A Rua de Cesariny no seu 90º aniversário

na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima - na futura Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas                                                                                                   (Foto: Artur Matos)

Completa-se hoje o 90º aniversário de Cesariny que em Lisboa dá nome à artéria que vai da Rua Francisco Lyon de Castro à Rua Adriano Correia de Oliveira e que, foi o topónimo atribuído por Edital de 24/09/2009 à Rua B Projetada à Avenida das Forças Armadas, no Loteamento da EPUL na Avenida das Forças Armadas.

O alfacinha Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa/09.08.1923 – 26.11.2006/Lisboa), considerado o principal surrealista português foi pintor e poeta, assumindo em ambas as áreas uma atitude estética de constante experimentação, sendo ele o introdutor em Portugal da técnica «cadáver esquisito”, que consiste na construção de uma obra por três ou quatro pessoas, numa cadeia criativa em que cada um dá continuidade, em tempo real, à criatividade do anterior.

Filho de um ourives da Rua da Palma que o queria encaminhar para a mesma profissão, colocou-o no curso de cinzelagem da António Arroio e impediu-o de continuar os estudos gratuitos de pianista com Fernando Lopes Graça. Depois, Mário Cesariny frequentou  um curso de habilitação às Belas-Artes e, várias tertúlias nos cafés de Lisboa. Em 1947 foi para Paris estudar na Académie de la Grande Chaumière, onde conhece André Breton, o autor do Manifesto Surrealista, e ao regressar, ainda nesse ano, cria o Grupo Surrealista de Lisboa, com António Pedro, José-Augusto França, Cândido Costa Pinto, Vespeira, Moniz Pereira e Alexandre O’Neil, que se reunia na Pastelaria Mexicana. Mais tarde, funda um grupo dissidente deste, Os Surrealistas, com António Maria Lisboa, Risques Pereira, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria.

Na década de 1950, Cesariny dedica-se à pintura, mas sobretudo, à poesia, que escreve nos cafés, tendo como editor Luiz Pacheco. Publicou primeiro Corpo Visível (1950), a que se seguiram, entre outros, Discurso sobre a Reabilitação do Real Quotidiano (1952), Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos (1953), Manual de Prestidigitação (1956), Alguns Mitos Maiores e Alguns Mitos Menores Postos à Circulação pelo Autor (1958). Porém, como a poesia não o sustentava resolveu, a partir da década seguinte, dedicar-se por inteiro à pintura.

Não obstante, voltou a publicar de que se destacam os títulos Titânia e A Cidade Queimada (1965), 19 Projectos de Prémio Aldonso Ortigão Seguidos de Poemas de Londres (1971), Burlescas, Teóricas e Sentimentais (1972), Primavera Autónoma das Estradas (1980), Vieira da Silva, Arpad Szenes ou O Castelo Surrealista (1984) ou O Virgem Negra. Fernando Pessoa Explicado às Criancinhas Naturais & Estrangeiras (1989).

Em 2004, Miguel Gonçalves Mendes realizou o documentário Autografia, onde Cesariny se revela de modo total e, no ano seguinte, o artista foi galardoado com o Grande Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, pelo conjunto da sua obra e, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Ainda em vida doou o seu espólio à Fundação Cupertino de Miranda e, por testamento, deixou um milhão de euros à Casa Pia de Lisboa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

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