Praça Paiva Couceiro

Placa Tipo II

Placa Tipo II                                                     (Foto: Sérgio Dias)

Paiva Couceiro que se notabilizou como militar nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique, como administrador colonial e como monárquico responsável pela Monarquia do Norte foi perpetuado na toponímia de Lisboa pelo Edital de  23/03/1954, naquela que era conhecida por Praça Projectada à Avenida Jacinto Nunes.

Este Edital deu nome aos arruamentos do Bairro do Vale Escuro escolhendo para o efeito vários outros militares ou figuras que em África cumpriram a política portuguesa quer por ação governativa quer por delimitação de fronteiras como Artur de Paiva, Dr. Lacerda e Almeida, Francisco Pedro Curado e Teixeira Pinto (em Ruas),  Aires de Ornelas e João de Azevedo Coutinho (em Praças), General Pereira de Eça (em Largo) e, Coronel Eduardo Galhardo e Mouzinho de Albuquerque (em Avenidas).

Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro (Lisboa/30.12.1861 – 11.02.1944) nascido lisboeta na freguesia de São Mamede, assentou praça no Regimento de Cavalaria (1879) e distinguiu-se nas campanhas militares de Angola (1889 – 1891), do Marrocos espanhol (1893) e de Moçambique (1894-95), contra as forças de Gungunhana (Ngungunyane). Foi proclamado Benemérito da Pátria em 1896 e, em 1907, regressa como Governador Geral de Angola, até 1909, tendo sido também convidado em 1915 mas recusou servir o regime republicano.

Foi deputado às Cortes onde defendeu promoções mais rápidas e melhores salários para os oficiais do exército. A partir do suicídio de Mouzinho de Albuquerque em 1902 assume-se como um novo Nuno Álvares Pereira,  puro e impoluto, pronto a salvar Portugal e enviou uma respeitosa petição às Cortes, insurgindo-se contra a hipoteca dos rendimentos alfandegários aos credores estrangeiros do Estado, recomendando o equilíbrio orçamental e a reforma da vida política, como exigiam a nobreza e as tradições do povo português, pelo que foi transferido compulsivamente para um serviço militar em Évora até novembro de 1903. Em 1905, inscreveu-se no Partido Regenerador-Liberal e nas suas listas foi eleito deputado às Cortes para legislatura de 1906 a 1907, pelo círculo de Lisboa Oriental, ingressando nas Comissões do Ultramar, da Administração Pública e da Guerra.

Em 5 de outubro de 1910 com a sua artilharia instalada no Torel, foi o único oficial que fez fogo sobre o acampamento Republicano da Rotunda e Parque Eduardo VII. Inspirou as incursões monárquicas contra a Primeira República em 4 de outubro de 1911 (Chaves), 6 de julho de 1912 (Chaves) e 1919, altura em que presidiu à Junta Governativa da Monarquia do Norte (Porto), de 19 de janeiro a 13 de fevereiro de 1919, após o que partiu exilado para as Canárias. Aliás, a sua dedicação à causa monárquica conduziram-no por diversas vezes ao exílio, antes e depois do Estado Novo, já que por discordar da política ultramarina  de Salazar foi expulso do país em 1935 e deportado em 1937 para as Canárias, só lhe sendo permitido o regresso em 1939.

Paiva Couceiro foi alvo de diversas condecorações e homenagens, sendo cavaleiro (1890), grande oficial (1891) e comendador (1896) da Ordem da Torre e Espada, cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis (1895) e proclamado Benemérito da Pátria (1896), no mesmo ano em que  casou e, o Rei D. Carlos foi o seu padrinho de casamento.

nas Freguesias da Penha de França e de São João - futura Freguesia da Penha de França

Freguesia da Penha de França                                                           (Foto: Sérgio Dias)

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