A rua do homem que tinha o sonho de criar a Avenida da Liberdade

Na Revista«Ocidente», 01.02.1893

                                    Na Revista Ocidente, 01.02.1893

 

Rosa Araújo que foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1878 e 1885 deu nome ainda em vida a uma rua próxima do seu sonho concretizado – a então larguíssima Avenida da Liberdade -, atribuída pelo executivo camarário que lhe sucedeu, sob a presidência de Fernando Pereira Palha Osório Cabral, por via da publicação do Edital de 19/04/1887, na Rua nº 2 do recente Bairro de Barata Salgueiro.

O Bairro de Barata Salgueiro data de 1882 e ganhou as denominações de Alexandre Herculano, Barata Salgueiro, Castilho, Mouzinho da Silveira e, por breve tempo a de Passos Manuel que viria a tornar-se a Rua Rosa Araújo.

José Gregório da Rosa Araújo (Lisboa/17.11.1840 – 27.01.1893/Lisboa) teve o sonho de dar a Lisboa uma Avenida larga de capital europeia, à moda do boulevard parisiense. Já em 1859 tinha surgido a proposta do boulevard mas só em 24 de julho de 1879 foi possível começar, com a dinâmica de Rosa Araújo, sendo que 1882 se acabava com o Passeio Público e em 1886 se chegava à Rotunda, sendo que em 25 de maio desse ano decorreu o 1º grande desfile nesta nova Avenida de Lisboa, por ocasião do casamento do Rei D. Carlos. Era tão fulcral este sonho para Rosa Araújo que até pagou do seu próprio bolso indemnizações e trabalhos de demolição para concretizar a Avenida da Liberdade e, assim contribuiu para a expansão da cidade para norte.

Ainda enquanto Presidente da edilidade, Rosa Araújo determinou a construção do Bairro Estefânia e do Bairro Camões (1880), promoveu a conclusão dos Paços do Concelho, criou os asilos-escolares municipais para crianças, tendo ele mesmo custeado a creche de Santa Eulália (nome dado em memória da sua mãe) no Largo da Graça e, ainda criou talhos municipais para combater o monopólio das carnes.

Já antes, no biénio 1872-73, havia sido vereador e, destacou-se pelo estabelecimento de transportes urbanos sobre carris de ferros e pela realização de um empréstimo que consolidou a situação financeira do município, para além de ter conseguido que o Parlamento aumentasse a dotação do Estado à Câmara Municipal, conforme proposta de António Serpa, então Ministro da Fazenda. No biénio seguinte renunciou com mais 3 vereadores em resultado das divergências na decoração da frontaria dos Paços do Concelho e, só voltou no biénio 1876-77, para levar a cabo a construção do mercado da Praça da Figueira.

Rosa Araújo foi ainda deputado e par do reino, comendador da Ordem de Nº Srª da Conceição de Vila Viçosa, fundou e manteve 2 jornais políticos – O Espectro da Granja e a Gazeta Comercial – e recusou o título de visconde. Sobretudo no período entre 1857 e 1871, dirigiu diversas associações de socorros mútuos e empresas comerciais e industriais (fábricas de tabacos e algodões de Xabregas, Companhia do Gás, Banco de Crédito Comercial, seguros Fidelidade e Bonança, Empresa das Lezírias do Tejo e do Sado), foi Presidente da Associação Comercial de Lisboa de 1875 a 1881 e, subsidiou empresas teatrais e edições literárias.

José Gregório da Rosa Araújo foi o 2º filho de Manuel José da Silva Araújo e Eulália Rosa da Silva, nascido na Rua dos Correeiros. O seu avô materno era comerciante na Baixa lisboeta e o seu pai o dono de uma famosa confeitaria nos nºs 44 a 48 da Rua de São Nicolau, onde aliás começou a trabalhar aos 13 anos e que lhe valeu a alcunha de «Cocó», graças aos bolos característicos daquela pastelaria.

Placa Tipo II

                                                 Placa Tipo II – Freguesia de Santo António

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