A Avenida do oftalmologista Gama Pinto

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

No 160 º aniversário do oftalmologista Gama Pinto que se completa hoje recordamos a sua Avenida na Cidade Universitária de Lisboa, topónimo aí fixado pelo Edital de 14 de Junho de 1967.

Todo o processo começou quando o Círculo dos Amigos da Índia solicitou à edilidade alfacinha, por ofício de 15 de Junho de 1953, que Gama Pinto desse nome a um arruamento de Lisboa, preferencialmente à Rua das Taipas onde o investigador viveu cerca de 40 anos. No entanto, a Comissão Municipal de Toponímia atenta ao seu princípio de não modificar topónimos já existentes, pela modificação das referências históricas da cidade e pelo prejuízo causado aos munícipes, foi de parecer «que se mantenha o nome da referida rua, e que o nome do Doutor Gama Pinto seja atribuído a um dos novos arruamentos junto ao Hospital Escolar.» Mais tarde, na sua reunião de 22 de Abril de 1954, emitiu o parecer de que «o nome do doutor António Ribeiro dos Santos denomine a Avenida A do plano de arruamentos dos terrenos da cidade universitária. Foi ainda de parecer que à Rua J seja atribuído o nome do doutor Gama Pinto, e bem assim, que o nome do grande benemérito Lopes do Rego denomine a Avenida F do referido plano» embora este processo termine com a Comissão na sua reunião de 5 de Junho de 1967 a indicar a Avenida F da Cidade Universitária, para o efeito, o que veio a ser formalizado pelo  Edital de 14 de Junho de 1967.

O homenageado é Caetano António da Gama Pinto (Goa/30.04.1853 – 26.07.1945/Lisboa), que após concluir o seu curso na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1878, foi estagiar para Paris, Alemanha e Viena de Áustria e, se tornou um conhecido médico oftalmologista e professor universitário com vasta obra publicada. O Professor Gama Pinto foi professor na Escola Médica de Nova Goa ( a  partir de 1880) e ensinou Oftalmologia na Universidade de Heidelberg ( desde 1886). Depois, fixou-se em Lisboa em 1892 onde começou o Instituto Oftalmológico que tem o seu nome.

na Freguesia Do Campo Grande – futura Freguesia de Alvalade

na Freguesia Do Campo Grande – futura Freguesia de Alvalade

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A dança toponímica do Campo Grande

Placa Tipo II

Placa Tipo II

O local que hoje veste o topónimo de Campo Grande mudou várias vezes de nome numa dança toponímica que em grande medida acompanhou as transformações políticas do país.

Antes era chamado Campo de Alvalade e foi o sítio escolhido para picadeiro e concentração de tropas que D. Sebastião levou para Alcácer Quibir e, local de feira e romaria desde 1778. Depois, no séc. XIX foi mandado plantar o arvoredo que transformou o Campo Grande num dos parques mais aprazíveis de Lisboa para passeios domingueiros.

Refira-se que em termos administrativos, a freguesia dos Santos Reis do Campo Grande fazia parte do conjunto de freguesias do Termo de Lisboa passando a ser em 1852 uma das 22 freguesias o Concelho dos Olivais, até em 1885 integrar o Concelho de Lisboa.

O Campo Grande ostentava de cada lado uma artéria, a Rua Oriental e a Rua Ocidental do Campo Grande, que o Edital municipal de 19/01/1916 transformou no topónimo único de Campo Grande.

Nove anos depois, foi o local escolhido para homenagear os heróis da novíssima arte de voar. Pelo edital de 07/05/1925, foi resolvido que a antiga Rua Ocidental do Campo Grande ganhasse a denominação de Avenida Sacadura Cabral – Grande Herói da Aviação. No mês seguinte, por deliberação camarária de 02/06/1925 foi dada à Rua Oriental a denominação de Avenida Óscar Monteiro Torres, aviador morto em combate na I Guerra Mundial. Já antes, a 15 de Fevereiro, tinha sido atribuído à Rua do topo norte do Campo Grande, a designação de Rua António Stromp, com a legenda “Desportista – Século XX”. Refira-se que O primeiro grande estádio foi inaugurado em 1912, no topo norte do Jardim do Campo Grande.

