Um Vintém pela Escola Laica numa Travessa e num Beco

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No âmbito da ideia republicana de substituir topónimos religiosos por topónimos laicos, a Travessa do Espírito Santo, atribuída por deliberação camarária de 29 de Março de 1900 ao arruamento que ia do Largo do Espírito Santo (hoje Largo Ernesto da Silva) até à Rua Direita, passou por edital municipal de 14 de Outubro de 1915 a designar-se por Travessa do Vintém das Escolas. Também o Beco que nasce nesta Travessa e cuja data de atribuição se desconhece tomou o mesmo nome.

Vintém das Escolas é o nome de uma associação que no Porto se constituiu em 1901, para recolher por todo o país contribuições individuais de um vintém (20 réis) e assim, reunir fundos destinados à instrução e educação das classes menos privilegiadas, oferecendo escolas gratuitas, bolsas escolares e, refeições em cantinas e creches. A Comissão diretora central era constituída por Francisco Gomes da Silva (presidente), Filipe da Mata (vice-presidente) e Heliodoro Salgado, entre outros.

Estes princípios estavam de acordo com o pensamento republicano que pugnava pela laicização do ensino e até a Maçonaria reclamou a sua participação neste movimento benemérito.

A primeira missão do Vintém das Escolas foi fundada em Lisboa, por Feio Terenas e incluiu, a partir de 1 de Julho de 1902, um periódico com o mesmo nome (1902 – 1905) e a frase «Beneficência, Instrução, Educação Cívica» estampada no cabeçalho, sendo o produto da sua venda – um vintém por exemplar – destinando ao fundo de «Propaganda do Ensino Liceal». O Editor do jornal era João Augusto de Oliveira Marques e as palavras de ordem do jornal e do instituto eram “Moralizemos, educando; formemos os cidadãos livres, instruindo. Instrução! Liberdade! Progresso!”, contando com as colaborações de Ana de Castro Osório, Borges Grainha e Bernardino Machado, entre muitos. O próprio Feio Terenas defendeu nele a educação cívica clamando que “o fim da instrução cívica não é somente levar ao espírito dos alunos um certo número de conhecimentos positivos. O que principalmente convém nos domínios de tão útil instrução, é dispor-lhe a alma para amarmos a liberdade, a pátria e respeitar a lei” e, logo no Editorial do nº 1º delineou as ideias que prosseguiam: “Escola contra Escola. Ao ensino congregacionista desejamos opor o ensino secular, à educação clerical a educação cívica. Não somos contra a religião; somos contra o clericalismo que, alterando a doutrina de Jesus, perturba a harmonia social […] Serão bem-vindos todos quantos queriam auxiliar-nos neste nosso trabalho de abnegação e civismo que sujeitamos a esta simples fórmula geral: – “instrução rigorosamente gratuita, puramente laical”.

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4 thoughts on “Um Vintém pela Escola Laica numa Travessa e num Beco

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