A Rua do Companheiro Vasco

cartaz25a Vasco

Vasco Gonçalves foi o 2º Primeiro-Ministro após o 25 de Abril de 1974, liderando do II ao V Governos Provisórios, de 18 de julho de 1974 a 10 de setembro de 1975, nos tempos do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e do Verão Quente, tendo-se destacou-se pela criação em Portugal do Salário Mínimo Nacional, do Subsídio de Férias e do Subsídio de Natal, e ainda do Subsídio de Desemprego pelo que ficou na memória do povo português como o Companheiro Vasco.

Vasco dos Santos Gonçalves (Lisboa/03.05.1921 – 11.06.2005/Almansil) foi estudante do Liceu Camões, da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Academia Militar e foi já como Coronel de engenharia que em dezembro de 1973 aderiu ao Movimento dos Capitães, na reunião da Costa de Caparica e, integrou a Comissão de Redação do Programa do MFA. Como Primeiro-Ministro destacou-se pela criação em Portugal de medidas de âmbito social como o Salário Mínimo Nacional, do Subsídio de Férias, do Subsídio de Natal e do Subsídio de Desemprego, que lhe valeram a palavra de ordem «Vasco amigo, o Povo está contigo!» e, uma canção de Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo com o refrão «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!». Vasco Gonçalves foi igualmente mentor da Reforma Agrária e das Nacionalizações.

A autarquia lisboeta consagrou Vasco Gonçalves no próprio ano da sua morte, na Rua H 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar, com a legenda «Político/1921-2005», pelo Edital de 06/10/2005. Refira-se ainda que dada a proximidade das datas de falecimento o mesmo edital que atribuiu a Rua General Vasco Gonçalves consagrou também na mesma freguesia do Lumiar os nomes de Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal em Avenidas.

Freguesia de Santa Clara ou do Lumiar (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia do Lumiar
(Foto: José Carlos Batista)

A Avenida do 2º Presidente da República após o 25 de Abril

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

O General Costa Gomes foi o segundo Presidente da República do pós-25 de Abril, escolhido  pela Junta de Salvação Nacional após o 28 de Setembro, funções que exerceu como elemento moderador até à determinação em julho de 1976 por eleições livres de um novo Presidente da República, o general Ramalho Eanes.

Costa Gomes (à esquerda) na Vida Mundial de 24.05.1974

Costa Gomes (à esquerda) na Vida Mundial de 24.05.1974

Francisco da Costa Gomes (Chaves/30.06.1914 – 31.07.2001/Lisboa) era oficial de Cavalaria desde 1935 e também se licenciou em Ciências Matemáticas em 1944. Prestou serviço nos regimentos de Estremoz, Castelo Branco e Aveiro, bem como na Guarda Nacional Republicana no Porto. De 1954 a 1956, esteve no Supremo Comando Militar Atlântico e participou, posteriormente, em reuniões internacionais relacionadas com a reorganização da NATO. Exerceu sucessivamente as funções de sub-chefe e chefe do Estado-Maior das província de Macau, de 1949 a 1951, para além de ter sido professor do Curso de Altos Comandos, no Instituto de Altos Estudos Militares, e ainda comandante da Região Militar de Moçambique.

Em 1958 Costa Gomes iniciou funções como subsecretário de Estado do Exército, mas logo em 1961 envolveu-se na intentona militar de Botelho Moniz, então ministro da Defesa, para modificar a política colonial portuguesa e, foi exonerado do cargo nesse ano. Em 1972 foi nomeado Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, cargo do qual foi também exonerado em 14 de março de 1974 por, tal como António de Spínola, terem sido os os únicos generais que se recusaram a prestar lealdade ao governo de Marcelo Caetano, no que ficou conhecido popularmente como «A Brigada do Reumático».

Com o 25 de Abril de 1974 reassumiu as funções de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, de 30 de abril a 30 de setembro de 1974, com prerrogativas de primeiro-ministro. Foi ainda um dos sete militares da Junta de Salvação Nacional e presidiu ao Conselho da Revolução, instituído em 14 de março de 1975, tendo comandado os destinos do País durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso) que terminou em 25 de novembro de 1975.

