Jorge Amado, o autor de Gabriela na Toponímia de Lisboa

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila      (Foto: Sérgio Dias)

Neste ano de 2012 em que se assinala o centenário do nascimento de Jorge Amado e se realiza o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal recordamos que este escritor brasileiro faz parte da toponímia de Lisboa desde o ano do seu falecimento, dando nome a uma rua de Marvila.

Jorge Amado ficou muito conhecido no nosso país por ser o autor de Gabriela, Cravo e Canela (obra de 1958) e, entrou nas placas toponímicas de Lisboa pelo Edital nº 93/2001, que também perpetuou num arruamento próximo o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre.

De seu nome completo Jorge Leal Amado de Faria (Bahia/10.08.1912 – 06.08.2001/Salvador), publicou em 1931 o seu primeiro romance (O país do Carnaval) e, logo dois anos depois lançou Cacau e, em 1937 Capitães da Areia. Em Portugal, a circulação de obras suas esteve interditada, como por exemplo, para Seara Vermelha (1946) ou Subterrâneos da Liberdade (1954), e com direito a processo policial próprio do Estado Novo. Lyon de Castro publicou na sua Europa-América, em 1960, Gabriela, Cravo e Canela e assim abriu uma fresta na edição da obra de Jorge Amado em Portugal e,  permitiu mesmo a vinda do escritor ao nosso país em 1966.

Formado em 1935 pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, Jorge Amado tornou-se também militante comunista e por isso, foi obrigado entre 1941 e 1942 a exilar-se na Argentina e no Uruguai, como mais tarde também o fará em Paris (1948 a 1950) e, em Praga (1951 e 1952) . Em 1945, foi eleito membro da Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), com a particularidade de ter sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo e, no desempenho dessas funções foi o autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso.

A vasta obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil, sendo de destacar como grandes sucessos Gabriela, Cravo e Canela(1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966), Tenda dos Milagres (1969), Teresa Batista Cansada de Guerra (1972) e Tieta do Agreste (1977). Os seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em fitas gravadas para cegos.

Jorge Amado foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (em 6 de abril de 1961) e ocupou a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar, e dessa experiência escreveu Farda, fardão, camisola de dormir (1979), aludindo ao formalismo da entidade e à senilidade dos seus membros. Em 1987, no Largo do Pelourinho de Salvador, foi inaugurada a Fundação Casa de Jorge Amado com o acervo do escritor. Também entre muitos Prémios, destacamos que o escritor foi agraciado com o Jabuti em 1959 e 1995 e, também com o Prémio Camões em 1994.

Jorge Amado morreu em Salvador, na sua residência da Rua Alagoinhas, foi cremado e as suas cinzas foram enterradas no jardim dessa casa quatro dias depois, em 10 de Agosto, por nesse dia se completarem 89 anos do seu nascimento. 

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