Postal da Rua da Boavista

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

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A Praça dos Restauradores de 1640

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior                                                          (Foto: Artur Matos)

Na proximidade do 1º Dezembro, data da Restauração da Independência Nacional  em 1640, recordamos o topónimo dado pela edilidade lisboeta presidida por José Gregório da Rosa Araújo à « nova praça que fica limitada do lado do nascente e do lado do poente pelos predios do antigo largo do Passeio Publico e de parte das antigas ruas Oriental e Occidental do Passeio Publico, do lado do norte pela recta que une os cunhaes formados na juncção da rua dos Condes e da calçada da Gloria com as duas ruas acima referidas, e do lado do sul pela cortina da rua do Jardim do Regedor e pelos predios do antigo largo do Passeio Publico», conforme refere o Edital de 22/07/1884. 

Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa», vol. XIV), refere  que «Em 1886 ergueu-se êste monumento aos Restauradores, justificando o terrapleno do chão iniciado em 7 de Dezembro de 1882; desapareceu a poente, isto é: à esquerda, a quinta dos Castelo Melhor, que fôra Cêrca dos padres jesuítas de S. Roque».

Nas proximidades desta Praça dos Restauradores  existe ainda a Rua Primeiro de Dezembro, atribuída  em 7 de Agosto de 1911, por ser uma data significativa para os republicanos e tanto mais que  a bandeira da República Portuguesa foi apresentada oficialmente ao país e hasteada pela 1ª vez no dia 1º de Dezembro de 1910, junto ao monumento dos Restauradores.

Placa Tipo II

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo II – (Foto: Artur Matos)

Da Quinta do capitão à Travessa do Machado

Freguesia da Ajuda

Freguesia da Ajuda

A Travessa do Machado que começa e termina na Rua do Machado, na freguesia da Ajuda, guarda a memória da Quinta que ali existia nos fins do séc. XVIII e se estendia até ao Alto das Pulgas, propriedade do capitão Manuel Rodrigues Machado, que prestava serviço na Casa Real, conforme esclarece Luís Pastor de Macedo  na sua «Lisboa de Lés a Lés».

Esta Travessa do Machado faz parte de um conjunto de 55 topónimos nascidos da deliberação camarária de 21/09/1916 e do consequente edital de 26/09/1916, a partir de um pedido da Junta de Freguesia da Ajuda. O Edital refere que estes topónimos  resultam do facto de «tendo em consideração o justo pedido da Junta de freguesia da Ajuda, sobre a nomenclatura das ruas da mesma freguesia e que não existe no arquivo municipal documento algum pelo qual se possa certificar a data da denominação das referidas vias públicas, que pertenceram ao extinto Concelho de Belém, visto que quando da sua anexação ao de Lisboa não foi entregue a escrituração comprovativa das deliberações referentes a essa nomenclatura, deliberou que as seguintes vias públicas da mencionada freguesia sejam designadas pela forma abaixo indicada (…)».

Refira-se que na Freguesia de Carnide também existe uma  Travessa e uma Rua do Machado, atribuídas por deliberação camarária de 10/07/1919  e edital de 19/07/1919, cuja origem também radica  no facto de ter existido neste sítio uma Quinta do Machado, cuja casa de feição setecentista foi reconstruída por volta de 1870.

Placa Tipo II

Placa Tipo II

A mãe do teatro independente num Largo da Quinta dos Barros

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV

Luzia Maria Martins, encenadora por muitos considerada  a mãe do teatro independente português, desde o ano seguinte ao seu falecimento (Edital de 26/06/2001) dá o seu nome a um Largo que  provisoriamente  era referido como Rua C à Rua Virgílio Correia da Quinta dos Barros.

