Aquele Jardim virado para o Miúdo do Alto do Pina

tristão[2]

Tristão da Silva, nasceu e cresceu no Bairro do Alto da Pina razão porque ficou conhecido desde os seus 9 anos como o Miúdo do Alto do Pina e, igualmente para a Câmara de Lisboa fixar o seu nome na toponímia dessa zona da cidade, pelo Edital de 20/11/2003, no Jardim compreendido entre a Rua Aquiles Machado e a Rua Professor Mira Fernandes.

Manuel Augusto Martins Tristão da Silva (Lisboa/18.07.1927 – 10.01.1978/Lisboa), nascido na Rua Sabino de Sousa, ficou conhecido como fadista desde que aos nove anos começou a cantar em sociedades de recreio e, sobretudo no Café Mondego, no Bairro Alto, para o qual foi contratado em 1937, aos 10 anos, para as matinées já que com a sua idade era o que a Inspecção de Espectáculos permitia. Para ganhar a vida também trabalhou como marçano e serralheiro em paralelo à sua carreira artística iniciada com o fado Mafalda e, ao longo da qual gravou mais de 80 discos com inúmeros sucessos como Nem às Paredes Confesso (1954) com música de Ferrer Trindade, Maria Morena, o bolero Ai se os meus Olhos Falassem, Calçada da Glória de Álvaro Duarte Simões, Maria da Paz, Fado Pescador, Fado da Mulher Deixada, Lisboa é Sempre Lisboa de Artur Ribeiro e Nóbrega e Sousa, Tarde ou Cedo e Fado Toureiro, ambos de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, e de Frederico de Brito, Aquele Automóvel ou Aquela Janela Virada pró Mar.

Este fadista e cantor teve honra de inaugurar alguns locais de fado como a Sala Júlia Mendes no Parque Mayer ou, o Café Monumental na Rua Carvalho Araújo, tendo sido presença habitual no Café Luso e, nas casas típicas de fados que foram nascendo como tal nos anos 40 do século passado e das quais se pode enumerar O Faia, A Tipóia, O Forcado e, Lisboa à Noite, todas no Bairro Alto, bem como A Parreirinha de Alfama, em que mostrava a sua faceta característica de voz grave, que passou do fado castiço para o fado canção e, interpretado em estilo romântico.

Também trabalhou no teatro de revista, nomeadamente no Maria Vitória e no Teatro Monumental, assim como nos anos 50 no programa Serões da Emissora Nacional e, no arranque da RTP (1957), ainda na Feira Popular de Lisboa, em Palhavã, em que foi o segundo artista português a surgir no pequeno ecrã.

Tristão da Silva contribuiu ainda para a divulgação da música portuguesa, em Espanha, África e Brasil integrado nas embaixadas do Fado nacional que começaram a partir da década 40 do século XX, assim como quando sozinho seguiu para Buenos Aires contratado para cantar na televisão local durante 6 meses, e depois fez uma digressão pela Bolívia, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Perú.

A morte levou este fadista, aos 50 anos de idade, com 40 de carreira efectiva, num brutal desastre de viação quando regressava de mais um espectáculo n’ O Forcado.

Placa Tipo IV

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