A Rua de Duarte Belo da Bica dos Olhos

na Freguesia de São Paulo - na futura Freguesia da Misericórdia

na Freguesia de São Paulo – na futura Freguesia da Misericórdia

A rua que liga a Travessa do Cabral ao Largo do Calhariz, conhecida pelo seu elevador, evoca Duarte Belo um armador e negociante da Lisboa Quinhentista, proprietário da Bica dos Olhos que curava maleitas dos olhos.

Como refere Norberto de Araújo (Peregrinações em Lisboa, vol. XIII), este Duarte Belo possuía na Boa Vista umas casas e um chão no qual existia uma bica, conhecida como a Bica dos Olhos, sendo também certo que, pelo menos desde 1554, o topónimo “Bica do Belo” existia como um sítio que podia até não ser regularmente urbanizado e se localizava à beira-rio. Em 1709, a Bica dos Olhos foi desviada para o alinhamento da Rua da Boavista, mas manteve a tradição de gerações alfacinhas de irem lavar as vistas antes do nascer do sol, para melhorar a visão ou curar outra maleita dos olhos.

O Sítio da Bica, na vertente das encostas entre Santa Catarina e as Chagas, foi cavado por efeito de um desmoronamento de terras restrito ao local, em 22 de Julho de 1597, e que se repetiu 25 anos mais tarde. Também Gomes de Brito, no seu  Ruas de Lisboa  publicado em 1935, relata que «Cristóvão Rodrigues de Oliveira menciona (1551) a “Bica do Bello” entre os sítios diversos, em seu termo sujeitos à jurisdição da freguesia dos Mártires. Esta freguesia, bem como outras mais, tinha nesse tempo uma área muito mais extensa do que hoje. S. Paulo não existia então, ao menos como paróquia, e Santa Catarina, à qual esta rua pertence, (…) data de 1557, e como paróquia, só começou a exercer as suas regalias, com o território desmembrado da freguesia dos Mártires, no 1º de Janeiro de 1560».

Rua da Boca Duarte Belo placa

A Rua António Livramento no ano do seu 70º aniversário

na Freguesia do Lumiar

na Freguesia do Lumiar

Hoquista de renome internacional e com uma carreira de grande ligação a clubes lisboetas, António Livramento que este ano completaria o seu 70º aniversário dá nome a uma rua alfacinha desde a publicação do Edital de 7 de Maio de 2001 que o consagrou nos arruamentos A e C da Zona do Planalto (3ª Fase).

António José Parreira do Livramento (Évora – São Manços/28.02.1943 – 07.06.1999/Lisboa) iniciou-se aos 10 anos na modalidade de hóquei em patins e, aos 16 já conseguira o título de campeão europeu de juniores (1960). Foi atleta dos lisboetas Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal, tendo vencido 7 Campeonatos Nacionais com a camisola do Benfica e, 2 Campeonatos Nacionais mais uma Taça de Portugal e uma taça dos Campeões Europeus com as cores do Sporting.

Livramento foi considerado por muitos o melhor hoquista internacional de todos os tempos e para além dos seus 32 títulos, marcou de forma determinante a época áurea do hóquei em Portugal, com um palmarés desportivo notável para exibir, tendo sido enquanto jogador da Selecção 7 vezes campeão da Europa e 3 vezes campeão do Mundo. Como treinador, conduziu a Selecção Nacional à vitória em  2 Campeonatos do Mundo (1982 e 1993) e 3 da Europa (1987, 1992 e 1994) , assim como levou o Sporting Clube de Portugal a sagrar-se vencedor nos Campeonatos de 1982 e 1988, na Taça das Taças (1981), na Taça CERS  e na de Portugal (em 1984) e, ainda o Futebol Clube do Porto a ganhar em 1999 um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal.