Pelo edital municipal de 23 de abril de 2004, foram atribuídos os topónimos dos dois primeiros Presidentes da República após o 25 de Abril de 1974 – Marechal António de Spínola e Marechal Francisco da Costa Gomes – cabendo a Costa Gomes o arruamento constituído pela Via B1 e Via B2 (ligação da Rotunda das Olaias à Rotunda 2) e ramais B e C da Urbanização do Vale de Chelas (Zona RTB).

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

A Avenida do autor de «Portugal e o Futuro» e 1º Presidente da República após o 25 de Abril

Spinola Capa

O General Spínola, que havia sido Governador da Guiné, publicou na Livros Horizonte em fevereiro de 1974 o livro «Portugal e o Futuro», no qual defendia que a solução para a guerra colonial jamais seria militar mas antes política e, advogava a constituição de uma federação com os territórios ultramarinos, o que funcionou também como bandeira para os capitães do MFA – Movimento das Forças Armadas que em 25 de Abril de 1974 o conduziram a Presidente da Junta de Salvação Nacional e, consequentemente, a ser o primeiro Presidente da República Portuguesa após a Revolução dos Cravos.

António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz/11.04.1910- 13.08.1996/Lisboa), filho de uma família abastada cujo pai fora inspetor-geral de Finanças e chefe de gabinete de Salazar no Ministério das Finanças, foi um militar de carreira que em 1968, foi chamado para as funções de governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, cargos para que voltou a ser nomeado em 1972, por recondução, mas que não aceitou alegando falta de apoio do Governo da nação. Em novembro de 1973, Marcelo Caetano numa tentativa de o colocar do lado do regime convidou-o para a pasta de ministro do Ultramar, mas Spínola declinou. Por sugestão de Costa Gomes, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas a 17 de janeiro de 1974, cargo de que é demitido em Março por, tal como Costa Gomes, se ter recusado a participar na manifestação de apoio ao Governo e à sua política que ficou conhecida como «A Brigada do Reumático».

A 25 de Abril de 1974, como representante do MFA – Movimento das Forças Armadas, aceitou do Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, a rendição do Governo, o que na prática significou uma transmissão de poderes, para a Junta de Salvação Nacional, órgão que passou a deter as atribuições dos órgãos fundamentais do Estado.

O General António de Spínola ocupou a Presidência da República de 15 de maio de 1974 a 30 de setembro de 1974, altura em que renunciou e foi substituído pelo General Costa Gomes, após a tentativa falhada de golpe da chamada «Maioria Silenciosa», a 28 de setembro de 1974, onde esteve envolvido e, que procurou repetir no golpe de 11 de março de 1975. O seu mandato foi conturbado pelas suas tentativas de concentrar o poder na figura presidencial. Spínola tentou logo dissolver o MFA e concentrar poderes na Junta de Salvação Nacional a que presidia, para o que escolheu oficiais da sua total confiança para postos-chave, nomeadamente para as Regiões Militares, assim como escolheu Adelino da Palma Carlos para primeiro ministro do 1º Governo Provisório, procurando uma alteração do quadro constitucional, e sobretudo, na tentativa de ser seu exclusivo o complexo processo da descolonização.

Pelo Edital municipal de 23/04/2004 foram dados a Avenidas de Lisboa os nomes dos dois primeiros Presidentes da República após o 25 de Abril de 1974 : Marechal António de Spínola e Marechal Francisco da Costa Gomes. A Avenida Marechal António de Spínola foi oficialmente inaugurada em 11/04/2010 , dia do 100º aniversário do homenageado.

