana

Descerramento do retrato do Coronel Ribeiro Viana, pela sua filha, no Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros  (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Descerramento do retrato do Coronel Ribeiro Viana, pela sua filha, no Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Comandante dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, Coronel Ribeiro Viana, foi perpetuado na antiga  Travessa Possidónio da Silva, nas freguesias de Campo de Ourique e Estrela, cinco anos após o seu falecimento, pelo Edital de 22 de junho de 1971.

Luís Ribeiro Viana (Leiria/16.09.1904 – 02.05.1966/Lisboa) foi um Coronel de Engenharia que também exerceu as funções de  comandante do Batalhão de Sapadores  Bombeiros de Lisboa durante 18 anos, de 1948 até ao seu falecimento. Filho de Francisco Caetano Ribeiro Viana e de Maria Luísa de Sousa Ribeiro Viana, nascido na Freguesia de Assunção do concelho de Leiria, aluno do Colégio Militar, foi com o posto de Capitão do Exército que ingressou pela 1ª vez no Batalhão de Sapadores Bombeiros, em 1938, como 2º Comandante. Promovido a Major em junho de 1947, assumiu interinamente o Comando do Batalhão de Sapadores Bombeiros em 29 de novembro de 1947 e,  foi nomeado Comandante do Batalhão de Sapadores Bombeiros em 20 de dezembro do ano seguinte, assumindo   simultaneamente o cargo de inspetor de incêndios da Zona Sul.

Recorde-se que em 2 de dezembro 1964 foi o coronel Ribeiro Viana que comandou as operações de combate ao incêndio que deflagrou de madrugada no Teatro Nacional D. Maria II,  e que foram acompanhadas em direto pelo Rádio Clube Português. Intervieram no sinistro todos os meios humanos e materiais dos Sapadores de Lisboa, bem como dos corpos de bombeiros voluntários da cidade mas apenas se salvaram as paredes exteriores do teatro.

Na carreira militar Ribeiro Viana ascendeu a Tenente-coronel em 1955 e, em 29 de novembro do ano seguinte foi exonerado a seu pedido, do cargo de Comissário Nacional Adjunto da Organização Nacional da Mocidade Portuguesa. Foi promovido a Coronel em 28 de fevereiro de 1959 e, em 7 de março de 1960 foi destacado para frequentar o curso de Altos Comandos. Desempenhou missões em Madrid (1948), na Alemanha (1950), em Inglaterra (1960), participou na  reunião da Defesa Civil do Território (NATO) de 14 de junho de 1953 e, integrou a Comissão para estudar e propor novo Regulamento do Condicionamento Especial da Indústria de Explosivos, em 1962. Faleceu na sua  residência, no 1º andar direito do nº 6 da Rua Luís Augusto Palmeirim.

Em Lisboa, para além da Avenida dos Bombeiros e desta Rua Coronel Ribeiro Viana,  existem ainda mais 7 ruas que consagram bombeiros de forma individual como as suas legendas indicam: a Rua Augusto Gomes Ferreira (Professor da Escola do Exército Inspector dos Incêndios/1854 – 1900), a Rua Bernardino Costa (Valoroso Bombeiro Português/18361908), a Rua Bombeiro Catana Ramos (Vítima do Incêndio do Chiado em 1988),  a Rua Carlos José Barreiros (Inspector de Incêndios), a Rua Ernesto Costa (Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lisboa/1901 – 1973), a Rua João Baptista Ribeiro (Ajudante do Corpo de Bombeiros/1859 – 1929) e, a Travessa de Guilherme Cossoul (Músico e Fundador dos Bombeiros Voluntários/1828-1880). Refira-se ainda que António Silva e Raúl Portela, figuras reconhecidas como ator e compositor e, nessas qualidades com direito a placa toponímica na capital, foram também bombeiros voluntários.

 

edital coronel ribeiro viana

A Rua do Companheiro Vasco

cartaz25a Vasco

Vasco Gonçalves foi o 2º Primeiro-Ministro após o 25 de Abril de 1974, liderando do II ao V Governos Provisórios, de 18 de julho de 1974 a 10 de setembro de 1975, nos tempos do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e do Verão Quente, tendo-se destacou-se pela criação em Portugal do Salário Mínimo Nacional, do Subsídio de Férias e do Subsídio de Natal, e ainda do Subsídio de Desemprego pelo que ficou na memória do povo português como o Companheiro Vasco.

Vasco dos Santos Gonçalves (Lisboa/03.05.1921 – 11.06.2005/Almansil) foi estudante do Liceu Camões, da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Academia Militar e foi já como Coronel de engenharia que em dezembro de 1973 aderiu ao Movimento dos Capitães, na reunião da Costa de Caparica e, integrou a Comissão de Redação do Programa do MFA. Como Primeiro-Ministro destacou-se pela criação em Portugal de medidas de âmbito social como o Salário Mínimo Nacional, do Subsídio de Férias, do Subsídio de Natal e do Subsídio de Desemprego, que lhe valeram a palavra de ordem «Vasco amigo, o Povo está contigo!» e, uma canção de Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo com o refrão «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!». Vasco Gonçalves foi igualmente mentor da Reforma Agrária e das Nacionalizações.

A autarquia lisboeta consagrou Vasco Gonçalves no próprio ano da sua morte, na Rua H 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar, com a legenda «Político/1921-2005», pelo Edital de 06/10/2005. Refira-se ainda que dada a proximidade das datas de falecimento o mesmo edital que atribuiu a Rua General Vasco Gonçalves consagrou também na mesma freguesia do Lumiar os nomes de Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal em Avenidas.

Freguesia de Santa Clara ou do Lumiar (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia do Lumiar
(Foto: José Carlos Batista)