A Rua que pula e avança como bola colorida

   Hoje comemora-se o Dia Nacional da Cultura Científica, em homenagem a Rómulo de Carvalho, já que este era o dia do seu nascimento e, por isso, trazemos a história da rua lisboeta que o guardou na sua memória, na sua faceta de poeta, como António Gedeão.

  O Edital de 11.07.1997, cerca de 5 meses após o seu falecimento, colocou este alfacinha nascido na Sé num antigo Troço da Rua F do Bairro dos Alfinetes, junto à Escola de Ensino Básico 2+3 de Marvila a recordar o seu importante papel de professor e, perto de outros escritores como Dinah Silveira de Queiroz que lá estava desde 1984 e Luís de Sttau Monteiro que lá chegou em 2001.

Vasco Rómulo de Carvalho (Lisboa/24.11.1906 – 19.02.1997/Lisboa) foi um professor, um investigador, um historiador da ciência portuguesa e um poeta, que logo aos 5 anos escreveu os primeiros poemas e aos 10 decidiu completar Os Lusíadas.

Licenciou-se  em Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 1931 e, no ano seguinte, em Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras de Lisboa e, após estagiar no Liceu Pedro Nunes, dedicou-se durante 40 anos a ser professor e pedagogo, tendo ensinado em Lisboa nos Liceu Camões e Pedro Nunes e em Coimbra, no Liceu D. João III.

Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).

E só em 1956, quando Rómulo de Carvalho já contava 50 anos de idade, é que fez nascer o poeta António Gedeão com a publicação de Movimento Perpétuo, onde podemos encontrar a «Pedra Filosofal» de que Manuel Freire fez canção. Seguiram-se Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990), tornando visível a simbiose entre a ciência e a poesia, entre a vida e o sonho, entre Rómulo de Carvalho e António Gedeão. Muito dos seus poemas foram musicados logo em 1972, quando José Nisa produziu o álbum “Fala do homem nascido” com 12 poemas cantados por Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha.

Note-se ainda que em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assumiu a direção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Foi galardoado com a Grã Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, a Medalha de homenagem do Senado da Universidade Nova de Lisboa, a Medalha da Universidade de Évora e as Insígnias de Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública.

Freguesia de Marvila                                                                                      (Foto: Rui Mendes)

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