Luzia Maria Martins (Lisboa/27.05.1927 – 13.09.2000/Lisboa),  filha do cenógrafo Reinaldo Martins, foi uma grande figura do teatro português, destacando-se como encenadora, dramaturga e actriz. O  seu primeiro palco foi o  Politeama que pisou aos 6 anos e, aos 26 anos abalou para Londres, porque Portugal «era uma chatice» e, nessa cidade estudou teatro ao mesmo tempo que trabalhava para a BBC, como locutora e produtora das Secções Portuguesa e Brasileira, voltando de lá 11 anos depois com a também actriz Helena Félix, com quem e mais Valentina Trigo de Sousa, fundou no  Teatro Vasco Santana na Feira Popular de Lisboa, a companhia Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira de teatro independente de Lisboa, através do qual deu a conhecer novos autores contemporâneos, particularmente anglo-saxónicos que ela própria traduziu, conjunto de que salientamos Arnold Wesker, David Storey, Edward Bond, Giraudoux, John Osborne, Marguerite Duras, Maxwell Anderson, Peter Shaffer, Rafael Alberti,  Roger Vitrac, Strindberg, Tchekov, Terence Rattigan, Thornton Wilder, Vaclav Havel e ainda, os portugueses Sttau Monteiro, Fernando Luso Soares e Prista Monteiro. Luzia Maria Martins usou também várias obras da sua autoria, a primeira das quais, o drama narrativo «Bocage, Alma Sem Medo», estreado com êxito em 1967 e logo proibido pela Comissão de Censura. Seus foram também o espectáculo baseado em Shakespeare – «Anatomia duma história de Amor» (1969), a adaptação do «Cândido» de Voltaire (1973), a crónica «Lisboa 1972-74» (1974) onde apareceu pela primeira vez a canção Uma Gaivota Voava, Voava cantada por Ermelinda Duarte, «Trapos e Rendas» (1975), «Tema e Variações» (1978) sobre a vida de Raul Brandão, «Quando a Banda Tocar» (1979) e «O Homem que julgava ser Camões» (1980). Com a extinção do TEL em 1991, Luzia Maria Martins ainda regressou ao palco do D. Maria II, em Abril de 1998, para interpretar o monólogo «Frida e a Casa Azul» , dedicado à pintora Frida Kahlo.

Freguesia de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica

A Rua do autor do «Zé Brasileiro» no seu 90º aniversário

Placa Tipo IV

Placa Tipo II

Faz hoje 90 anos que nasceu Vasco de Lima Couto, autor da conhecida letra «Zé Brasileiro Português de Braga» e, que em Lisboa dá nome à rua que era o Impasse 3 do Bairro dos Sete Céus, desde a publicação do Edital de 30/01/1987.

O topónimo nasceu por sugestão de uma carta de Manuel Cabaço, sugerindo os nomes de Vasco de Lima Couto, Adriano Correia de Oliveira,  Maria Júdice da Costa, João Lourenço Rebelo, Joaquim Cordeiro e António Aleixo, para identificarem os arruamentos do Bairro dos Sete Céus. O Edital de 30/01/1987 fixou nos arruamentos do Bairro, para além Vasco de Lima Couto,  os nomes do compositor João Lourenço Rebelo, do fadista Joaquim Cordeiro, da cantora Maria Júdice da Costa e dos poetas Ruy Cinatti e António Aleixo.

Vasco de Lima Couto (Porto/26.11.1923 – 10.03.1980/Lisboa) foi  um actor, encenador e poeta que nos palcos se estreou em 27 de Março de 1947 pela mão de Alves da Cunha. A 13 de Março de 1951 entrou para a Companhia Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, passando mais tarde também pelo TEP – Teatro Experimental do Porto (1952), Teatro da Câmara – Estufa Fria, Teatro da Trindade (1966) e o Teatro Estúdio de Lisboa (1967).  Ido para Angola colaborou em programas de rádio como «Cantar de Amigo» dedicado à divulgação da poesia portuguesa e, regressado em 1974, trabalhou no Teatro da Cornucópia e na Companhia do Maria Matos, tendo representado em mais de 40 peças.

As suas primeiras letras de fado foram feitas para José Manuel Osório e, depois escreveu também para Amália, Beatriz da Conceição, Carlos do Carmo, Lenita Gentil, Max, Simone de Oliveira e Vasco Rafael, entre outros. Ao longo da sua vida, Lima Couto publicou diversos títulos de poesia como «Arrebol» (1943), «Recado Invisível» (1950), «O Silêncio Quebrado» (1959), «Esta contínua saudade…» (1974), «Canto de Vida e de Morte» (1981) e, em 1975, gravou o seu 2º disco de poesia com poemas da sua autoria e o single «Erotica», com os poemas ditos pelo próprio autor e música de Duarte Costa, onde se incluem «A voz perto de Mim», «O Futuro é Hoje», «Para ver se te Desprezo», «Adolescente», «Felatio», «Posse» e «Realmente não».

