A Rainha do Congo em Lisboa

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Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Pelo edital municipal de 8 de fevereiro de 1949 foram denominados os arruamentos do Bairro do Caramão da Ajuda com toponímia numérica, como na época se usava fazer para os bairros sociais mas 40 anos mais tarde, pelo edital de 18 de dezembro de 1989, foi a Rua 9 crismada como Rua Rainha do Congo e a legenda «Figura Popular».

Este topónimo e mais outros dez resultaram de uma resolução da Comissão Municipal de Toponímia que recuperou figuras populares e tradicionais para a toponímia da zona ocidental de Lisboa e, que o edital fixou na toponímia desse Bairro da Ajuda, e de que são exemplo a Rua da Preta Constança (Figura Popular da Ajuda) na Rua 3 ,  a Rua Rainha das Ilhas das Cobras (Figura Popular) na Rua 7, a Rua José Maria Preto (Barbeiro Popular) na Rua 11  ou a Rua dos Vaga-Lumes na Rua 4.

A Rainha do Congo era Maria Amália I, que no último quartel do século XIX se instalou em Lisboa, na Travessa do Outeiro, perto da Rua da Bela Vista à Lapa e do Jardim da Estrela e aí também organizava festas e bailes como, por exemplo se pode ser nos dizeres do cartaz da sua coroação: «Grande Sucesso/Domingo, 17 de Setembro de 1882/Assombrosa Festa/na Travessa do Outeiro à Rua da Bella Vista à Lapa/Acclamação e Coroação/da Nova Rainha do Congo, Maria Amália 1ª/Grande festa da côrte do Congo».

Narra Luiz Silveira Botelho (em A Mulher na Toponímia de Lisboa) que «A  comitiva régia compunha-se de cozinheiro, secretário particular e de seis altos dignitários da corte, acompanhados das repectivas consortes. A Casa, desde que nela se alojou a Rainha e a sua comitiva, estava situada na Travessa do Outeiro, à Rua da Bela Vista à Lapa, e como as despesas com a viagem foram grandes e o passadio em Lisboa era dispendioso, organizou uma festa régia, com entradas pagas e a concessão, pela Rainha, de mercês honoríficas a quem provasse ser filho da sua gente, mediante espórtula grande e que o diploma desenhado por Manuel de Macedo fosse pago por bom preço.»

E de acordo com a biografia desta Rainha elaborada por João Jardim de Vilhena, ela acabou por renunciar ao trono e abalar com um rico lavrador para o Alentejo, tendo   com ele casado e gerado numerosa prole no monte de Évora onde viveu até aos 82 anos.

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Freguesia da Ajuda (Foto: José Carlos Batista)

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2 thoughts on “A Rainha do Congo em Lisboa

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