 

Freguesia de Marvila - Placa Tipo IV (Foto: AA)

Freguesias de Alvalade, Marvila e Areeiro  - No dia da inauguração em 11/04/2010 

A Rua dos Heróis de Quionga de 1916

 

Freguesias de Arroios e Penha de França  (Foto: Artur Matos)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Foto: Artur Matos)

 

Este arruamento perpetua na memória de Lisboa aqueles que combateram e recuperaram o posto moçambicano de Quionga, junto à foz do Rovuma, em 10 de abril de 1916, que havia sido ocupado pelos alemães no final do séc. XIX, quando Hintze Ribeiro era Presidente do Conselho de Ministros e com as pastas dos Negócios Estrangeiros e da Fazenda, e que só voltou à posse portuguesa com o final da I Grande Guerra, em 1919.

Passados sete meses sobre a tomada de Quionga a edilidade alfacinha fixou o acontecimento na cidade, pelo Edital de 27/11/1916, como Rua Heróis de Quionga, na que até aí era a Travessa do Caracol da Penha.

O tratado resultante da Conferência de Berlim de 1885 reconhecera a nova colónia alemã da África Oriental e os direitos de soberania de Portugal sobre todos os territórios a sul do rio Rovuma, que seria fronteira desde a sua foz à confluência do rio Messinge. Mas logo em 16 de junho de 1894 uma força naval alemã desembarcou um destacamento que ocupou Quionga bem como à zona limítrofe de 45 hectares. Depois de declarada a guerra a Portugal pela Alemanha, em 9 de março de 1916, o governador -geral de Moçambique Álvaro de Castro propôs a ocupação de Quionga, o que foi concretizado em 10 de abril de 1916 numa expedição comandada pelo tenente-coronel Moura Mendes. Depois, a Conferência de Paz de Versalhes, de setembro de 1919, reconheceu os direitos portugueses e o território foi oficialmente reintegrado no espaço de Moçambique pela Lei nº 962, de 2 de abril de 1920.

 

Placa Tipo II (Foto: Artur Matos)

Placa Tipo II
(Foto: Artur Matos)

 

O Jardim da Batalha de La Lys

Jardim Nove de Abril, 1969 (Foto: Artur Inácio Bastos, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jardim Nove de Abril, 1969
(Foto: Artur Inácio Bastos, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Jardim Nove de Abril, junto ao Museu Nacional de Arte Antiga, evoca a data da Batalha de La Lys, ocorrida em 9 de Abril de 1918, na Flandres, no decorrer da I Guerra Mundial. O exército germânico, sob o comando de Von Quast venceu as tropas aliadas, compostas por divisões inglesas e muitas portuguesas que ocupavam as linhas entre Armentières e o canal de La Bassée, pelo que esta batalha também é por vezes referida como batalha de Armentières, tendo morrido mais de 7 mil portugueses.

Este Jardim Nove de Abril dado por deliberação camarária de 14 de fevereiro de 1925, em homenagem ao Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial, também é conhecido como Jardim das Albertas, porque até ser demolido em 1918 ali existiu o Convento de Santo Alberto, das freiras carmelitas descalças que assim ganharam a denominação popular de Albertas, e nesse espaço foi construída em 1930 mais uma ala do Museu Nacional de Arte Antiga. Também é chamado como Jardim da Rocha do Conde de Óbidos, para referenciar o terreno onde o jardim assenta, junto ao Palácio dos Condes de Óbidos onde hoje é a sede da Cruz Vermelha Portuguesa. Segundo o olisipógrafo Norberto Araújo, o Jardim é contemporâneo da escadaria que lhe dá acesso a partir da Avenida 24 de Julho, a qual foi construída entre 1880 e 1882  e vulgarmente é conhecida por Escadinhas da Rocha, embora desde o Edital de 21/02/1985 tenha a denominação de Escadaria José António Marques, em homenagem ao fundador da Cruz Vermelha Portuguesa.

Placa Tipo II - Freguesia da Estrela

Placa Tipo II – Freguesia da Estrela

Do Caminho de Baixo da Penha ao General Roçadas

General Roçadas na Ilustração Portuguesa de 13.11.1905

General Roçadas na Ilustração Portuguesa de 13.11.1905

No próximo domingo, dia 6 de abril,  perfaz-se o 149º aniversário do General Roçadas, governador de Angola e último comandante do Corpo Expedicionário Português cujo nome foi atribuído a  um troço do Caminho de Baixo da Penha, por Edital de 27/12/1930, criando-se assim a Avenida General Roçadas, hoje nas freguesias de  São Vicente e da Penha de França.

