A Rua Sargento José Paulo dos Santos e a Guerra Colonial

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

Após o eclodir da guerra colonial em Angola, em Fevereiro de 1961, as atribuições toponímicas da cidade de Lisboa nessa década passaram também a consagrar os militares mortos «ao serviço da pátria», na zona norte dos Olivais, enquanto na zona sul dos Olivais se fixavam os nomes de povoações da Guiné, de Angola e de Moçambique.

E, é neste contexto que o Sargento José Paulo dos Santos, como refere a legenda «Morto em Angola ao Serviço da Pátria – 1963» passou a dar o seu nome à Rua G da Zona dos Olivais Norte, pelo Edital de 26/11/1964, que também fixou o Furriel João Nunes Redondo, na Rua F do mesmo local com a legenda «Morto na Guiné ao serviço da Pátria – 1963».

Na acta da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 16/11/1964, esclarece-se que « (…) A Comissão dirigiu-se à zona dos Olivais, para, de harmonia com a resolução tomada na primeira sessão desta reunião, emitir parecer sobre a denominação dos seus arruamentos e designar as artérias a que devem ser atribuídos os nomes do sargento José Paulo dos Santos e do furriel miliciano João Nunes Redondo, mortos ao serviço da Pátria nas províncias ultramarinas de Angola e da Guiné, respectivamente.»

O primeiro Edital desta natureza data de 13/02/1963 e perpetua em ruas da zona de Olivais Norte o Alferes Barrilaro Ruas, o General Silva Freire, o 1º Cabo José Martins Silvestre e, o Sargento Armando Monteiro Ferreira, todos mortos em Angola em 1961. Passados 7 meses, o Edital de 09/09/1963, consagra dois militares mortos na Índia em 1961, em Damão e Dio, o Capitão Santiago de Carvalho e o Capitão Tenente Oliveira e Carmo.

Este processo de atribuições iniciou-se em 1962, conforme está explicado na Acta da Reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 18 /01/1963:

« Por último, a Comissão ocupou-se do processo nº 21 675/62, originado pelo oficio nº 171 da Presidência da Excelentíssima Câmara, de 29 de Junho do ano findo, e oficio nº 215/S – Processo 9.0, do Gabinete do Ministro do Exército, de 5 do mesmo ano, remetendo elementos respeitantes às biografias de militares do Exército falecidos na província de Angola, ao serviço da Pátria, a fim dos seus nomes serem atribuídos a arruamentos da Zona dos Olivais. Depois de várias trocas de impressões a Comissão foi de parecer que o nome do general Silva Freire denomine as ruas C e D do Bairro dos Olivais – Norte; dos dois alferes indicados a folhas 7 e 8 do processo, a Comissão opta pelo nome do Alferes Barrilaro Ruas por ter morrido primeiro e que denominará a Rua D1 do mesmo Bairro; que o nome do Sargento Armando Monteiro Ferreira denomine a Rua D 11, e que por analogia de critério à Rua B seja atribuído o nome do primeiro Cabo José Martins Silvestre, o primeiro dos quatro cabos indicados que morreu ao serviço da Pátria. Quanto às demais patentes e posto que nenhuma indicação foi fornecida pelo Ministério do Exército e do processo instrutor também não constam os nomes dos dois civis, conforme fora solicitado pelo oficio nº 171, acima referido, pelo que a Comissão sugere que, quanto aos últimos, seja consultado o Ministério do Ultramar.» 

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