O seu espólio está reunido em Constância, na casa onde viveu os seus últimos 4 anos de vida, e que hoje é a Casa Museu Vasco de Lima Couto,  palacete que desde 1976 era propriedade de José Ramoa Ferreira, «o Zé Brasileiro, português de Braga» nos versos com que Vasco de Lima Couto concorreu ao Festival da Canção em 1971.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

O Cunhal das Bolas de um Palácio de conjecturas

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

O topónimo Cunhal das Bolas é certo derivar do antigo Palácio do Cunhal das Bolas, construção de estética quinhentista e ostentação fora do comum no Bairro Alto, cuja origem continua a ser um rol de conjecturas de vários estudiosos.

O cunhal como elemento dos prédios aparece na origem do Bairro Alto intimamente ligado a um desenho urbano composto por pequenos quarteirões, numa malha ortogonal que é a antítese da cidade medieval e, o Palácio do Cunhal das Bolas é uma incógnita nunca resolvida. A planta sugere que o Palácio seja anterior ao Bairro Alto de São Roque, tanto mais que a sua estética quinhentista dos cunhais de bolas destacam uma grandiosidade  pouco comum no bairro. A panorâmica de Lisboa do século XVI de Bráunio apresenta no alto do Bairro Alto um grande palácio-castelo de aparência medieval com pátio central que tem afinidades de localização e embasamento com o Palácio do Cunhal das Bolas. Júlio de Castilho escreve que o palácio teria sido construído por um judeu muito rico, que pretendera imitar a Casa dos Bicos. E Norberto Araújo também refere que houve uma tradição fantasiosa que narrava que as meias bolas teriam sido de ouro.

Seguro é que o núcleo primitivo do Palácio das Bolas é do séc. XVI. Que em 1696, esteve o palácio arrendado ao 3º Conde da Ericeira, que aí promoveu serões literários e culturais. Que nos finais do séc. XVIII e princípios do XIX aqui esteve instalado o Geral do Cunhal das Bolas, destinado ao ensino secundário  e, onde foi aluno António Feliciano de Castilho (entre 1810 e 1815) e, mais tarde, em 1848, o Colégio de Madame Lima. Certo é também que o palácio foi alvo de uma reedificação no séc. XVII, quando pertencia a um ramo da família Melo e Castro, sendo que em 1866 D. Maria-Rosa de Melo e Castro vendeu o Palácio ao Governo Imperial Francês para lá ser instalado o Asile de Saint-Louis e, que ainda hoje é o Hospital de S. Luís dos Franceses.

Cunhal das Bolas na década de 40 do séc. XX (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cunhal das Bolas na década de 40 do séc. XX
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida do homem honrado que promoveu a aclamação do Mestre de Avis

Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas

Álvaro Pais, figura determinante na crise de 1383-85 para a aclamação do Mestre de Avis como defensor do Reino, dá nome a uma Avenida que era a Rua A do estudo de Urbanização de uma zona a Norte da Estação Ferroviária do Rego, situada hoje entre as Avenidas das Forças Armadas e a Cinco de Outubro, desde a publicação do Edital de 18/09/1972.

Este topónimo resulta do parecer favorável da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, na sua reunião de 11 de Setembro de 1962, a um despacho do Presidente da Câmara «sobre a atribuição do nome de Álvaro Pais a um arruamento de relativa importância, de forma a permitir a erecção de uma estátua que vai ser encomendada» e, sugerindo para o efeito «o arruamento em construção, compreendido entre as Avenidas Vinte e Oito de Maio [hoje, Avenida das Forças Armadas] e Cinco de Outubro».

