A rua lisboeta da primeira mulher que votou em Portugal

Placa Tipo V

Placa Tipo V

Assinalamos hoje o Dia da Mulher com a Rua Carolina Ângelo, que evoca a primeira mulher que conseguiu exercer o direito de voto no nosso país, nas eleições da Assembleia Constituinte (equivalente às atuais Legislativas), aproveitando o facto de ser viúva e mãe e a lei então em vigor permitir o voto aos chefes de família, maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever pelo que requereu a sua inscrição como eleitora e ganhou o processo em Tribunal. momento da sua votação, no dia 28 de Maio de 1911,apareceu nas primeiras páginas dos jornais da época e Joshua Benoliel fixou-o para Ilustração Portuguesa.

A Câmara de Lisboa inscreveu-a na Rua 1 do Bairro de Caselas, 77 anos após a sua morte, pelo Edital de 20 de Abril de 1988, correspondendo a uma solicitação da Junta de Freguesia de São Francisco Xavier para serem dados topónimos aos arruamentos do Bairro de Caselas que desde 1950 possuíam apenas denominação numérica e, dos restantes 11 topónimos do mesmo edital, refira-se que 5 perpetuam mulheres, duas das quais também republicanas: Aurora de Castro e Virgínia Quaresma, a 1ª notária e a 1ª jornalista portuguesas.

Carolina Beatriz Ângelo (Guarda/16.04.1877 –02.10.1911/Lisboa)foi também a 1ª mulher que em Portugal exerceu cirurgia. Formada em 1902 pela Escola Médica de Lisboa, ano em que também contraiu matrimónio com Januário Barreto, seu primo e igualmente médico e ativista republicano, foi pioneira na prática de intervenções cirúrgicas, sob a orientação do professor Sabino Maria Teixeira Coelho e a primeira médica portuguesa que operou no hospital de S. José. Igualmente trabalhou no Hospital de Rilhafoles sob a orientação de Miguel Bombarda e acabou, tal como Adelaide Cabete, por se dedicar à especialidade de ginecologia. Segundo anúncio publicitário de 1909, o seu consultório estava instalado no nº 84 da Rua Nova de Almada e, morava no nº 181 da Rua do Sol ao Rato.

Carolina Beatriz Ângelo, que nunca equacionou a hipótese de abandonar a sua carreira médica, procurou e soube conciliar o empenho profissional com uma não menos intensa intervenção política e cívica nas causas em que acreditava, como a emancipação das mulheres e o sufrágio feminino,defendendo a participação feminina nos escrutínios nacionais como factor fulcral na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres e, usufruto de plena cidadania pelo que, além do episódio de com Adelaide Cabete ter produzido as bandeiras nacionais que foram hasteadas em Lisboa no dia 5 de Outubro de 1910, foi Vice-Presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e Presidente da Associação de Propaganda Feminista que fundou em 1911 com Ana de Castro Osório. Já antes, em 1906, Carolina Beatriz Ângelo, com outras quatro médicas – Adelaide Cabete, Domitila de Carvalho, Emília Patacho e Maria do Carmo Lopes –, aderira ao Comité Português da Agremiação francesa La Paix et le Désarmemment para les Femmes onde integrou a direcção e, logo no ano seguinte, juntou-se à ala feminina – Loja Humanidade – da Maçonaria em Portugal, com o nome simbólico de Lígia e, fez parte do quarteto de liderança deste grupo, com Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório e Maria Veleda.