Ary dos Santos: da Rua da Saudade ao Bairro das Pedralvas

Placa Tipo II

Freguesia de Benfica – Placa Tipo II                                                                                         (Foto: José Carlos Batista)

Cinco dias após o falecimento do poeta Ary dos Santos, que durante muitos anos morou num 1º andar do nº 23 da Rua da Saudade, foi aprovada por unanimidade em sessão de Câmara uma proposta de atribuição do seu nome a um arruamento em Lisboa, preferencialmente em Alfama.

Contudo, porque «a toponímia de Alfama está perfeitamente arreigada entre a população e constitui valioso património cultural e histórico da Cidade de Lisboa, a Comissão [Municipal de Toponímia de Lisboa] entende que ela deverá manter-se inalterável» e assim, a Rua Ary dos Santos, com a legenda «Poeta/1937 – 1984» nasceu por Edital de 28/02/1984 no troço norte da Via Envolvente da Urbanização da Quinta de Nossa Senhora do Cabo que, partindo da Rua C do Bairro das Pedralvas segue para Norte e termina na Calçada do Tojal.

José Carlos Pereira Ary dos Santos (Lisboa/07.12.1937 – 18.01.1984/Lisboa), que trabalhou como criativo publicitário, evidenciou-se sobretudo como poeta, particularmente de Lisboa, cujas tradições, figuras típicas e vivência social retratou.

Ary dos Santos estudou no Colégio de São João de Brito e, após a morte da sua mãe, viu publicados pela mão de familiares, alguns dos seus poemas quando tinha 14 anos, livro que mais tarde viria a rejeitar. Já aos 16 anos, várias poesias suas integraram então a Antologia do Prémio Almeida Garrett e, nove anos depois, em 1963, publicou o seu primeiro livro, A Liturgia do Sangue, a que se seguiram entre outros Tempo da Lenda das Amendoeiras (1964), Adereços, Endereços (1965), Insofrimento In Sofrimento (1968), Ary por Si Próprio (1970), Poesia Política (1974), As Portas que Abril Abriu (1975), Bandeira Comunista (1977), Ary por Ary e O Sangue das Palavras (ambos em 1979).

À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, para reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e uma auto-biografia romanceada intitulada Estrada da Luz – Rua da Saudade.

Concorreu também ao Festival da Canção da RTP, tendo vencido por quatro vezes: com «Desfolhada» (1969) interpretada por Simone de Oliveira, «Menina do Alto da Serra» (1971) na voz de Tonicha, «Tourada» cantada por Fernando Tordo e, «Portugal no Coração» pelo grupo Os Amigos. Foi o autor de mais de 600 poemas para canções, a que deram voz nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira, Teresa Silva Carvalho, Tonicha ou Vasco Rafael.

Ary dos Santos também se distinguiu como declamador, tendo gravado um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira e, na política aderiu ao PCP em 1969 tendo participado nas sessões de poesia do então intitulado «Canto Livre Perseguido».

Ainda no ano da sua morte foi lançado com um estudo de Manuel Gusmão os VIII Sonetos de Ary dos Santo e, quatro anos mais tarde, o seu amigo Fernando Tordo editou o álbum O Menino Ary dos Santos, com poemas de infância do poeta. Em 2004, recebeu postumamente a Ordem do Infante D. Henrique e, em 2009, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti deram voz ao disco de tributo Rua da Saudade-Canções de Ary dos Santos.

na Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica                                                                                                                    (Foto: José Carlos Batista)