Álvaro Pais perpetuado com a legenda «Chanceler – Mor/Séculos XIV e XV», recorda a figura do «homem honrado de boa-fazenda» de Lisboa, funcionário de D. Pedro I e depois, de D. Fernando, que gozava de grande prestígio entre o povo e, assim contribuiu de forma determinada para que fosse proclamado defensor do Reino o Mestre de Avis. Terá desempenhado uma acção importante para o levantamento popular subsequente ao assassínio do Conde Andeiro, que se presume também ter sido uma conjura de inspiração sua. Na «Crónica de El-Rei D. João», Fernão Lopes conta :

«O pajem do Mestre, que estava à porta, a quando lhe disseram que fosse pela vila, segundo já estava preparado, começou a ir rijamente a galope, em cima do cavalo em que estava, dizendo a altas vozes, bradando pela rua: Matam o Mestre! Matam o Mestre nos paços da rainha! Acudi ao Mestre que o matam! ? E assim chegou a casa de Álvaro Pais, que era dali grande espaço. As gentes que isto ouviam saíam à rua a ver que cousa era. E, começando a falar uns com os outros, alvoroçava-se-lhes o coração, e começavam a tomar armas cada um como melhor e mais depressa podia. Álvaro Pais, que estava prestes e armado com uma coifa na cabeça, segundo uso daquele tempo, cavalgou logo à pressa em cima de um cavalo, apesar de que anos havia que não cavalgara, e todos os seus aliados com ele, dizendo em brados a quaisquer que achava: ? Acudamos ao Mestre, amigos, acudamos ao Mestre, que é filho de el-rei D. Pedro! ? E assim bradavam ele e o pajem indo pela rua.»

 Refira-se ainda que Álvaro Pais casou em segundas núpcias com D. Sentil Esteves, mãe de João das Regras.

O Jardim Alice Cruz no Dia Mundial da Televisão

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Freguesia de São Domingos de Benfica                                                                              (Foto: José Carlos Batista)

 

Neste Dia Mundial da Televisão que hoje se comemora recordamos a locutora Alice Cruz que desde 1995, por proposta do então vereador da Cultura, Dr. João Soares, dá nome a um Jardim de São Domingos de Benfica,  junto à Rua Padre Francisco Álvares ( Edital municipal de 17/02/1995).

De seu nome completo Maria Alice Amorim Cruz (Póvoa de Varzim/30.01.1940 – 10.06.1994/Lisboa) ficou na memória dos portugueses como apresentadora da RTP, onde se estreou em 1963, no programa Presença no Ultramar. No entanto, só quatro anos depois ingressou nos quadros da RTP, onde já apresentava a rubrica Ponto de Vista. E em 1970 impôs-se como uma das caras mais conhecidas e respeitadas da televisão portuguesa, para o que muito contribuiu a apresentação do programa recreativo A Hora do Almoço com que a RTP estreou as emissões naquele período do dia, alternando a apresentação entre Alice Cruz, Ana Zanatti e Linda Bringel. Passados dois anos, Alice Cruz passou a apresentar o popular programa Domingo à Noite, gravado no Teatro Maria Matos, com números musicais, de bailado e, de humor, protagonizados por Florbela Queirós e Norberto de Sousa, tendo partilhado a apresentação com Henrique Mendes, Eládio Clímaco e Maria Margarida. Foi também neste ano de 1972 que pela primeira vez Alice Cruz apresentou o Festival RTP da Canção, juntamente com Carlos Cruz. No ano seguinte,  ao lado de Artur Agostinho participou no programa de entrevistas O Tempo em que Você Nasceu e, a partir daí, foi sempre uma presença assídua na RTP, tanto na apresentação de programas de entretenimento como de concursos.

Alice Cruz havia começado a sua carreira em Angola, primeiro como locutora da Emissora Católica e, a partir dos 18 anos, na Emissora Oficial de Angola, onde faz reportagem, entrevistas, teatro radiofónico e produção de programas, sendo de destacar o programa Chá das Seis que apresentava.

Para além da televisão, Alice Cruz também colaborou com os Parodiantes de Lisboa, com a Antena 1 onde apresentou Felizmente há Domingos, com o jornal Tal & Qual onde assinava a rubrica «Querida Alice» e, de 1988 a Maio de 1991 acumulou as funções de locutora com as de directora da revista feminina Guia. Faleceu aos 54 anos no Hospital de Santa Maria em Lisboa, vítima de um atropelamento em Sobral de Monte Agraço.

Placa Tipo IV

Freguesia de São Domingos de Benfica – Placa Tipo IV                         (Foto: José Carlos Batista)