O Tendeiro das 4 artérias

Largo de Domingos Tendeiro 1966 Fernandes, Augusto de Jesus

Largo de Domingos Tendeiro em 1966        ( Foto: Augusto de Jesus Fernandes,  Arquivo Municipal de Lisboa)

O senhor Domingos Alves (ou Álvares) estabeleceu-se no século XVIII, como tendeiro ou, numa linguagem mais moderna, como comerciante, na zona da Alcolena e, a sua memória perdura até aos nossos dias em quatro artérias do local: um Beco, um Largo, uma Rua e uma Travessa.

Primeiro ficou Domingos Tendeiro perpetuado pela memória popular na Rua que Filipe Folque ao fazer o levantamento da cidade Lisboa a meio do século XIX designou como “azinhaga do Domingos Tendeiro”. E depois, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu fixar nas redondezas um Largo, uma Travessa e um Beco a Domingos Tendeiro, pelo Edital de 22 de Agosto de 1917. Ainda mais tarde, um parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 15 de Junho de 1955 decidiu acrescentar a partícula “de” aos quatro topónimos para não restarem equívocos de que o tendeiro Domingos ali tinha mesmo vivido e trabalhado.

E foi Luís Pastor de Macedo, ao  citar Mário de Sampaio Ribeiro no Comércio da Ajuda (de 5 de Janeiro de 1935) no volume III da sua Lisboa de Lés a Lés que o revelou à posteridade:        «Quantas vezes, ao passar lá não haveis perguntado mentalmente: quem diabo teria sido este Domingos que ninguém se lembra dele? Pois foi o sr. Domingos Alves, ou Álvares, e já ali morava e estava estabelecido em 1759. Há nesta rua (aliás travessa) uma loja de carvoeiro onde ainda se podem ver bons azulejos setecentistas dos chamados de figura avulsa. Suponho que essas faianças são tudo o que resta do famoso estabelecimento do popular tendeiro».

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Freguesia de Santa Maria de Belém – futura Freguesia de Belém