O Gosto pela Música de João de Freitas Branco numa Rua de Lisboa

Freguesia de São Domingos de Benfica

João de Freitas Branco chegou aos ouvidos dos portugueses de 1956 a 1985, pela antena da Rádio pública portuguesa, como o autor do programa de rádio O Gosto pela Música. E passado pouco mais de um mês sobre o seu falecimento, pelo último edital de toponímia de 1989, foi consagrado num troço da Rua Soeiros (compreendido entre a Rua Mateus Vicente e a Avenida Lusíada), junto com o pintor João Hogan e a Cidade de Rabat que ocuparam os outros dois troços do mesmo arruamento.

João Pedro de Freitas Branco (Lisboa/10.01.1922 – 17.11.1989/Caxias) que este ano completaria 90 anos, foi um matemático e musicólogo, filho único do compositor português Luís de Freitas Branco e sobrinho de Pedro de Freitas Branco que também têm placa toponímica em Lisboa.

Desde criança que estudou música e a partir dos 16 anos começou a ajudar o seu pai como crítico musical do jornal O Século e depois de concluir o curso do Conservatório Nacional iniciou funções de assistente de programas musicais na Emissora Nacional, em 1944, ano em que também concluiu a Licenciatura em Ciências Matemáticas e entrou no grupo de investigação matemática dirigido por Rui Luís Gomes. João de Freitas Branco desenvolve uma carreira preenchida em que integra os fundadores da Juventude Musical Portuguesa (1948), acompanha Stravinsky quando este esteve em Lisboa, rege o curso de História da Música na Exposição Mundial de 1967 no Canadá e também na Fundação Gulbenkian, dirige o Teatro de São Carlos (de 1970 a 1974) e mais tarde é o Administrador-Diretor Artístico e da Produção (1985), é o Diretor-Geral dos Assuntos Culturais e Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente (em 1974 e 1975).

João de Freitas Branco que abasteceu a produção musicológica portuguesa com uma História da música portuguesa (1959), Alguns aspectos da música portuguesa contemporânea (1960), Viana da Mota uma contribuição para o estudo da sua personalidade e da sua obra (1972), A música na obra de Camões (1979), Camões e a música (1982), Chopin um improviso em forma de diálogo (1999), foi Doutor Honoris Causa em Filosofia pela berlinense Universidade Humboldt e, em 1987 foi agraciado com a Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura.