A singular Avenida Almirante Reis

almirante Reis

Durante todo o primeiro ano da República, os nomes dos heróis republicanos Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, a data de 5 de Outubro e a própria República foram fixadas nos principais largos e ruas de cada vila e cidade do país. Num tempo em que a rádio e a televisão eram ainda sonhos e os jornais serviam apenas a minoria da população que sabia ler, as placas toponímicas eram o maior veículo de difusão da República.

A edilidade lisboeta fixou Cândido do Reis na avenida que havia sido de Dona Amélia e que entre 1908 e 1910 era o lugar habitual de ajuntamentos e manifestações dos Republicanos, logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República (em 5 de novembro de 1910 e resultante de deliberação camarária de 13 de outubro), como Avenida Almirante Reis. Por esse 1º Edital após a proclamação da República foram também fixados na memória da cidade a Avenida Cinco de Outubro, a Avenida da República, a Avenida Miguel Bombarda e a Avenida Elias Garcia.

A grande Avenida Almirante Reis que já fora a Avenida Dona Amélia (edital de 26/06/1903) e antes, Avenida dos Anjos (deliberação camarária de 08/07/1895) para denominar a Avenida no Prolongamento da Rua da Palma até à Estrada da Circunvalação homenageia o militar republicano Carlos Cândido dos Reis (Lisboa/16.01.1852 – 04.10.1910/Lisboa) que, juntamente com Miguel Bombarda e Machado Santos, chefiou o movimento revolucionário do 5 de Outubro de 1910. Cândido dos Reis era também um republicano convicto, anticlerical e carbonário activista tanto que quando fracassou o golpe que aprontara para 28 de janeiro de 1908, dedicou-se logo a preparar nova revolução. Na tarde de 3 de outubro de 1910 impediu o adiamento da revolta declarando: «A Revolução não será adiada. Sigam-me se quiserem. Havendo um só que cumpra o seu dever, esse único serei eu». Na madrugada de 5 de outubro, dirigiu-se aos Banhos de São Paulo para conferenciar com os companheiros e como as notícias não eram boas já que a maior parte das unidades militares comprometidas não tinham chegado a revoltar-se, julgaram perdida a causa republicana e decidiram fugir. Cândido dos Reis suicidou-se na Azinhaga das Freiras, em Arroios e, foi e considerado um dos primeiros mártires da revolução, tendo tido um funeral conjunto com Miguel Bombarda, no dia 6 de outubro de 1910. Refira-se ainda que o Carlos Cândido dos Reis era um dos deputados eleitos na lista republicana para a vereação da Câmara de Lisboa em 1910.

1º Edital de Toponímia após o 5 de Outubro de 1910

1º Edital de Toponímia após o 5 de Outubro de 1910

 

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