Só que no ano seguinte, na sessão de Câmara de 26/08/1926 e consequente Edital de 14/09/1926, foi resolvido manter no Campo Grande a sua antiga denominação de Campo Grande.

Decorridos mais nove anos e a instalação do Estado Novo, uma deliberação de Câmara de 16/05/1935, faz com que as antigas denominações anteriores à I República de Ruas Oriental e Ocidental do Campo Grande passem a denominar-se como o próprio parque do local, Campo 28 de Maio. E, o Edital de 18/05/1935 determina assim que o topónimo Campo 28 de Maio passe a substituir as antigas Ruas Oriental e Ocidental, o próprio parque e ainda, a Rua António Stromp.

Na década seguinte, o Edital municipal de 23/12/1948, voltou a denominar o arruamento como Campo Grande, topónimo que se manteve até à actualidade, com o acréscimo da antiga Praça Mouzinho de Albuquerque (correspondente ao espaço onde se localiza a Estátua da Guerra Peninsular) integrada no Campo Grande, por edital de 23/03/1954.

Aquele Jardim virado para o Miúdo do Alto do Pina

tristão[2]

Tristão da Silva, nasceu e cresceu no Bairro do Alto da Pina razão porque ficou conhecido desde os seus 9 anos como o Miúdo do Alto do Pina e, igualmente para a Câmara de Lisboa fixar o seu nome na toponímia dessa zona da cidade, pelo Edital de 20/11/2003, no Jardim compreendido entre a Rua Aquiles Machado e a Rua Professor Mira Fernandes.

Manuel Augusto Martins Tristão da Silva (Lisboa/18.07.1927 – 10.01.1978/Lisboa), nascido na Rua Sabino de Sousa, ficou conhecido como fadista desde que aos nove anos começou a cantar em sociedades de recreio e, sobretudo no Café Mondego, no Bairro Alto, para o qual foi contratado em 1937, aos 10 anos, para as matinées já que com a sua idade era o que a Inspecção de Espectáculos permitia. Para ganhar a vida também trabalhou como marçano e serralheiro em paralelo à sua carreira artística iniciada com o fado Mafalda e, ao longo da qual gravou mais de 80 discos com inúmeros sucessos como Nem às Paredes Confesso (1954) com música de Ferrer Trindade, Maria Morena, o bolero Ai se os meus Olhos Falassem, Calçada da Glória de Álvaro Duarte Simões, Maria da Paz, Fado Pescador, Fado da Mulher Deixada, Lisboa é Sempre Lisboa de Artur Ribeiro e Nóbrega e Sousa, Tarde ou Cedo e Fado Toureiro, ambos de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, e de Frederico de Brito, Aquele Automóvel ou Aquela Janela Virada pró Mar.

Este fadista e cantor teve honra de inaugurar alguns locais de fado como a Sala Júlia Mendes no Parque Mayer ou, o Café Monumental na Rua Carvalho Araújo, tendo sido presença habitual no Café Luso e, nas casas típicas de fados que foram nascendo como tal nos anos 40 do século passado e das quais se pode enumerar O Faia, A Tipóia, O Forcado e, Lisboa à Noite, todas no Bairro Alto, bem como A Parreirinha de Alfama, em que mostrava a sua faceta característica de voz grave, que passou do fado castiço para o fado canção e, interpretado em estilo romântico.

Também trabalhou no teatro de revista, nomeadamente no Maria Vitória e no Teatro Monumental, assim como nos anos 50 no programa Serões da Emissora Nacional e, no arranque da RTP (1957), ainda na Feira Popular de Lisboa, em Palhavã, em que foi o segundo artista português a surgir no pequeno ecrã.

Tristão da Silva contribuiu ainda para a divulgação da música portuguesa, em Espanha, África e Brasil integrado nas embaixadas do Fado nacional que começaram a partir da década 40 do século XX, assim como quando sozinho seguiu para Buenos Aires contratado para cantar na televisão local durante 6 meses, e depois fez uma digressão pela Bolívia, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Perú.

A morte levou este fadista, aos 50 anos de idade, com 40 de carreira efectiva, num brutal desastre de viação quando regressava de mais um espectáculo n’ O Forcado.

