O Homem da Maratona em Lisboa

Freguesia dos Anjos – futura Freguesia de Arroios

Francisco Lázaro foi o primeiro desportista a ficar consagrado na toponímia de Lisboa, pelo Edital municipal de 09.12.1924 e, com a legenda «Pedestrianista Falecido em Estocolmo em 1912», naquela que era antes a Travessa do Borralho e onde, desde 1 de Dezembro de 1923, tinha sede uma instituição desportiva, o Lisboa Ginásio Clube.

Foi a Francisco Lázaro que coube empunhar o estandarte português no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos de Estocolmo de 1912 e, dar a conhecer a recém-oficializada bandeira portuguesa, na primeira delegação portuguesa a uns Jogos Olímpicos, chefiada pelo esgrimista Fernando Correia e que também integrava Armando Cortesão e António Stromp no atletismo, e os lutadores António Pereira e Joaquim Vital.

A Maratona como prova olímpica evoca o drama do lendário soldado grego Phillipiades, que morreu de esgotamento físico, após ter percorrido a distância que medeia a localidade de Maratona de Atenas, para anunciar a vitória dos gregos sobre os Persas e, Lázaro foi também vítima desta prova disputada no dia 14 de Julho de 1912, sob um sol abrasador e 32º de temperatura, em que ele correu de cabeça descoberta e untado de sebo o que lhe impedia a transpiração, caindo ao quilómetro 29 e vindo a falecer na madrugada do dia seguinte. A sua morte por desidratação, aos 24 anos e, a primeira dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, causou em Portugal uma profunda consternação e o mito de uma medalha de ouro inalcançável.

Francisco Lázaro (Lisboa/21.01.1888 – 15.07.1912/Estocolmo), era carpinteiro de uma fábrica de carroçarias de automóveis na Travessa dos Fiéis de Deus (Bairro Alto) e, sem treinador, corria diariamente de Benfica até S. Sebastião da Pedreira, após o trabalho. Em 1908 começou a ser notado nas competições pedestres ao participar na primeira Maratona Nacional, uma corrida de 24 Km. Em Março de 1911 transferiu-se do Velo Clube de Lisboa para o Sport Lisboa e Benfica e, em 7 de Maio ganhou o primeiro Corta-Mato Nacional (realizado no Lumiar) com 20m e 25s e, logo em 18 de Junho ganhou a Maratona nos Jogos Olímpicos Nacionais com 3h 9m e 53s. Ainda em 1911, a 9 de Julho obteve outra vitória na prova de 30 Km do Grande Prémio do Sport Grupo Progresso, com o tempo de 2h e 10 m e, no início de 1912 transferiu-se do Benfica para o Lisboa Sporting Clube (fundado no ano anterior) e correu a Maratona Nacional, na distância de 42 800m, com a meta colocada no topo da Calçada de Carriche, com o tempo de 2h 52m 8s o que augurava um bom resultado em Estocolmo, já que o vencedor da maratona olímpica de Londres, quatro anos antes, conseguira o tempo de 2h55m.

Francisco Lázaro dá também nome ao estádio do Clube Futebol de Benfica, na Rua Olivério Serpa e, o escritor José Luís Peixoto inspirou-se nele para o seu romance Cemitério de Pianos.

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