A feminista e republicana Ana de Castro Osório

A feminista e republicana Ana de Castro Osório entrou na Toponímia de Lisboa quarenta e um anos após a sua morte, com mais três mulheres da passagem do século XIX para o XX – Adelaide Cabete, Guiomar Torresão e Maria Veleda -, por via do Edital de 19.06.1976.

Ao analisar uma «(…) Carta de Maria de Lourdes Pais Guerreiro da Franca, juntando petição com algumas dezenas de assinaturas, no sentido de ser dado o nome de Maria Veleda a um arruamento de Lisboa.», a Comissão Municipal de Toponímia na reunião de 15.06.1976, considerou que
« Tendo em vista que em execução do plano de urbanização da Quinta dos Condes de Carnide, designado por UNOR 36, encontram-se construídos alguns arruamentos ainda sem nomenclatura própria e que à obra da Maria Veleda, como fundadora da Obra Maternal, estão intimamente ligados os nomes de Ana de Castro Osório e Adelaide Cabete, a Comissão emite parecer favorável, sugerindo que os arruamentos do plano de urbanização da Quinta dos Condes de Carnide – Unor 36, abaixo referidos, tenham as denominações que vão indicadas: Rua B – Rua Ana de Castro Osório/Escritora /1872 – 1935; Impasse Um – Rua Adelaide Cabete/Médica/1877 – 1935; Impasse três e quatro – Rua Maria Veleda/ Escritora/1871- 1955;Rua E – Rua Guiomar Torresão/Escritora/1844 – 1898 ”
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Ana de Castro Osório (Mangualde/18.06.1872 – 23.03.1935/Setúbal) enquanto escritora publicou as suas primeiras crónicas aos 23 anos (1895), mas logo em 1905 publicou As Mulheres Portuguesas, o primeiro manifesto feminista português e, foi pioneira na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, tendo fundado a revista A Sociedade Futura bem como a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909) no 2º andar do nº 6 da Rua dos Castelinhos, a Associação de Propaganda Feminista (1912) e, a Comissão Feminina Pela Pátria (1916), a partir da qual se formou, no mesmo ano, a Cruzada das Mulheres Portuguesas.

Ana de Castro Osório também colaborou com Afonso Costa, então Ministro da Justiça, na feitura da lei do divórcio e, em 1915, foi a única mulher a participar no Congresso Municipal de Évora, como delegada da autarquia de Cuba, e apresentou a tese «A mulher na agricultura, nas indústrias regionais e na administração municipal». Também se envolveu na Guerra de 1914-18 através de propaganda patriótica e assistência aos soldados.

Casada com o poeta e membro do Partido Republicano Paulino de Oliveira, acompanhou-o em 1911 quando este foi nomeado cônsul em São Paulo e aí foi professora e escreveu vários livros, entre os quais Lendo e Aprendendo e Lição de História, dois manuais que escolas brasileiras e portuguesas seguiram. Ana de Castro Osório foi também considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal, muito pela publicação da coleção em fascículos Para as Crianças (1897- 1935), obra marcante na sua época e que durou até à sua morte.

Ana de Castro Osório foi mãe dos escritores João de Castro Osório e José Osório de Oliveira.

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