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

Praça 25 de Abril

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

No âmbito das comemorações do 25º aniversário do 25 de Abril e, por sugestão da Vereadora Rita Magrinho à Comissão Municipal de Toponímia, na sua reunião de 19 de Março de 1999, foi deliberado em sessão da Câmara de 14 de Abril e atribuído por edital de 22 de Abril de 1999 à então nova praça aberta nos terrenos da antiga Fábrica de Material de Guerra a denominação de Praça 25 de Abril.

Com esta Praça, que ostenta a legenda «Dia da Liberdade»,  homenageia a edilidade lisboeta a Revolução dos Cravos que restaurou a Democracia e Liberdade em Portugal e, esta artéria foi inaugurada justamente no dia 25 de Abril de 1999, ou seja, no próprio dia em que se completavam 25 anos sobre o 25 de Abril de 1974. Na rotunda central do arruamento que mede cerca de 100 metros de comprimento por 80 de largura está implantada uma estátua do escultor José Guimarães intitulada Lisboa, homenageando os construtores da cidade de Lisboa, com as cores da bandeira portuguesa.

25 de abril - rua

na Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

No Dia Mundial do Livro a Rua dos Lusíadas

Placa Tipo II

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

No Dia Mundial do Livro recordamos a Rua dos Lusíadas que foi atribuída à Rua Conselheiro Pedro Franco em 18 de novembro de 1910, sendo que este edital de atribuição de topónimos, o 2º após a implantação da República, incluiu também o nome de 3 jornais, a saber, O Mundo, A Luta e O Século, para substituir a Rua de S. Roque, a Rua Duque de Bragança e a Rua Formosa.

A Rua dos Lusíadas é uma artéria paralela à Rua Jau (dada por Edital de 12/11/1885) e em cujas imediações existe a Rua Luís de Camões (Edital de 20/05/1880).

Os Lusíadas, da autoria de Luís de Camões, é o poema nacional dos Portugueses ao representar os feitos heróicos do povo português e, como tal, simboliza valores patrióticos que a República defendeu, tanto mais quanto a Primeira República tornou o patriotismo na essência do sentimento nacional. Deste modo, a divisa camoniana “Esta é a ditosa pátria minha amada” passou a constituir um dos deveres do português e, por outro lado, Camões, autor desta obra, tornou-se o patrono da República e a sua figura, tanto de homem como de poeta, foi divinizada.

Os Lusíadas, estão ainda presentes noutra zona de Lisboa desde que o Edital municipal de 16/09/2009 herdou os 102 topónimos do Parque das Nações e assim ficou com a Rua Ilha dos Amores, que evoca os cantos IX e X de Os Lusíadas, nos quais se narra o quotidiano de uma ilha cheia  de apetitosas, sensuais e belas ninfas que é um prémio preparado por Vénus, com a ajuda do seu filho Cupido, à tenacidade dos homens que, «por mares nunca dantes navegados (…) mais do que prometia a força humana», tinham sabido seguir «o caminho da virtude, alto e fragoso, / mas, no fim, doce, alegre e deleitoso».

A Toponímia de Lisboa comporta ainda mais 7 livros. O primeiro, a Rua Flores do Lima, existe desde o Edital de 7 de julho de 1961, num arruamento contíguo à Rua Diogo Bernardes, tanto mais que Flores do Lima é um título da autoria de Diogo Bernardes, poeta do século XVI. Os restantes seis, são herança da Expo 98, através do Edital de 16/09/2009 e são títulos de livros de autores portugueses do século XX: a Rua do Adeus Português (poema de Alexandre O’Neill, 1950), a Rua Corsário das Ilhas (livro de crónicas de Vitorino Nemésio, publicado em 1956), a Rua Menina do Mar (livro infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen, publicado em 1958), a Rua Gaivotas em Terra (livro de novelas de David Mourão-Ferreira, de 1959), a Rua Sinais de Fogo (livro de Jorge de Sena, de 1979) e, a Rua Jangada de Pedra (livro de José Saramago, de 1986).

na Freguesia de Alcântara

na Freguesia de Alcântara (Foto: José Carlos Batista)

O Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda homenageado na Rua onde está sediado

Placa Tipo II

Placa Tipo II

O arruamento onde tem sede o Centro Popular de Trabalhadores do Alto da Ajuda passou a ostentar o nome deste referencial da memória colectiva do bairro, desde que o Edital de 05/07/2000 instituiu a Rua Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda, a partir de um pedido da Junta de Freguesia da Ajuda.

