No centenário de João dos Santos, a sua rua na Ajuda

Placa Tipo II

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Comemora-se no próximo dia 15 de Setembro, o centenário do psiquiatra João dos Santos, especialista em psico-pedagogia infantil cujos caminhos  revolucionou em Portugal, e que dá nome a um arruamento da Ajuda (era o Impasse à Rua José Magro), desde o Edital de 29/12/1989.

João dos Santos (Lisboa/15.09.1913 – 16.04.1987/Lisboa) foi um médico,  psiquiatra e psicanalista que a partir de 1965 se tornou Director do Centro  de Saúde Mental Infantil e Juvenil de Lisboa, a primeira instituição portuguesa vocacionada para a saúde mental infantil , cuja organização planificou e dirigiu  até 1982 (quando se reformou) e, que em 1975 criou um novo Serviço no Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa, a Casa da Praia (que desde 1992 ostenta o nome Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia).

Investigador de Psicologia Genética,  focou o seu interesse científico e prático essencialmente na criança e, nos seus problemas em ensino especial. Revolucionou os caminhos da psiquiatria infantil até então praticada em Portugal, baseado nos conhecimentos psicanalíticos aplicados à criança, com a preocupação básica da compreensão do funcionamento mental infantil,  para uma terapia compreensiva das crianças e a prevenção das situações perturbadoras. E assim, no campo da prevenção e da promoção da saúde mental infantil, o seu nome ficou ligado à criação de diversas instituições particulares, das quais se salientam os centros psico-pedagógicos da Voz do Operário e do Colégio Moderno (1951-52), o Colégio Eduardo Claparède (1954), o Jardim Infantil Pestalozzi (1955), o Centro Helen Keller (1955), a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores (1956), a Associação Portuguesa de Surdos, a Liga Portuguesa contra a Epilepsia e o Instituto de Apoio à Criança, entre outros.

Em 1945, João Santos trabalhava nos Serviços de Psiquiatria Geral do Hospital Júlio de Matos mas após participar numa reunião do MUD (Movimento de Unidade Democrática) e subscrever o pedido de eleições livres, foi demitido e impedido de entrar em qualquer hospital. Assim, desempregado, foi para França, onde trabalhava com o estatuto de funcionário público, com grande vultos da Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise, no Centro de Pesquisas Científicas de França (C.N.R.S.) e no Laboratório de Biopsicologia da Criança. Em 1947 é mesmo admitido pela Comissão de Ensino da Sociedade Psicanalítica de Paris, pertencendo à segunda geração de psicanalistas franceses ligados a Freud e, em 1950 regressa a Portugal, onde trabalha na clínica privada de Barahona Fernandes.

Com Pedro Luzes e Francisco Alvim foi  também um dos co-fundadores da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, em 1973. De 1979 a 1982, regeu a cadeira de Psicologia Dinâmica da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. E deixou uma obra escrita com muita originalidade, da qual se destaca a sua última obra Casa da Praia – um psicanalista na escola (1988), que trata da organização da neurose e seus sintomas infantis e onde se explica que a sua evolução é em parte condicionada pela neurose dos pais e pelas suas atitudes educativas; Se não sabe porque é que pergunta? e Eu agora quero-me ir embora, ambos em resultado da sua conversa semanal na Rádio Comercial com João Sousa Monteiro em 1983 e, os seus dois volumes de Ensaios sobre a Educação (1982 e 1983).

João dos Santos foi agraciado com o grau de comendador da Ordem de Benemerência (1984) e com o título de Doutor Honoris Causa (1985) pela Faculdade de Motricidade Humana.

na Freguesia da Ajuda

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