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

O pintor saiu a uma Rua de Alcântara num dia assim

na Freguesia de Alcântara

Freguesia de Alcântara (Foto: José Carlos Batista)

José Dias Coelho que hoje completaria 90 anos, foi assassinado a tiro pela PIDE aos 38, em pleno dia, na Rua da Creche, em Alcântara – situação imortalizada no tema A Morte Saiu à Rua de José Afonso – e, por Edital de 17 de fevereiro de 1975 o seu nome foi dado a essa artéria.

Na reunião de 20 de dezembro de 1974, a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável a que o nome de José Dias Coelho passasse a denominar a Rua da Creche, com a legenda de «Escultor», na sequência de um pedido de Junta de Freguesia de Alcântara subscrito por diversos fregueses. Todavia, na reunião de 14 de fevereiro seguinte, a Comissão de Toponímia deparou com outra solicitação da referida Junta de Freguesia para que a legenda fosse alterada, incluindo para além de escultor a referência de «militante do Partido Comunista assassinado pela PIDE em 1961» e, considerou que «embora tenha pela figura de José Dias Coelho, o maior respeito, entende que a proposta não pode ser considerada no seu todo, em virtude de não ser permitida a referência em lápides a organizações políticas, sejam elas de que naturezas forem, conforme proposta aprovada em reunião da Comissão Administrativa Municipal de Lisboa, de 17 de Outubro de 1974, e de acordo com as instruções do Ministério da Administração Interna», pelo que legenda acabou por se fixar como «Escultor e militante antifascista/1923 – 1961».

José Dias Coelho (Pinhel/19.06.1923 — 19.12.1961/Lisboa) já aos 16 anos expunha nas mostras dos alunos do Colégio Académico e, em 1942 decidiu entrar para o curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Dedicou-se ao desenho, à pintura e à escultura, integrando as Exposições Gerais de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas-Artes, de 1947 a 1956, fora da tutela de António Ferro e do SNI e, nesta época aderiu também à Federação das Juventudes Comunistas, onde começou a apoiar as famílias dos presos políticos. Em 1946, mudou para o curso de Escultura e, militou no MUD Juvenil sendo três anos mais tarde, em plena campanha para a eleição de Norton de Matos, preso no Aljube. Em Lisboa, Dias Coelho convivia com o pintor Sá Nogueira, os escritores Alves Redol, Orlando Costa e José Cardoso Pires e seguia uma carreira de professor do Ensino Técnico na Escola Machado de Castro, na Veiga Beirão e na Francisco Arruda, até que, tanto ele como a sua companheira Margarida Tengarrinha e tanto outros, ficaram impedidos de leccionar após o protesto que promoveram contra a realização do Conselho da Nato em Portugal em 1952. José Dias Coelho vai então trabalhar como desenhador para o atelier dos arquitectos Keil do Amaral, Hernâni Gandra e Alberto José Pessoa, no nº 8 da Rua Fernão Álvares do Oriente. Em 1955, José Dias Coelho termina as primeiras grandes encomendas públicas de escultura: dois grupos escultóricos para a Escola Primária de Campolide (secções feminina e masculina), uma grande escultura para a Escola Primária de Vale Escuro e, um baixo-relevo para o Café Central das Caldas da Rainha e entra na clandestinidade como funcionário do Partido Comunista Português,  com a tarefa de montar uma oficina de falsificação de documentos e, de renovar o grafismo do jornal Avante.

Rua José Dias Coelho planta

Uma rua a pedal próxima do Estádio José Alvalade

joaquim agostinho - placa 2

Placa Tipo II

Nas imediações do Estádio José Alvalade está a Rua Joaquim Agostinho, ciclista sportinguista e glória da Volta a Portugal em Bicicleta, cujo 70º aniversário de nascimento se completou em Abril último.

Falecido em 1984, em consequência de um trágico acidente provocado por um cão que se atravessou no seu caminho no decorrer de uma etapa da X Volta ao Algarve, o Edital municipal de 7 de Setembro de 1987 deu o seu nome ao arruamento Y à Rua José da Costa Pedreira, na Quinta das Pedreiras à Alameda das Linhas de Torres.

