Trindade à volta de Alvalade

Placa Tipo IV

Numa rua defronte do Estádio de Alvalade, que liga a Avenida Padre Cruz à Rua Prof. Fernando da Fonseca, está inscrito na toponímia de Lisboa o nome do ciclista Alfredo Trindade, cujo centenário do nascimento se comemora este ano e, que ficou conhecido como uma glória do Sporting Clube de Portugal.

Dá o seu nome às placas daquele arruamento desde a publicação do Edital de 04.02.1993, que o juntou nas ruas de Lisboa ao seu amigo pessoal apesar de rival nas competições, o benfiquista José Maria Nicolau, que desde 09.06.1992 tinha já o seu nome numa rua próxima do Estádio da Luz. E assim se juntaram os 3 ciclistas da toponímia lisboeta, sendo o primeiro Joaquim Agostinho, pelo Edital de 07.09.1987.

Alfredo Trindade (Cartaxo – Valada do Ribatejo/03.01.1912 – 11.10.1977) começou por conduzir éguas na sua terra natal e depois aprendeu o ofício de carpinteiro. A seguir, começou como ciclista individual e, em 1931 ficou em 2º lugar na Volta a Portugal, logo atrás de Nicolau, prova que também ganhou no ano seguinte ao serviço da equipa do União Ciclista Rio de Janeiro, coletividade do Bairro Alto que ganhou o nome pela proximidade à Praça Rio de Janeiro, hoje Praça do Príncipe Real. Aliás, Alfredo Trindade foi o primeiro ciclista a conseguir a vitória em duas Voltas a Portugal consecutivas -1932 e 1933- sendo a segunda já com a camisola leonina, o que deu também ao clube a vitória na competição por equipas, sendo então Trindade sócio nº 3127 do clube de Alvalade. Trindade triunfou num total de 14 etapas da prova rainha do calendário nacional velocipédico, e ainda na Valença-Matosinhos-Valença de 1933, no Campeonato Nacional de Fundo, nas Oito Voltas ao Cartaxo e nas Cinco Voltas a Mafra (todas em 1934), bem como no Porto – Lisboa de 1936.

Alfredo Trindade foi ainda convidado pela Federação Ciclista Brasileira para correr em 3 provas, no Rio de Janeiro e em S. Paulo, tendo-se sagrado o vencedor em todas. Em 1934, esteve também em França para 3 provas e descobriu com surpresa da obrigatoriedade de nesse país ter de rapar os pelos das pernas.

Após a carreira de ciclista ainda foi técnico de ciclismo do Benfica mas, essencialmente, dedicou-se à cultura de vinha, trigo, melões e tomate nas terras que herdara de seu pai. E em 2005, o Sporting distinguiu-o com o Prémio Stromp, na categoria Saudade.