Augusto de Castro, duas vezes diretor do Diário de Notícias

avenida dr augusto de castro - placa

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Três dias após o seu falecimento, Augusto de Castro deu o seu nome à Avenida Central da Malha I de Chelas ( também designada nas plantas municipais por Rua O), pelo Edital de 27/07/1971, com a legenda «Escritor e diplomata/ 1883-1971» e, hoje é o arruamento que liga a Avenida Marechal Gomes da Costa à Rua Salgueiro Maia.

Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto/11.01.1883 – 24.07.1971/Estoril) foi um advogado, político, jornalista, diplomata e dramaturgo que por duas vezes assumiu o cargo de Diretor do Diário de Notícias , de 1919 a 1924 e, também no  longo período de 1939 a 1971.

Em 1919, o Diário de Notícias foi vendido pela família proprietária à empresa moageira Companhia Industrial de Portugal e Colónias, passando a sociedade anónima e, Augusto de Castro que fora intermediário no negócio assumiu a direção do jornal e, passou a defender abertamente os interesses da companhia proprietária, abrindo-se também aos setores políticos, económicos e militares que viriam a tomar o poder em 1926, altura a partir da qual o Diário de Notícias era considerado, entre os diários portugueses de maior tiragem, o que mais fielmente reflectia as orientações governamentais. Saiu da direcção do jornal para ir em missão diplomática para Londres e regressou 15 anos depois, para logo no ano seguinte (1940) inaugurar as novas instalações do periódico que saiu do Bairro Alto, da Rua do Diário de Notícias para as novas instalações na Avenida da Liberdade, um projecto do Arqº Pardal Monteiro e o primeiro feito de raiz para um jornal português.

Licenciado em 1903 Augusto de Castro começou por exercer advocacia na sua cidade natal  mas, em simultâneo, iniciou a actividade de jornalista logo em 25 de maio desse ano como diretor  do diário A Província, passando depois pelos vespertinos Folha da Noite (1904-1905) e A Noite (1939). Foi ainda redator-principal do  Jornal do Comércio  (1907-1909) e cronista de O Século, com a secção «Fumo do meu cigarro».

Como político iniciou uma carreira nos anos finais da Monarquia Constitucional que se estendeu até ao Estado Novo. Sintonizado com o regime do Estado Novo foi deputado da Assembleia Nacional nas Legislaturas II, III, VI, VII, VIII, IX, X (de 1938 a 1973, com o interregno entre a III e a VI) e ganhou notoriedade como comissário-geral da Exposição do Mundo Português de 1940 e, em 1971 foi nomeado pelo Governo para presidir à Comissão Nacional das Comemorações do IV Centenário da publicação de Os Lusíadas.

Enquanto diplomata exerceu funções de embaixador em Londres (1924), no Vaticano (1924-1929), em Bruxelas (1929-1931; 1935-1938), em Roma (1931-1935) e, em Paris (1945-1947), bem como de embaixador extraordinário do governo português à Assembleia Geral da ONU (1948) e representante de Portugal nas conferências sobre o Plano Marshal (1948-1949). Para Augusto de Castro, o exemplo máximo da universalidade e grandeza europeias era a cidade de Roma, na época do Fascismo e de Mussolini, pelos quais nutria admiração.

Augusto de Castro foi ainda membro do Conselho de Administração das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (1953)  e do Conselho de Administração da Companhia Angolana de Agricultura.

Membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia Internacional de Cultura Portuguesa e da Academia das Ciências, Augusto de Castro foi também escritor, sobretudo um dramaturgo, destacando-se as suas peças Caminho perdido (1906), A Culpa (1918) e, as comédias Amor à antiga ( 1907), Chá das cinco (1909) ou As Nossas Amantes (1912), embora também tenha publicado as novelas O Amor e o Tempo (1955), As mulheres e as cidades (1958) e, os ensaios Imagens da Europa vistas da minha janela (1936),  A exposição do mundo português e a sua finalidade nacional (1940), A Crise Internacional e a Política Externa Portuguesa (1949), Garrett e o teatro português (1955), Subsídios para a História da Política Externa Portuguesa durante a Guerra (1958).

augusto de castro DN em 1968

Augusto de Castro em 1968 ( Foto do Arquivo Municipal de Lisboa)