O Largo do Convento de Nª Srª do Vencimento do Monte do Carmo

na Freguesia do Sacramento – futura Freguesia de Santa Maria Maior

na Freguesia de Santa Maria Maior

O Largo do Carmo fixou-se na memória de Lisboa por referência à proximidade ao Convento e Igreja de Nª Srª do Vencimento do Monte do Carmo, estruturas da iniciativa de Nuno Álvares Pereira no último quartel do século XIV.

Sobre esta matéria conta o olisipógrafo Norberto de Araújo que: «Quando da batalha de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira fêz à Virgem um voto: o de lhe erguer um grandioso templo. Foi isto a 14 de Agôsto de 1385. Passados quatro anos Nuno Álvares começou a cumprir aquilo a que se votara (…).Ou pelas dificuldades de construção, ou pelo demorado arranjo de interiores – que não por falta de dinheiro -, o Convento do Carmo só foi concluído em 1423, já desde 1397 o povoavam religiosos carmelitas vindos do Convento de Moura. Naquele ano de 1423, D. Nuno Álvares Pereira, titular de três condados, donatário de trinta e três vilas, senhor de quási tantas terras como tinha o Rei, despiu a armadura, vestiu-se de burel, distribuiu todos os seus senhorios, bens, terras, rendimentos, renunciou a todos os títulos, dignidades e relações – e entrou para o Convento: passou a ser Fr. Nuno de Santa Maria. (…)».

O Convento Carmelita começou a ser construído em 1389, pouco depois do início da construção do Mosteiro da Batalha, conciliando princípios arquitectónicos de templos monacais com novidades experimentadas entretanto no estaleiro da Batalha, conjugando  a tradição monástica das capelas escalonadas com a planta poligonal da Batalha.

António José Saraiva defendeu que a sua localização seria simbólica, por este templo ser erguido num monte que afrontava o do Castelo em cuja encosta  se situavam o Paço Real e a Sé de Santa Maria Maior, bem como por na época o Rossio se chamar Valverde, o que decerto lembraria ao Condestável o triunfo na batalha desse nome e, tanto mais que Nuno Álvares Pereira insistiu na construção do convento ali mesmo apesar das enormes dificuldades técnicas surgidas na consolidação da escarpa para assentar as fundações do templo, tendo demorado 8 anos a construção dos alicerces.

Nuno Álvares Pereira era cunhado do Almirante Pessanha, grande proprietário naquele local e que por isso também ficou registado na toponímia da zona e, quando a obra ficou terminada em 1423 doou o convento à Ordem do Carmo e ingressou nele como frade. Até ao Terramoto era a maior Igreja de Lisboa e sua nave central é hoje visível a céu aberto. A zona do Convento está  ocupada pelo quartel da GNR que foi o palco da rendição de Marcelo Caetano em 25 de Abril de 1974.

Largo do Carmo placa

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