Com a legenda «Herói das Campanhas de África/1865 – 1926» esta artéria homenageia José Augusto Alves Roçadas (Vila Real/06.04.1865 – 28.06.1926/Lisboa), militar que assentou praça em 1882, concluiu o curso da Escola do Exército em 1889 e, chegou a capitão de cavalaria aos 29 anos. De 1897 a 1900 foi enviado para Angola como chefe do estado-maior das forças portuguesas no território e, em 1902 desempenhou o mesmo cargo na Índia. Voltou a Angola em 1904 como governador de Huíla e, em 1907 vingou o massacre de Cunene o que lhe valeu ser galardoado pelo rei D. Carlos com a Torre e Espada, nomeado ajudante-de-campo do rei e, a promoção a major. Com a subida ao trono de D. Manuel II foi também promovido a tenente-coronel. Ainda em 1908 foi Governador de Macau e depois, Governador de Angola, funções de que se demitiu com a implantação da República e regressou a Portugal, comandando a partir daí várias unidades militares .

Em outubro de 1914 Roçadas voltou ao sul de Angola para combater os alemães, com 1 600 homens. No combate de Naulila e, apesar da superioridade numérica das forças portuguesas venceram os alemães, o que obrigou os militares portugueses a recuar para norte do Cunene e do Caculevar, o que impulsionou os povos de Humbe a revoltarem-se  expulsando a ténue presença portuguesa na área e, Alves Roçadas voltou para Portugal em 1915. Em setembro de 1918, Roçadas passa a general e torna-se o comandante da 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português em França, o último enviado durante a I Guerra Mundial e assim, foi encarregue do repatriamento e da extinção da presença portuguesa na França e na Bélgica.

Em 1919 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique e de lá voltou apenas em 1923. Integrou a partir daí o grupo de militares e civis em torno de Sinel de Cordes que preparou o golpe de 28 de maio de 1926, sendo mesmo o General Roçadas o indicado para tomar o poder, o que não aconteceu por ter adoecido pouco tempo antes do golpe e falecido um mês depois.

Edital de 27.12.1930

Edital de 27.12.1930

Um Diretor da Manutenção num Largo da Madre de Deus

Freguesia do Beato

Freguesia do Beato

O  Coronel Mata Pereira que dirigiu a Manutenção Militar e cujo 127º aniversário de nascimento hoje se completa, dá o seu nome a um Largo do Bairro de Casas Económicas da Madre de Deus, desde a publicação do Edital de 14/06/1950, já que até aí as artérias deste Bairro eram  identificadas por números.

Esta alteração dos topónimos do Bairro de Casas Económicas da Madre de Deus surgiu na sequência de um pedido do Ateneu do Bairro da Madre de Deus, conforme se pode ler na ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 19/05/1950: «Ofício, sem número, do Ateneu do Bairro da Madre de Deus, datado de 15 do mês corrente, dirigido ao Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara, indicando alguns nomes de pessoas que mais se destacaram na área do Beato a Xabregas, para denominarem os arruamentos do Bairro da Madre de Deus». Para além do Largo Coronel Mata Pereira foram atribuídos também o Largo Coronel Vasconcelos Dias, o Largo da Madre de Deus, a Rua Carlos José Caldeira, a Rua Dom Francisco D’Eça, a Rua Dom José de Bragança, a Rua Dom Luís Coutinho, a Rua José Bateira, a Rua José Leilote, a Rua Lino Helder, a Rua Luís Cadote, a Rua Manuel José da Silva, a Rua Marquês de Olhão, a Rua Rocha Santos, a Rua Simões Telhadas e a Rua Vicente Ribeiro.

