A Rua Garrett e o Chiado

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Quando em 25 de Agosto de 1988 ardia o Chiado, os repórteres de som e imagem acorreram sobretudo à Rua Garrett, a das Livrarias Sá da Costa e Bertrand, d’A Brasileira do Chiado e da Leitaria Garrett, para dar notícia da ocorrência, muito por causa desta artéria se confundir com o Chiado.

A meio do século XIX, ainda o Governo Civil tinha a incumbência da denominação dos arruamentos decidiu este que as Ruas do Chiado e Portas de Santa Catarina passassem a ter a denominação única de Rua do Chiado (Edital de 01/09/1859) e, só passados 21 anos passou a Rua Garrett, conforme o Edital municipal de 14 de Junho de 1880: « José Gregorio da Rosa Araujo, Presidente da Camara Municipal de Lisboa Faço saber que a mesma câmara, na sessão de 7 do corrente mez, em virtude da atribuição que lhes confere o nº 28 do artigo 103º do  código administrativo, resolveu: 1º – que a rua do Chiado, em todo o seu prolongamento até à Praça de Luiz de Camões, passe a denominar-se ==Rua Garret».

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto/04.02.1799 – 09.12.1854/Lisboa), cujo 214º aniversário se comemora na próxima 2ª feira, recebeu da sua origem irlandesa o apelido “Garet” e alterou-lhe a grafia na assinatura, para “Garrett”, com o objectivo de que as pessoas pronunciassem correctamente o seu nome como “Garrete”.

Almeida Garrett, enquanto escritor, inaugurou o romantismo em Portugal com os poemas «Camões» (1825) e «Dona Branca» (1826) e exprimiu também lirismo confessional em «Folhas Caídas» (1853), para além de ser o autor da tragédia «Frei Luís de Sousa» (1844), considerada a obra mais brilhante do teatro romântico e, ter renovado a prosa portuguesa com «Viagens na Minha Terra» (1846).

Como político, viveu alguns anos exilado em Inglaterra e França por ser liberal (1823 a 1826, 1828-1832), e foi depois várias vezes deputado após 1837, par do reino (1851) e ministro dos Negócios Estrangeiros (1852), tendo sido agraciado por D. Pedro V com o título de visconde em 25 de Junho de 1854. Já que era licenciado em Direito (1821) foi também cônsul-geral na Bélgica (1833-36). Aliás é enquanto deputado que Garrett foi o criador do Conservatório de Arte Dramática, do Teatro Nacional, da Inspecção-Geral dos Teatros e, do Panteão Nacional.

Almeida Garrett também fundou e dirigiu diversos jornais como o diário O Português (1826), o semanário O Cronista (1827) e o Regeneração (1851). Em Lisboa, morou no Bairro Alto, na Rua da Barroca e, em Campo de Ourique, na Rua Saraiva de Carvalho.

Garrett placa janela

Placa Tipo II
(Foto: Artur Matos)

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