Prista Monteiro, o médico escritor

Prista Monteiro nasceu há 90 anos em Lisboa, na Ajuda e, desde há 15 anos que está na toponímia de Lisboa, bem perto de outro dramaturgo, Virgílio Martinho, tanto mais que ambos deram nome a ruas da Urbanização da Horta Nova  pelo Edital municipal de 30/09/1997.

Helder Prista Monteiro (Lisboa/30.05.1922 – 30.10.1994/Lisboa) foi um médico especialista em pneumologia, com trabalhos publicados nesta área e que, no Bairro do Alto de Santo Amaro onde nasceu, montou consultório e tornou-se o médico de muitos dos seus amigos de infância, dos pais deles e, de muitos funcionários da Carris dada a proximidade de localização desta empresa. Durante 30 anos foi também o médico de pneumologia da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio de Lisboa e, a constante subida das escadinhas que vão da Rua da Madalena à sede daquela Associação inspiraram-lhe A Caixa (1980), que tal como a sua primeira peça «Os Imortais» (escrita em 1959 mas só publicada em 1968), foram adaptadas ao cinema por Manoel de Oliveira (como Inquietude e A Caixa).

É que em paralelo com a medicina Prista Monteiro dedicou mais de 30 anos da sua vida a ser escritor de peças de teatro, sendo em Portugal o representante do que se convencionou designar «teatro do absurdo», na linha de Ionesco e Beckett. Destaque-se A Rabeca (1960), O Meio da Ponte (1960), O Anfiteatro (1960) e A Bengala, escrita em 1960 e publicada em 1971, obra proibida pela Censura e que recebeu em 1974 o Prémio Marcelino Mesquita da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos. Em 1972, escreveu O Candidato, peça que a RTP emitiu passados 4 anos e, em 1973, publicou no Expresso o seu primeiro conto «Não é proibido morrer», para além de ensinar no Conservatório, até 1976, os cursos de «Anatomia aplicada ao Teatro» e «Anatomia aplicada ao Ballet».

Prista Monteiro publicou ainda Folguedo do Rei Coxo (1961) e O Fio (1980) – que foi Prémio Marcelino Mesquita em 1983 -, tendo ambas as peças integrado um repertório nacional de Teatro por indicação da Secretaria de Estado da Cultura. São também obra sua Os Faustos (1979), Não é preciso ir a Houston (1986) – que foi Menção Honrosa da SEC em 1989 – e, O Mito (1988) que foi premiado pelo Círculo de Cultura Teatral do Porto e pela Câmara Municipal de Lisboa com o Prémio Eça de Queiroz. Refira-se ainda as peças A Vila (1984) – que obteve o prémio comemorativo do 60º aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores e o Prémio de Teatro da Sociedade de Escritores Médicos-, Naturalmente! Sempre! (1988), De Graus (1989) – que recebeu o Prémio Garrett 89 da SEC, a integração no Repertório da SPA em 1991 e a subida ao palco pela Companhia de Teatro de Almada em 1994 – sendo a última edição de Prista Monteiro o Auto dos Funâmbulos (1994).

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

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