A rua de Natália no seu 90º aniversário

na Freguesia da Graça - na futura Freguesia de São Vicente

Freguesia de São Vicente – Placa Tipo IV

Quatro meses após o falecimento de Natália Correia foi o seu nome inscrito na toponímia de Lisboa (Edital de 23/07/1993), na Rua A a Sapadores, no Bairro da Graça, próximo do seu Botequim e, na rua pela qual todos os dias ela passava, graças à aceitação pela edilidade da sugestão das Organizações Não Governamentais do Conselho Consultivo da Comissão para os Direitos das Mulheres e da Associação de Mulheres Socialistas.

Natália de Oliveira Correia (S. Miguel- Fajã de Baixo/13.09.1923 – 16.03.1993/Lisboa) que hoje completa o seu 90º aniversário, foi uma escritora que se estreou em 1945 com o romance infantil As Grandes Aventuras Dum Pequeno Herói , logo seguido do romance Anoiteceu no Bairro (1946) e, escreveu poesia, teatro, romance, ensaio e crónicas somando uma vasta obra de que salientamos as peças O Progresso de ÉdipoA Pécora, O Encoberto, a poesia de Rio de NuvensMátria, Sonetos Românticos,  o romance A Madona,o ensaio Poesia de Arte e Realismo Poético ou Descobri que era Europeia.

Natália que se dizia «uma portuguesa de essência açoriana, incapaz de escolher entre as duas almas» e, foi a autora da letra do hino dos Açores, também dirigiu as editoras Estúdio Cor e Arcádia, colaborou em jornais e revistas,  dirigiu a revista Vida Mundial (1976) e, ainda fez diversos programas de televisão, um dos quais divulgava as mulheres mais destacadas da História de Portugal: Mátria (1986). Enquanto editora chegou em 1970 a ser condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, e em 1971, foi processada pela edição das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta.

Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Desde 1934 que Natália residiu em Lisboa, na Rua Morais Soares, na Rua Rodrigo da Fonseca, Rua Marquês de Fronteira e Rua Rodrigues Sampaio.

Natália Correia tomou ainda parte nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática), no apoio às candidaturas para a Presidência da República de Norton de Matos e de Humberto Delgado. Depois da revolução de 25 de Abril de 1974, foi assessora do Secretário de Estado da Cultura,  então David Mourão-Ferreira. Esteve primeiro ligada ao Partido Socialista (PS), depois ao Partido Popular Democrático (PPD) e, por fim, ao Partido Renovador Democrático (PRD), tendo sido eleita deputada à Assembleia da República, pelas listas do PPD, de 1979 a 1980 e de 1980 a 1983, e pelo PRD, como independente, de 1987 a 1991. Ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a sua réplica satírica ao deputado João Morgado (CDS) sobre a fertilidade do mesmo. Em 1992, juntamente com José Saramago, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues,  foi um dos nomes fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC).

Natália Correia foi agraciada com o Prémio Internacional de Estudos sobre Petrarca (1977), o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1991),  a  a Ordem de Santiago da Espada (1981) e a Ordem da Liberdade (1991).

Natália Correia por Mário Cesariny

Natália Correia por Vasco