Arthur Xavier da Matta Pereira (Sernache do Bonjardim – Cabeçudo/31.03.1887 – 27.07.1944) foi um militar que exerceu o cargo de Diretor da Manutenção Militar, sediada na freguesia do Beato. Em 1938 fora subdiretor e logo no ano seguinte passou a diretor das Oficinas Gerais de Fardamento e Calçado e, já como Major desempenhou o lugar de chefe dos serviços comerciais da Manutenção Militar.

Em 1903, alistara-se no Exército como voluntário  e cursou Administração Militar na Escola do Exército. Prestou serviço militar em Angola, de 1910 a 1912, onde voltou em 1915 para combater as ofensivas na fronteira sul. Depois, integrou o Corpo Expedicionário Português na I Guerra e, em 1919, bateu-se contra as movimentações monárquicas de Paiva Couceiro em Trás-os-Montes. Matta Pereira foi oficial da Administração Militar e Adido e, para além de diversas condecorações militares foi também agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis (1920), de cavaleiro da Ordem de Cristo (1924) e de comendador da Ordem de Avis (1941). Era ainda sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa e, da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, tendo sido proposto para esta última pelo olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.

Coronel Mata Pereira - Placa

A Avenida do 1º piloto da aviação portuguesa na I Guerra Mundial

Freguesia do Areeiro

Freguesia do Areeiro

Óscar Monteiro Torres, o 1º aviador português brevetado e herói da I Guerra Mundial, nasceu há 125 anos e dá nome  a uma Avenida lisboeta desde a publicação do Edital de 14/09/1926, a que foi acresceu a legenda «Aviador/1889 – 1917 ( Morto em Combate na Grande Guerra)», por despacho do Presidente da Câmara publicado no Diário Municipal  de 01/03/1940.

Pelo mesmo edital de 1926,  numa artéria paralela, foi também atribuída uma Avenida a outro aviador: Sacadura Cabral.

Óscar Monteiro Torres (Luanda/26.03.1889 – 20.11.1917/Laon – França) foi um capitão de cavalaria que se tornou um herói da aviação portuguesa na I Guerra Mundial. Após a revolta de 14 de maio de 1915, foi escolhido pelo então ministro da Guerra, Norton de Matos, para seu ajudante. Monteiro Torres ofereceu-se para a aviação portuguesa que o ministro da Guerra queria organizar e foi assim  para Inglaterra para obter o diploma de piloto na Escola de Aviação de Hendon, o que conseguiu com a mais alta classificação. Passados três meses rumou a França para a Escola de Aperfeiçoamento de Pau. Regressado a Portugal, Óscar Monteiro Torres organizou e colaborou na Escola de Aviação de Vila Nova da Rainha, conseguindo-se assim que uma divisão portuguesa ficasse pronta para apoiar os Aliados na Guerra. As primeiras tropas portuguesas partiram para França em janeiro e fevereiro de 1917. Contudo, já em território francês, Monteiro Torres não dispunha de aviões que os britânicos só entregariam  aos portugueses em dezembro desse ano e nessa espera, com autorização de Norton de Matos, ofereceu-se ao governo francês que acabou por o integrar na esquadrilha «Spad 65». No combate do dia 19 de novembro de 1917, nos céus de Laon, é ferido e acaba por falecer na madrugada do dia seguinte.

Edital de 14.09.1926

Edital de 14.09.1926

No 125º aniversário do Capitão que combateu os Alemães em Angola e Moçambique

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

Daqui a 3 dias, a 28 de março, passa o 125º aniversário do Capitão Humberto de Ataíde que desde o Edital de 24/10/1924 dá o seu nome à Rua B do Bairro Ermida, porque  «Combateu na Rotunda em 1910 pela implantação da República e em Angola e Moçambique os Alemães; sendo repetidas vezes ferido, faleceu em combate».