O Centro Popular de Trabalhadores do Alto da Ajuda nasceu em 1951, da vontade de um grupo de moradores do então designado Bairro de Casas Económicas do Alto da Ajuda que aí passaram a desenvolver um conjunto de actividades recreativas como bailes, projecção de filmes, prática de várias modalidades desportivas, assegurando ainda um posto médico que garantia assistência clínica aos moradores do bairro.

Neste Edital de 05/07/2000 foram modificadas um total de quatro topónimos do Bairro do Alto da Ajuda, de denominação numérica, como à época de construção deste Bairro Social era uso e costume (Edital de 15/3/1950), por sugestão da Junta de Freguesia e com o acordo dos moradores desses arruamentos. Assim, a  Rua 9 do Bairro do Alto da Ajuda passou a Rua Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda, a Rua 7 e a Rua 1 ficaram para autarcas da Ajuda,  denominando-se respectivamente Rua Hermínio Flora Bento e Rua José Luís Rodrigues, e finalmente, a Rua 3 tornou-se a Rua Orlando Gonçalves, para homenagear um jornalista  e escritor nascido na Freguesia.

na Freguesia da Ajuda

na Freguesia da Ajuda

Heróis do Mar na Toponímia do Parque da Nações

na Freguesia de Santa Maria dos Olivais – futura Freguesia do Parque das Nações

na Freguesia de Santa Maria dos Olivais – futura Freguesia do Parque das Nações

Corto Maltese, Sandokan, Sinbad e Robinson Crusoé, personagens de banda desenha e de livros de aventuras, todas relacionadas com o mar, são topónimos de quatro travessas que a cidade de Lisboa herdou após a realização da Expo 98 e a reconversão da zona em Parque das Nações, todos paralelos e que vão todos do Passeio dos Heróis do Mar à Rua Ilha dos Amores.

Estas quatro Travessas junto com mais 98 topónimos foram oficializados pelo Edital municipal de 16/09/2009, trazendo à cidade de Lisboa topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundiais, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou obras de sua autoria e ainda, alguns ligados à botânica.

A Travessa Corto Maltese evoca a personagem de banda desenhada criada por Hugo Pratt que apareceu pela 1ª vez em 10 de Julho de 1967 na revista Sgt. Kirk. Corto Maltese é um marinheiro do início do século XX que viaja pelos quatro cantos do mundo e por onde passa encontra sempre alguém conhecido e conhece sempre uma nova mulher.

A Travessa Sandokan refere-se à personagem criada por Emilio Salgari (1862 – 1911) em 1883, de um pirata dos finais do século XIX também conhecido como Tigre da Malásia. De 1895 a 1913 o autor italiano escreveu 11 romances de aventuras de Sandokan.

A Travessa Sinbad, o Marinheiro, recorda o herói de uma série de histórias que são contadas por Schehrazad ao rei Shahryar no livro As Mil e Uma Noites. Sinbad que significa “viajante em Sind” (uma província do Paquistão), é uma figura lendária de tempos antigos, conhecedora da náutica do seu povo e que n’ As Mil e Uma Noites empreende sete viagens cheias de acontecimentos extraordinários, com naufrágios, monstros marinhos, gigantes, perigos, desastres, sereias perigosas e muita riqueza, aventuras que se assemelham às vividas por Ulisses, na Odisseia, com a mesma nostalgia da pátria, procura incessante do desconhecido e sede de experiências.

A Travessa Robinson Crusoé relembra a mais célebre aventura escrita por Daniel Defoe, em 1719. Inspirada na história verídica de um marinheiro escocês, Alexander Selkirk, que a seu pedido foi abandonado numa ilha do arquipélago Juan Fernández, onde viveu só de 1704 a 1709, Robinson Crusoé é o único sobrevivente de um naufrágio que vive sozinho numa ilha durante 25 anos, antes de encontrar a personagem Sexta-Feira.

na Freguesia de Santa Maria dos Olivais – futura Freguesia do Parque das Nações

na Freguesia de Santa Maria dos Olivais – futura Freguesia do Parque das Nações