Teófilo Braga, o Doutor Presidente da República

Placa Tipo II

Placa Tipo II – Freguesia da Estrela
(Foto: Artur Matos)

Completam-se hoje 170 anos do nascimento de Teófilo Braga, escritor, catedrático de Literaturas Modernas e Presidente da República em 1915, que desde há 87 anos dá nome a um arruamento junto à Calçada da Estrela.

A vereação republicana de Lisboa procurou na toponímia da cidade substituir as referências à monarquia e à igreja por figuras e valores republicanos, sendo neste âmbito que dois anos após o falecimento de Teófilo Braga foi este consagrado na antiga Travessa de Santa Gertrudes. O Edital de 25 de Fevereiro de 1926 que dá existência oficial ao topónimo refere: “Faço saber que o Senado Municipal, em sessão extraordinária de 30 de Dezembro próximo findo, prestando homenagem ao eminente sábio e grande investigador que foi o ilustre homem de letras Dr. Teófilo Braga, que escreveu a primeira história da literatura portuguesa, resolveu dar à Travessa de Santa Gertrudes, onde aquele venerando democrata residiu a maior parte da sua vida e ali faleceu, a denominação de: Rua do Dr. Teófilo Braga – Investigador da Literatura Portugueza – Século XX.”

De seu nome completo Joaquim Teófilo Fernandes Braga (Ponta Delgada/24.02.1843 – 28.01.1924/Lisboa) começou bastante cedo a trabalhar na tipografia do jornal A Ilha e colaborou nos jornais O Meteoro e O Santelmo. Em 1861, veio para o continente com uma pequena mesada que o pai lhe atribuiu e, graças a alguns trabalhos de tradutor, explicações, artigos e poemas que escrevia, conseguiu tirar o curso de Direito na Universidade de Coimbra, onde foi contemporâneo de Antero de Quental.

A sua importante obra literária – um legado de mais de 360 trabalhos publicados – versou sobretudo a literatura, os costumes e tradições orais, patentes em Cancioneiro Popular (1867), História da Poesia Popular Portuguesa (1867), História da Literatura Portuguesa (1870), História do Teatro Português (1870-1871), Manual da História da Literatura Portuguesa (1875), Os Contos Tradicionais do Povo Português (1883), O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições (1885),ou os 4 volumes da História da Literatura Portuguesa (1909-1918), e no campo doutrinário Traços gerais da Filosofia Positiva (1877) e a sua História das Ideias Republicanas em Portugal. Foi também autor de edições críticas sobre várias obras clássicas da literatura portuguesa e um dos introdutores e principal divulgador em Portugal do positivismo, corrente filosófica por excelência do republicanismo. Também fundou e dirigiu, desde 1878, com Júlio de Matos, a revista O Positivismo, bem como as revistas A Era Nova (1880) e a Revista de Estudos Livres, a partir de 1884, mas desta vez em parceria com Teixeira Bastos. Organizou e coordenou também as comemorações do Tricentenário de Camões, em 1880, com Ramalho Ortigão.

Como político, Teófilo Braga foi um dos subscritores das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense (1871) e, assumiu os cargos de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (de 1886 a 1890) e, de membro do Diretório do Partido Republicano Português (desde 1890), do qual era presidente aquando da implantação da República, pelo que apesar de eleito Deputado por Lisboa nas eleições de 28 de Agosto de 1910 foi o nomeado para presidir ao primeiro Governo Provisório saído da revolução de 5 de Outubro de 1910, sendo no seu governo que foram escolhidos a Bandeira Nacional (29 de Novembro de 1910) e A Portuguesa como Hino Nacional. Após a aprovação da Constituição foi deputado e, a 29 de Maio de 1915, passou a ser Presidente da República, até 4 de Agosto do mesmo ano.

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