A vereação republicana atribuiu pelo mesmo Edital  às Rua A e C do Bairro Ermida, os nomes do Capitão José Soares da Encarnação, que «Combateu na Rotunda em 1910, pela implantação da República, e em África contra os Alemães, sendo trucidado pelos indígenas revoltados no Sul de Angola» e, do Tenente Viriato Correia de Lacerda que «combateu na Rotunda em 1910 pela implantação da República e em Angola os alemães e os indígenas revoltados», conforme se pode ler na deliberação camarária de 19 de setembro de 1918.

Humberto de Ataíde Ramos de Oliveira (28.03.1889 – 04.08.1918/Moçambique), foi aluno do Colégio Militar e do Curso de Infantaria da antiga Escola do Exército. Aí conheceu Viriato Lacerda com quem acompanhou Machado Santos durante a sua permanência na Rotunda em 4 e 5 de Outubro de 1910.

Como capitão de infantaria foi em 1914 destacado para Angola, onde no ano seguinte sob o  comando do General Pereira de Eça fez a campanha do sul de Angola e, foi ferido cinco vezes. Depois, em Moçambique entrou em campanha contra os Alemães. Comandava um posto em Moçambique quando se viu obrigado a ter de lançar fogo ao posto e a retirar, situação que sentiu como humilhante e suicidou-se nesse dia  4 de agostoFoi promovido a major a título póstumo.

Placa Tipo II

Placa Tipo II

Avenida General Norton de Matos no 1º Edital após o 25 de Abril

(Freguesias de Alvalade e mais e mais)

Freguesias de Alvalade, Lumiar, São Domingos de Benfica, Benfica, Carnide
(Foto: José Carlos Batista)

No próximo domingo, dia 23,  completam-se 147 anos do nascimento do  General Norton de Matos que em Lisboa dá nome a uma Avenida, logo desde o 1º Edital de toponímia após o 25 de Abril ( nº 161/1974), de 30/12/1974.

Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa então gerida por uma Comissão Administrativa presidida pelo Eng.º Caldeira Rodrigues, mudou na toponímia da capital apenas 5 topónimos, de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia na sua primeira reunião (15/11/1974), que defendia a «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime» e assim, por edital de 30 de dezembro de 1974, foram alterados os seguintes topónimos: a Avenida Vinte e Oito de Maio passou a Avenida das Forças Armadas a Rua General Sinel de Cordes tornou-se a Rua Alves Redol, a Calçada de Santos alterou-se para Calçada Ribeiro dos Santos, a Estrada de Malpique converteu-se na Rua Dr. João Soares e, a Avenida Marechal Carmona foi transformada em Avenida General Norton de Matos.

Norton de Matos com Bernardino Machado em 1917 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Norton de Matos com Bernardino Machado em 1917
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

O homenageado, José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (Ponte de Lima/23.03.1867 – 03.01.1955/Ponte de Lima) foi um militar e político que  se candidatou às eleições presidenciais de 1948, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos, exigências que o regime de Salazar se recusou a satisfazer mas que lhe granjearam vastos apoios populares e da oposição ao Estado Novo.

Norton de Matos havia começado a sua carreira na administração colonial na Índia (1898) e, em missão diplomática, viajou por Macau e pela China, coincidindo o seu regresso a Portugal com a proclamação da República, novo regime que se dispôs a servir sendo então Chefe do Estado-Maior da 5ª divisão militar (1911) e Governador-Geral de Angola (1912-1915). Foi chamado ao Governo como Ministro das Colónias e da Guerra (1915) e assim criou o Corpo Expedicionário Português. Após o sidonismo exilou-se em Londres e apenas aceitou um comando subalterno na Flandres. Em 1919, foi Delegado de Portugal na Conferência da Paz, promovido a General por distinção e, nomeado Alto Comissário da República em Angola, tendo então fundado a cidade de Huambo. Exerceu ainda as funções de Embaixador de Portugal em Londres (1924-1926), cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar. Em 1929 foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa (até 1935) e deixou como obra publicada títulos como A Província de Angola (1926), Memórias e Trabalhos da Minha Vida (1943-1946), Ensaio sobre Paiva Couceiro (1948) e A Nação Una (1953).

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)