Salgueiro Maia na Toponímia de Lisboa

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV – Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Salgueiro Maia faleceu há 21 anos, a 4 de abril de 1992 e, logo no dia 8 a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma Moção para que «o nome do Tenente-Coronel Salgueiro Maia, recentemente falecido, seja atribuído a um arruamento da capital, em reconhecimento pelo papel determinante que desempenhou no 25 de Abril de 1974 e pelo seu apego à Liberdade e à Democracia». A Comissão Municipal de Toponímia sugeriu para o efeito a Rua 03 da Zona O de Chelas, o que foi aprovado por unanimidade em reunião de câmara de 30/09/1992 e, o Edital municipal de 07/10/1992 deu existência à Rua Salgueiro Maia, com a legenda «Capitão de Abril /1944 – 1992».

Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide/01.07.1944 – 04.04.1992/Santarém), concluiu  os estudos secundários no Colégio Nuno Álvares em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria, após o que ingressou na Academia Militar (em Lisboa) em 1964 e, em 1966 na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, tendo depois combatido em Moçambique (1968) e, na Guiné (1971), com a patente de capitão e, regressando à EPC de Santarém em 1973, ano em que  participou nas reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas, sendo delegado de Cavalaria na Comissão Coordenadora do Movimento.

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, na parada da Escola Prática de Cavalaria, Salgueiro Maia afirmou perante 240 homens: “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado: os Estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!” e assim, este capitão cujo nome de código era então Charlie Oito, comandou a coluna militar que saiu de Santarém e marchou para Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço e, mais tarde, comandou o cerco ao Quartel do Carmo que culminou com a rendição de Marcelo Caetano. A coragem, a determinação e a serenidade assumidas por Salgueiro Maia no Terreiro do Paço e no Largo do Carmo naquela quinta-feira, abriram caminho decisivo à queda da ditadura e à reconquista da liberdade. No mesmo ano em que a Câmara atribuiu o nome de Salgueiro Maia a uma artéria lisboeta também colocou numa estrutura no chão do Largo do Carmo uma placa a homenageá-lo pelo feito.

Avesso a privilégios e honrarias Salgueiro Maia recusou após o 25 de Abril qualquer cargo político, como ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil de Santarém e pertencer à Casa Militar da Presidência da República. Participou no 25 de Novembro de 1975, saindo da EPC aos comandos de uma coluna às ordens do Presidente da República, Costa Gomes. Foi transferido para os Açores e só voltou a Santarém em 1979, para comandar o presídio militar de Santa Margarida. Em 1981, foi promovido a major e em 1984, regressou à Escola Prática de Cavalaria. Também se licenciou em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

Em vida recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1983) e, a título póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem da Torre e Espada (1992) e, a Medalha de Ouro de Santarém (2007), para além de ter sido sepultado no cemitério de Castelo de Vide, na presença de três ex-Presidentes da República – António de Spínola, Costa Gomes e Ramalho Eanes – e de Mário Soares, chefe de Estado em funções.

Placa de homenagem no Largo do Carmo

Placa de homenagem no Largo do Carmo (Foto: Artur Matos)