Sobre a nudez forte de Joaquim Pedro Quintela, o manto diáfano do Largo do Barão de Quintela no aniversário do Bairro Alto

Largo do Barão de Quintela

Freguesia da Misericórdia                                                             (Foto: Artur Matos)

Hoje que é o Dia do Bairro Alto, por comemorar 499 anos, falamos sobre o largo nascido na confluência da Rua do Alecrim e da Rua das Flores, que adquiriu o nome do proprietário do Palácio fronteiro, que ocupa os números 56 a 72 da Rua do Alecrim (que era então Rua do Conde), o Barão de Quintela, de seu nome Joaquim Pedro Quintela.

No início do séc. XVI estes terrenos eram da Câmara Municipal de Lisboa que em 1521 os aforou a D. Jorge Melo e, depois a vários sucessivamente, até que em 1777 o desembargador Luiz Rebelo Quintela comprou os terrenos e, ergueu um Palácio, entre 1781 e 1782, segundo o risco do padre Bartolomeu Quintela. O seu sobrinho, o 1º Barão de Quintela, Joaquim Pedro Quintela melhorou e ampliou-o e, segundo Norberto Araújo, foi o 1º Barão, que mandou “terraplanar e construir (…) em 1788” o largo, “ que para tal comprou uns casebres aqui existentes, entre as Ruas das Flores e do Conde”.

Joaquim Pedro Quintela (Lisboa/20.08.1748 – 01.10.1817/Lisboa) era um próspero negociante da praça de Lisboa e abastado proprietário que em 1801 criou o Morgado da Herdade de Farrobo, em Vila Franca de Xira. Fidalgo da casa real desde 6 de maio de 1795, recebeu também o título de Barão de Quintela, por decreto datado de 17 de setembro de 1805 e, foi membro do Conselho da Rainha D. Maria I, conselheiro da Fazenda honorário, senhor da Vila de Préstimo em Aveiro (1802) e, alcaide-mor de Sortelha (1802). O 2º Barão de Quintela (Lisboa/11.12.1801 – 24.09.1869/Lisboa) que igualmente se chamou Joaquim Pedro Quintela como o seu pai, era também Conde de Farrobo e,  ganhou  fama por ser um dos lisboetas que no século XIX promovia concertos privados em sua casa, no Palácio das Laranjeiras e teatro na Herdade do Farrobo, reunindo profissionais e amadores e, tal como o Conde de Burnay detinha o monopólio da indústria dos tabacos.

Refira-se ainda que foi no Palácio do Barão de Quintela que Junot se instalou durante 9 meses quando em 29 de novembro de 1807 a Família Real partiu para o Brasil e, que em 1969 nele se instalou o IADE- Instituto de Artes Visuais e Design.

Neste Largo do Barão de Quintela, foi erigido o monumento a Eça de Queirós, produzido por Teixeira Lopes e, inaugurado em 1903, em que a figura do escritor ampara a Verdade e integra a epígrafe “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia” retirada do romance queirosiano A Relíquia, publicado em folhetins em 1887, na portuense Gazeta de Notícias.

Placa Tipo II (Foto: Artur Matos)

                                                         Placa Tipo II
                                                   (Foto: Artur Matos)

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