A Rua Almada Negreiros em Lisboa, Pim!

Placa Tipo IV

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No próximo domingo, dia 7, comemora-se o 120º aniversário do nascimento de Almada Negreiros, artista multifacetado e autor do conhecido «Manifesto Anti-Dantas e por extenso», que deu o seu nome a uma rua dos Olivais praticamente um mês após o seu falecimento.

Almada faleceu a 15 de junho de 1970, no Hospital de S. Luís dos Franceses, mesmo ao cimo da Rua Luz Soriano, no Bairro Alto, no mesmo quarto onde morrera o seu amigo Fernando Pessoa e, o Edital municipal de 11/07/1970 colocou o seu nome na artéria referenciada como  Rua E 2 da Célula E dos Olivais Sul, incluindo os Impasse EJ, 3D, 3D1, EU e EV e abrangendo os lotes 454 a 462, 470a 474, 487a 494 e 504 a 506.

José Sobral de Almada Negreiros (S. Tomé e Príncipe – Roça da Saudade/07.04.1893 – 15.06.1970/Lisboa), foi um vulto cimeiro da vida cultural portuguesa durante quase meio século, sobretudo como escritor, artista plástico e, elemento do modernismo artístico onde emerge a imagem do artista total.

Essencialmente autodidata, publica os primeiros desenhos e caricaturas em 1911 e, no ano imediato, redige e ilustra de forma integral o jornal manuscrito A Paródia, para em 1913 voltar a participar na Exposição dos Humoristas Portugueses, preparar o primeiro projeto de bailado (O sonho da rosa), desenhar o primeiro cartaz (Boxe) e, em 1914 diretor artístico no semanário monárquico Papagaio Real, para além de ter sido um dos fundadores da revista Orpheu em 1915, veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa e,  publicou o «Manifesto Anti-Dantas e por extenso»,  por ocasião da estreia da peça de teatro Soror Mariana Alcoforado de Júlio Dantas, reagindo às críticas negativas deste à Orpheu, , numa «estética do soco» cara a Marinetti. Ainda nesse ano escreve a novela A engomadeira (publicada em 1917) e o poema A cena do Ódio (publicado parcialmente em 1923).

Almada fez caricatura, pintura a óleo, tapeçaria, gravura, pintura mural, mosaico, azulejo e vitral graças ao que ainda hoje o podemos encontrar um pouco por toda a cidade de Lisboa. Em 1917, publica a novela K4 O Quadrado Azul, realiza a conferência Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, uma diatribe escandalosa contra a situação mental e social do país” e, colabora no único número de Portugal Futurista, revista apreendida pela polícia pela inclusão da novela do próprio Almada «Saltimbancos», considerada obscena por mencionar cavalos a cobrir éguas.

De 1920 para a frente Almada colabora em diversos jornais e revistas, do Diário de Lisboa ao Sempre Fixe, publicando desenhos humorísticos, textos e ilustrações, realiza capas de livros e revistas, publica Invenção do Dia Claro (1921), escreve o romance Nome de Guerra (em 1925 e publicado em 1938), produz quadros para A Brasileira do Chiado (1925) e para o Bristol Club (1926). Escreve a peça Deseja-se Mulher dedicada à sua futura mulher Sarah Afonso, cria o cartaz político Votai a Nova Constituição (1933), colabora com Pardal Monteiro com os vitrais para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (1934) e a decoração do edifício do Diário de Notícias, concebe um selo com a frase de Salazar «Tudo pela Nação» (1935), executa as pinturas murais da Gare Marítima de Alcântara (1945-1947) e da Rocha do Conde de Óbidos (1946- 1948), pinta o Retrato de Fernando Pessoa (1954), realiza painéis decorativos para a Cidade Universitária (1957 – 1961) e o painel de pedra geométrico para o átrio do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1968-1969), fazendo a sua derradeira intervenção pública no programa televisivo Zip-Zip, em julho de 1969.

Na freguesia de Santa Mª dos Olivais - futura freguesia dos Olivais

Na freguesia de Santa Mª dos Olivais – futura freguesia dos Olivais

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4 thoughts on “A Rua Almada Negreiros em Lisboa, Pim!

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