Joaquim Francisco Agostinho (Brejenjas – Torres Vedras/07.04.1943 – 10.05.1984/Lisboa) foi um trabalhador rural que aos 25 anos iniciou a prática desportiva  no Sporting Clube de Portugal, na modalidade de ciclismo, impulsionado pelo seu vizinho João Roque, que em 1963 tinha ganho a Volta a Portugal e, logo nesse ano de 1968 Joaquim Agostinho conseguiu o 2º lugar na Volta. Entre 1969 e 1974 foi 5 vezes consecutivas campeão nacional de Fundo Individual.  Venceu três Voltas a Portugal consecutivas (de 1970 a 1972) e,   entre outras, participou também na Volta à Espanha (1974), ao Luxemburgo, à Suíça (1972), ao Estado de S. Paulo (1968), ao Brasil e à França, sendo que nesta última prova alcançou o terceiro lugar por duas vezes (1978 e 1979), somando 13 presenças no Tour.

Em 1971 foi galardoado com o Prémio da Imprensa  e, considerado o melhor desportista do ano em Portugal. A sua popularidade enquanto desportista fez de Joaquim Agostinho o “Embaixador de Portugal” junto dos Emigrantes portugueses.

na freguesia do Lumiar

na freguesia do Lumiar

O traço de Niyemer evocado numa Avenida de Belém

nas Freguesias de Alcântara e de Santa Maria de Belém –  nas futuras Freguesias de Alcântara e de Belém

Freguesias de Alcântara e de Belém (Foto: José Carlos Batista)

Brasília foi inaugurada como capital do Brasil em 21 de Abril de 1960 e, cerca de 3 meses depois, pelo Edital de 20/07/1960, Lisboa perpetuou-a numa Avenida alfacinha próxima da linha do Tejo, que era a via pública a Sul do Caminho-de-ferro, paralela à Avenida da Índia, entre a passagem de nível de Alcântara-Mar, a norte da Gare Marítima e, a Avenida da Torre de Belém.

Este topónimo resultou de um pedido do Almirante Sarmento Rodrigues ao Presidente da Câmara, que era então António Vitorino França Borges, para se fixar em Lisboa a nova capital brasileira, construída em 41 meses, que iria suceder ao Rio de Janeiro.

Em 1956, Juscelino Kubitschek convidou Oscar Niyemer para projetar os edifícios públicos da nova capital do Brasil e que ficaram concluídos antes de 1960. Logo no ano seguinte, o arquitecto das formas curvas abriu um concurso para o plano da cidade de Brasília que Lúcio Costa ganhou.

nas Freguesias de Alcântara e de Santa Maria de Belém –  nas futuras Freguesias de Alcântara e de Belém

Freguesias de Alcântara e de Belém (Foto: José Carlos Batista)

O Largo de Santo Antoninho na Bica

na Freguesia S. Paulo - na futura Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia (Foto: Artur Matos)

Na confluência da Calçada da Bica Pequena, Rua dos Cordoeiros e Travessa da Bica Grande fica o Largo de Santo Antoninho,  fixado na memória toponímica de Lisboa numa data desconhecida mas, pelo menos, próxima do Terramoto de 1755, já que as memórias paroquiais da freguesia de São Paulo posteriores a este acontecimento já mencionam este arruamento, como Terreirinho de S. António.

Appio Sottomayor, na sua comunicação sobre Santo António nas II Jornadas de Toponímia de Lisboa, considera que é um «mimo toponímico» e, explica que «Curiosamente o diminutivo estava no outro lado, chamava-se àquele local, situado no começo da Calçada da Bica, paredes meias com o elevador, de Terreirinho de Santo António. Desapareceu o ‘inho’ da primeira palavra e foi juntar-se e bem, ao nome do Santo».

Placa Tipo II

Placa Tipo II