Há mar e mar, há O’Neill e voltar

Placa Tipo II

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Pouco mais de dois meses após o seu falecimento foi o poeta e criador do slogan “Há mar e mar, há ir e voltar” perpetuado numa rua de Lisboa, pelo Edital de 03/11/1986.

O arruamento nasceu como Rua A à Quinta do Almargem na Junqueira ou à Rua Pinto Ferreira até que o Edital de 31/05/1949 a crismou como Travessa Pinto Ferreira e, uns 37 anos depois, o Edital de 8 de julho de 1986 a tornou em Rua Cordeiro Ferreira para passados uns 4 meses a fixar, finalmente, como Rua Alexandre O’Neill, em resultado de uma proposta do Vereador Comandante Pinto Machado, que então presidia à Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, apresentada em sessão de câmara e aprovada por unanimidade.

O alfacinha Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões (Lisboa/19.12.1924 – 21.08.1986/Lisboa) que fazia da publicidade ganha-pão e nos deixou slogans ainda hoje na nossa memória como “Há mar e mar, há ir e voltar” e “Bosh é bom” , também se empenhava na poesia, afirmando mesmo que «Vivo dos poemas e sobrevivo da publlicidade».

Com sede na Pastelaria Mexicana , Alexandre O’Neill foi um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, em 1948, com Mário Cesariny, José-Augusto França, Fernando Azevedo, António Pedro e Vespeira, entre outros e que se diluiu na década seguinte. O’Neill havia recebido prémios literários no Colégio Valsassinae aos dezassete anos, publicou os primeiros versos num jornal de Amarante, o Flor do Tâmega. Depois, como surrealista publicou o poema gráfico A Ampola Miraculosa (1948), a que se seguirama poesia de Tempo de Fantasmas (1951), No Reino da Dinamarca (1958), Abandono Vigiado (1960), Poemas com Endereço (1962), Feira Cabisbaixa, (1965), De Ombro na Ombreira (1969), Entre a Cortina e a Vidraça (1972), A Saca de Orelhas (1979), As Horas já de Números Vestidas (1981) e a prosa de As Andorinhas não têm Restaurante (1970) e Uma Coisa em Forma de Assim (1980), em todos cultivando a sátira entre a constatação do absurdo da vida e o humor como única forma de se lhe opor. Em 1982, recebeu o Prémio da Associação dos Críticos Literários e, em 1990 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, a título póstumo.

E ainda nas escrita, O’Neill escreveu em jornais a partir de 1957 (Diário de Lisboa, A Capital e Jornal de Letras), integrou a redação da revista Almanaque (1959-1961), assinou críticas de televisão sob o pseudónimo de A. Jazente, fez a letra de Gaivota para a música de Alain Oulman e a voz de Amália, foi guionista de filmes – Dom Roberto (1962), Pássaros de Asas Cortadas (1963), Sete Balas para Selma (1967), Águas Vivas (1969), A Grande Roda (1970), Nós por cá todos bem (1978)- e de séries de televisão Schweik na Segunda Guerra Mundial (1975), Cantigamente (1976), Ninguém (1979) e Lisboa (1979). Traduziu Nora Mitrani, Maiakovski, Dostoievski, Bertolt Brecht e Alfred Jarry, para além de ter produzido antologias de Gomes Leal (1959), Teixeira de Pascoaes (1962), Carl Sandburg (1962), João Cabral de Melo Neto (1963), Vinicius de Moraes (1969) e de poesia portuguesa contemporânea para a Secretaria de Estado da Cultura.

Viveu em Lisboa e residiu a maior parte da sua vida na zona do Príncipe Real, na sua casa da Rua Escola Politécnica.

A Rua Alexandre O'Neill na Freguesia da Ajuda

A Rua Alexandre O’Neill na Freguesia da Ajuda

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