Aristides de Sousa Mendes numa rua de Lisboa

rua aristides de sousa mendes p

Placa Tipo II – Freguesia de Carnide

Finda a 2ª Guerra Mundial, a ONU aprovou no dia 10 de Dezembro de 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos pelo que este é um dia adequado para lembrar Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que livrou judeus do Holocausto e cuja memória Lisboa guarda numa Rua desde 9 de Dezembro de 1988.

A edilidade lisboeta, na sua reunião da Câmara de 14/11/1988, aprovou por unanimidade uma moção para se prestar homenagem a Aristides de Sousa Mendes, pelas diligências que desenvolveu em defesa do povo judeu e , assim pelo Edital de 09/12/1988 foi o seu nome atribuído ao Impasse B, C à Azinhaga da Torre do Fato.

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches (Viseu-Cabanas de Viriato/19.07.1885 – 03.04.1954/Lisboa) foi um diplomata português que como cônsul em Bordéus desde 1938, após a invasão da França pela Alemanha, resolveu contrariar as diretrizes expressas de Salazar enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente do Conselho de Ministros, e emitiu, mais de 30.000 vistos de entrada em Portugal a judeus e outras minorias perseguidas pelos nazis, salvando-os dos horrores das perseguições e da morte, processo em que acabou por perder o seu próprio posto de trabalho.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1908), Sousa Mendes optou por uma carreira diplomática, que o colocou primeiro em Demerara (na Guiana Francesa), onde foi cônsul em 1910. Seguiram-se Zanzibar, entre 1911 e 1916, São Francisco da Califórnia, de 1921 a 1923, e São Luís do Maranhão e Porto Alegre em 1924. Regressou a Lisboa em 1926, para prestar serviço na Direcção-Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. Em 1927 foi nomeado cônsul em Vigo e em 1929 cônsul-geral em Antuérpia (Bélgica). Em 1936 foi condecorado pelo Rei Leopoldo III da Bélgica como decano do corpo diplomático e, em1938, ano anterior ao do início da II Grande Guerra, Salazar nomeou Aristides de Sousa Mendes cônsul em Bordéus.

Após a sua obra humanitária para com os judeus, Aristides de Sousa Mendes regressa a Portugal em 8 de Julho de 1940 e Salazar condena-o a um ano de inatividade com metade do salário e depois, à aposentação sem vencimento, sendo ainda impedido de exercer a profissão de advogado. Sousa Mendes ainda dirigiu uma carta à Assembleia Nacional, em 1945, reclamando (em vão) contra o castigo que lhe fora imposto pelo Governo e sobreviveu com a sua numerosa família, graças à solidariedade da comunidade judaica de Lisboa. Faleceu 9 anos depois no Hospital da Ordem Terceira em Lisboa, aos 69 anos de idade. Só em 1998 a Assembleia da República e o Governo Português procederam à reabilitação oficial, póstuma, de Aristides de Sousa Mendes.

One thought on “Aristides de Sousa Mendes numa rua de Lisboa

  1. Pingback: Pena de Morte e Direitos Humanos na Toponímia de Lisboa | Toponímia de Lisboa

Os comentários estão fechados.