O criador do Zé Povinho num Largo do Carmo e da Trindade

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Fotografia de Bobone, na “Ilustração Portuguesa” de 30.01.1905

Num Largo que faz a ligação do Carmo à Trindade e ao Chiado, antes chamado de Largo da Abegoaria, por Edital municipal de 11/02/1915, ficou perpetuado Rafael Bordalo Pinheiro, com direito a uma placa cerâmica, de tipo florão, para desde logo evocar o seu lado de ceramista mas também porque foi no nº 28 deste arruamento que Rafael Bordalo Pinheiro viveu e acabou por falecer. 

Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro (Lisboa/21.03.1846-23.01.1905/Lisboa) era o seu nome completo e, se ficou muito conhecido como o criador do Zé Povinho, ele abarcou também o desenho, a ilustração, a caricatura e a cerâmica.

Desenhou para álbuns de senhoras, foi autor de capas e de centenas de ilustrações em livros e, criou caricaturas em periódicos humoristas sendo em 1875, no jornal Lanterna Mágica que fez nascer a figura do Zé Povinho, que atingiu um valor simbólico de representação do povo português, como a eterna e alegre vítima da política (“a grande porca” nas caricaturas de Bordalo Pinheiro) e das instituições. Nesse mesmo ano, Bordalo que já publicara cinco periódicos embarcou para o Brasil, contratado para O Mosquito e, em Setembro de 1877 fundou o semanário Psit!!! e depois, O Besouro. Regressou a Lisboa em 1879 e, com o jornalista Guilherme de Azevedo, fundou O António Maria (1879-1885 e 1891-1898). Publicou O Álbum das Glórias Portuguesas e foi colaborador do Illustrated London News, entre outros jornais estrangeiros. A partir de 1884 dedicou-se também à cerâmica e, tornou-se o diretor artístico da recém-formada Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde voltou a usar o Zé Povinho e produziu uma loiça de motivos naturalistas e populares, como as suas terrinas e pratos de couve ou as galinhas e as andorinhas. Em 1899 empenhou-se mais a idealizar grandes peças, como a Talha Manuelina ou a Jarra Beethoven e, nos últimos anos da sua vida realizou as pequenas figuras de carácter popular. Em 1900 fez surgir o seu último jornal, A Paródia.

No conjunto da sua obra destaca-se a atenção critica que prestou à sua época, caracterizada pela crise da Monarquia, tornando-a uma crónica humorística das vicissitudes e misérias do povo português e, a sua ligação ao teatro, ele que sonhou ser ator, pela sua vasta produção de cenários, figurinos e pelas centenas de caricaturas de gente do espetáculo.

Em Lisboa, Rafael Bordalo Pinheiro tem ainda um Museu que lhe é dedicado, espaço que nasceu por encomenda do poeta republicano Cruz Magalhães que o inaugurou em 1916 e, depois o legou à Câmara Municipal de Lisboa.

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