No Dia Mundial da Poesia, a Rua António Botto

Placa Tipo II

Placa Tipo II

No Dia Mundial da Poesia recordamos um dos muitos poetas perpetuados nas placas toponímicas de Lisboa: António Botto, fixado 42 anos após o seu falecimento, por Edital de 29/08/1991, na Rua C da Urbanização do Alto do Chapeleiro, quando foram dados nomes aos arruamentos desta urbanização.

António Tomás Botto (Abrantes/1897 – 1959/Rio de Janeiro) foi um funcionário público que se distinguiu como poeta, sobretudo a partir das suas Canções de 1921, de onde extraímos o seu poema:

Venham ver a maravilha

Do seu corpo juvenil!

O sol encharca-o de luz,

E o mar, de rojos, tem rasgos

De luxúria provocante.

Avanço. Procuro olhá-lo

Mais de perto… A luz é tanta

Que tudo em volta cintila

Num clarão largo e difuso…

Anda nu – saltando e rindo,

sobre a areia da praia

Parece um astro fulgindo.

Procuro olhá-lo; – e os seus olhos,

Amedrontados, recusam,

Fixar os meus… – Entristeço…

Mas nesse lugar fugidio –

Pude ver a eternidade

Do beijo que eu não mereço…

Desde 1908 que António Botto veio viver para Lisboa com a família, para o bairro de Alfama e começou por trabalhar em algumas livrarias avançando depois para o mundo da literatura, com as coletâneas poéticas Trovas (1917), Cantigas de Saudade (1918), Cantares (1919), Canções do Sul (1920) embora seja Canções, de 1921, a sua obra mais polémica pelo carácter abertamente homossexual aquela que também o tornou mais conhecido, com várias edições revistas e acrescentadas pelo autor entre 1921 e 1932. Fernando Pessoa gostou desta obra poética, publicou a sua 2ª edição na sua efémera editora Olisipo e traduziu-a para inglês em 1930.

Entretanto, Botto conseguiu trabalho como funcionário público, começando por ser colocado em Angola em 1924, para regressar no ano seguinte para exercer funções no Governo Civil de Lisboa de onde transitará em 1937 para o Arquivo Geral de Registo Criminal e Policial, do qual será demitido, conforme o Diário do Governo de 09/11/1942, de acordo com um conceito de «falta de idoneidade moral». Mas entre 1923 e 1959, Botto publicou mais 13 livros de poesia como Motivos de Beleza (1923), Dandismo (1928), Ciúme (1934), Fátima – Poema do Mundo (1955) e Ainda Não se Escreveu (1959). Além da poesia, António Botto produziu também ficção, em obras como António (1933), Isto Sucedeu Assim (1940), Ele Que Diga se Eu Minto (1945), literatura infantil em Os Contos de António Botto (1942) e, a peça de teatro Alfama (1933), a que acresce ter colaborado com Fernando Pessoa numa Antologia de Poemas Portugueses Modernos.

Emigrou para o Brasil em Agosto de 1947, com a sua esposa de sempre Carminda Silva, depois de realizar vários recitais de poesia em Lisboa e no Porto para angariar o dinheiro necessário para a viagem e aí sobreviveu escrevendo artigos e colunas em jornais portugueses e brasileiros, participando em programas de rádio e organizando récitas de poesia até que, a 4 de março de 1959, foi atropelado por um automóvel do governo quando atravessava a Avenida Copacabana (no Rio de Janeiro) em consequência do qual acaba por falecer alguns dias mais tarde, sendo os seus restos mortais trasladados para o cemitério do Alto de São João em 1966.

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