A Rua Capitão Henrique Galvão

Placa Tipo II

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Capitão Henrique Galvão nasceu de um pedido da Junta de Freguesia do Alto do Pina à edilidade alfacinha para que o arruamento designado por Bairro Municipal Presidente Carmona se passasse a denominar Rua Capitão Henrique Galvão o que foi concretizado pelo Edital de 14/08/1975, substituindo-se assim o nome de um Presidente da República do Estado Novo por um militar que se celebrizou pelo assalto ao paquete Santa Maria, em 1961, como forma de protesto contra a falta de liberdade cívica e política em Portugal.

Henrique Carlos Mata Galvão (Barreiro/04.02.1895 – 25.06.1970/São Paulo- Brasil) concluiu os estudos na Escola Politécnica e seguiu a carreira militar. Como cadete apoiou  Sidónio Pais participando no golpe de 28 de Maio de 1926.  Em 1927, participou no Golpe dos Fifis contra Sinel de Cordes e Carmona, tendo sido desterrado para Angola.  Depois foi um adepto fervoroso da ditadura Salazarista, tendo até sido governador da Huíla (1929), primeiro diretor da Emissora Nacional de Radiodifusão (1934/35), responsável da secção colonial da Exposição do Mundo Português (em 1940) e deputado por Angola na Assembleia Nacional (1946 -49) . Também deixou uma vasta bibliografia sobre a vida colonial, a fauna, a zoologia e a caça africana, como Ronda de África, Outras Terras, Outras Gentes ou Da Vida e da Morte dos Bichos.

Na década de 50 do séc. XX, Henrique Galvão começou a afastar-se de Salazar e, apoiou a candidatura presidencial de Quintão Meireles (1951) para além de ter conspirado numa presumida intentona contra a ditadura, a Intentona da Rua da Assunção (1952),  pelo que foi preso pela PIDE e expulso do exército. Em 1959 conseguiu fugir do Hospital de Santa Maria (onde se encontrava hospitalizado e vigiado pela PIDE, por transferência da cadeia de Peniche) e refugiou-se na embaixada da Argentina, seguindo depois para o exílio político na Venezuela. Foi também nesse ano que publicou uma Carta Aberta a Salazar, uma apreciação invulgarmente sarcástica e poderosa sobre o ditador e o Estado Novo, que foi apreendida pela PIDE.

E com outro exilado mas no Brasil, Humberto Delgado, começa a preparar a Operação Dulcineia:  o assalto e ocupação do paquete português Santa Maria. Este paquete tinha largado a 9 de janeiro de 1961 para uma viagem regular até Miami e, Galvão embarcou clandestinamente no navio em Curaçau sendo que a bordo se encontravam os 20 elementos da DRIL -Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação,  grupo que vai assumir a responsabilidade pelo assalto. O navio levava mais de 500 passageiros, muitos norte-americanos, e 350 tripulantes. A operação começou na madrugada de 22 de janeiro, com a ocupação da ponte de comando e rebaptizando  o paquete como Santa Liberdade. Mudaram-lhe o rumo para África, com o intuito de chegar à  ilha espanhola de Fernando Pó, atacar Luanda e derrubar os governos de Lisboa e Madrid. A situação complicou-se com a chegada dos navios de guerra americanos mas chamou as atenções internacionais para a ditadura salazarista já que pela primeira vez era desviado um navio em tempo de paz e, por razões políticas, tendo as televisões e os jornais de todo o mundo divulgado o acontecimento.  Henrique Galvão acordou rumar para Recife e render-se às autoridades brasileiras ( em 3 de fevereiro), onde ficou como exilado político.

Ainda em novembro desse ano, Galvão participou na Operação Vagô, em que foi desviado um avião da TAP, da linha Casablanca-Lisboa, que sobrevoou a baixa altitude as cidades de Lisboa, Barreiro, Évora e Faro, lançando panfletos de propaganda da oposição.

Henrique Galvão foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (1934) e, postumamente, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1991), para além de ter o seu nome numa Avenida da sua terra natal e em algumas Ruas como em Agualva-Cacém, Aldeia de Juzo, Almeirim, Barcarena, Camarate, Porto, Sesimbra, , Valongo ou Vila Nova de Gaia .

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

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