Da Travessa do Convento à Rua Câmara Pestana

na «Ilustração Portuguesa» em 1905

na Ilustração Portuguesa em 1905

Hoje é o 150º aniversário de Câmara Pestana que deu nome à Travessa do Convento de Santana por Edital de 05/12/1901, confirmada por Edital de 17/10/1924, na própria artéria do Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana o qual também mereceu topónimo pelo Edital de 13/08/1918, para substituir a Rua do Convento de Santana.

A Travessa do Convento das Freiras de Santana por edital municipal de 08/06/1889 passou a denominar-se Travessa do Convento de Santana. Posteriormente, por Edital de 05/12/1901 pode ler-se «que a Travessa do Convento de Sant’Anna, onde está construído o Instituto Bacteriológico, passa a ter a denominação de Rua Camara Pestana», topónimo que foi ainda confirmado pelo Edital de 17/10/1924: «Que se confirme a designação de rua Camara Pestana, dada à travessa do Convento de Santa Ana e a de rua Instituto Bacteriologico que obteve a rua do Convento de Santa Ana, uma e outra assim designadas em sessão de 21 de Novembro de 1900. (…)».

Luís da Câmara Pestana (Funchal/28.10.1863 – 15.11.1899/Lisboa), que faleceu aos 36 anos vítima da peste bubónica da Ribeira do Porto, que combatia com o seu trabalho no tratamento e na investigação desta doença, foi um médico e investigador que concluiu o curso de Medicina em 1889 com a tese «O micróbio do carcinoma». A partir de 1890 foi professor da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, regendo as cadeiras de Higiene, de Medicina Legal e de Anatomia Patológica. Em 1891 foi enviado a Paris para aprofundar os estudos de bacteriologia e tomar conhecimento dos mais recentes trabalhos de Koch na prevenção e tratamento da tuberculose tendo  também estagiado no Instituto Pasteur, onde aprendeu o processo da vacina anti-rábica.

Criou em 1892 o Real Instituto Bacteriológico de Lisboa que acabou por receber o seu nome no ano da sua morte, por proposta dos estudantes da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Nesse ano houve um surto de febre tifóide em Lisboa e arredores e, Câmara Pestana foi encarregado da análise das águas de Lisboa, escolhendo Aníbal Bettencourt para seu assistente e, com os mais recentes aparelhos requisitados ao estrangeiro instalaram-se numa enfermaria do Hospital de S. José que acabou por dar origem ao Instituto Bacteriológico de Lisboa, por decreto de 29 de dezembro de 1892, com Câmara Pestana como seu primeiro director.

Enquanto investigador, professor e clínico revolucionou a medicina em Portugal e deixou  uma vasta obra de que se destacam: O Tétano (1892), Etiologia da febre tifóide (1894), Relatórios sobre a epidemia de Lisboa (1894), A Raiva em Portugal  (1896, em colaboração com Miguel Bombarda), A sôrotherapia  (1898). Câmara Pestana escreveu ainda em diversas publicações científicas e foi o fundador da Revista de Medicina e Cirurgia (1894-1895) e dos Archivos de Medicina(1897-1898).

Conta-se que antes de falecer no Hospital de Arroios Câmara Pestana declarava para os colegas que o visitavam que « Há casos, meus caros amigos, nos quais os meios empregados pelos padres, indus ou árabes, ou os métodos da ciência moderna, dão o mesmo resultado. É o meu caso, podem ver».