A Rua da Voz do Operário

Rua da Voz do Operário

nas Freguesias de São Vicente de Fora e da Graça – na futura Freguesia de São Vicente

Este arruamento aberto na antiga Quinta da Abelha, nos princípios do último quartel do séc. XIX teve o nome Rua da Infância (por deliberação camarária de 22/11/1880) e, dois anos depois de A Voz do Operário ter aqui a sua sede passou a denominar-se Rua Voz do Operário (Edital de 11/02/1915).

Segundo o olisipógrafo Vieira da Silva, em 1877, foi inaugurado no n.º 19 desta rua o Asilo de S. Vicente, uma das casas da Sociedade das Casas de Asilo da Infância Desvalida e daqui terá nascido a ideia para o topónimo Rua da Infância. Quando a vereação republicana lhe alterou o nome foi no intuito de consagrar a Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário que desde 1913 estava sediada nesta artéria, com honras do próprio Presidente da República ter lançado a 1ª pedra.

A Sociedade «Voz do Operário» foi fundada em 11 de Outubro de 1879 para publicar um semanário com aquele título para dar voz aos muitos operários tabaqueiros e, tinha a sua sede no Beco dos Fróis. O operário tabaqueiro Custódio Gomes foi quem lançou a ideia do jornal da sua classe, mas foi outro operário, também tabaqueiro, Custódio Brás Pacheco de seu nome, o verdadeiro impulsionador da instituição e que levou a que em 13 de Fevereiro de 1883 nascesse a Sociedade Cooperativa A Voz do Operário em cujos estatutos se definia «sustentar a publicação do periódico A Voz do Operário, órgão dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo político (…) estabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa económica e tudo quanto, em harmonia com a índole das sociedades desta natureza, e com as circunstâncias do cofre, possa concorrer para a instrução e bem estar da classe trabalhadora em geral e dos sócios em particular». Em Julho de 1887 mudaram-se para a Calçada de São Vicente, com 1.114 sócios, nem todos operários tabaqueiros, o que obrigou a uma revisão dos estatutos, no ano de 1889, que viriam a ser aprovados no ano seguinte, convertendo-se a Sociedade Cooperativa em Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário e, transitando em 1896 para o Largo do Outeirinho da Amendoeira.

Mas a Sociedade continuava a desenvolver-se e, em 1906, é feita a proposta ao Governo de cedência de uma parcela de terreno da designada Cerca da Mónicas para a construção de um edifício de raiz onde pudessem ser instaladas as escolas e os serviços de A Voz do Operário, sendo João Franco, então chefe de um Governo contestado e considerado ditatorial que, por decreto de 29/05/1907, concedeu o espaço pretendido. Mas só em outubro de 1912, com a presença do próprio Presidente da República, Manuel de Arriaga, foi lançada a primeira pedra de construção da sede de A Voz do Operário, com a sua escola central, secretaria, biblioteca, serviços de assistência e sala de conferências que em 1925, foi considerada instituição de utilidade pública.

Rua da Voz do Operário placa

Placa Tipo II

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