A Rua Direita do Beato António

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Freguesia do Beato                                                                                                                                                                   (Foto: Sérgio Dias|NT do DPC)

A Rua do Beato homenageia Frei António da Conceição (1520 – 1602), que ficou conhecido como Beato António e foi o responsável pela construção do novo Convento de S. Bento de Xabregas, da Congregação dos Lóios, no tempo de Filipe I. Terá sido tão importante o seu papel que o próprio edifício ficou conhecido pelo nome de quem dirigiu a obra, Convento do Beato, tal como sucede com a Alameda do Beato, a Travessa da Alameda do Beato, a Travessa do Olival ao Beato e até a própria denominação da Freguesia onde se insere.

Esta artéria era a Rua Direita do Beato até o Edital de 8 de Junho de 1889 ter retirado o qualificativo “direita” a 16 arruamentos de Lisboa e assim permaneceu até aos nossos dias. Passados 5 meses, em 7 de Novembro de 1889, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou delimitar esta artéria da seguinte forma: começa no Largo do Beato (denominação vulgar para a Alameda do Beato) e termina em frente do 3ª cais ou ponte que dá para o mar, vindo do Largo de D. Gastão para o nascente. Hoje em dia tem início na Rua do Açúcar (que também foi Rua Direita do Açúcar) e termina na Alameda do Beato. O arruamento também faz a fronteira entre as freguesias de Marvila e do Beato, sendo os nºs 1 a 17 e 2 a 32 da primeira freguesia e, os restantes números pares e ímpares da Freguesia do Beato.

Desde o séc. XV que existia no local uma Ermida de S. Bento, propriedade dos frades de Alcobaça. Em 1461, D. Afonso V, para dar execução ao testamento da sua falecida esposa mandou construir no local um hospício-convento que entregou aos religiosos de Vilar de Frades, da Congregação dos Lóios. Mais tarde, Frei António da Conceição, oriundo do Convento dos Lóios de Évora dirigiu a construção de um sumptuoso convento sobre o primitivo edificado e, após falecer ganhou estatuto de homem santo, vindo mesmo a ser beatificado e tomando o convento, assim como o sítio, o nome de Beato António.

O convento não foi atingido pelo terramoto de 1755 e, com a extinção das ordens religiosas em 1834, o templo foi convertido em hospital, embora tenha ardido pouco depois. Foi após esse incêndio de 1840 adquirido pelo industrial João de Brito, que aí montou um armazém de vinhos, uma oficina de carpintaria e tanoaria e, uma fábrica de moagem a vapor que a partir de 1849 a Rainha D. Maria II autorizou que usasse a marca «A Nacional».

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