No 1º aniversário desta página o olisipógrafo Vieira da Silva

Freguesia de Arroios - Placa Tipo II

Freguesia de Arroios – Placa Tipo II

Hoje completa-se o 1º ano da Toponímia de Lisboa no Facebook e em blogue pelo que escolhemos para esta data um artigo sobre a Rua Engenheiro Vieira da Silva, que homenageia um olisipógrafo que foi membro da 1ª Comissão Consultiva Municipal de Toponímia em 1943.

Este topónimo foi atribuído por Edital municipal de 22/06/1956 num troço da Rua das Picoas,  compreendido entre a Praça José Fontana e a Avenida Fontes Pereira de Melo, sendo que a Rua das Picoas fora antes  Estrada das Picoas e, ainda antes o sítio do Estevão das Picoas. A legenda «Olisipógrafo/1869 – 1951» é que só foi acrescentada mais tarde, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia, emitido na sua reunião de 04/12/1992.

Augusto Vieira da Silva nasceu em Lisboa, no Bairro Alto, no dia 10 de Setembro de 1869 e nesta mesma cidade faleceu, 81 anos volvidos, a 2 de Fevereiro de 1951. A Comissão de Toponímia aprovou um voto de profundo pesar pelo seu falecimento na sua reunião de 26 de Fevereiro de 1951.

O Eng.º Augusto Vieira da Silva foi membro da 1ª Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, empossada em 1943 e nela se manteve até ao final da sua vida.  Logo na 2ª reunião da Comissão, Vieira da Silva defendeu a numeração das ruas de Lisboa, em paralelo com a denominação atribuída já que, na sua opinião, «o público obteria grandes facilidades que, por vezes, resultariam em benefícios monetários, como por exemplo, a redução dos endereços telegráficos». Enquanto membro da Comissão também propôs que ao efectuar-se a alteração do nome de uma rua «lhe parecia ser da máxima conveniência dar ao facto a maior publicidade».

Vieira da Silva já desde 1938 integrava a Comissão Municipal de Arte e Arqueologia municipal e, segundo Jaime Lopes Dias, que foi Director dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara, «não houve comissão de festas ou de interesse citadino da responsabilidade do município de que o Eng. Augusto Vieira da Silva não fizesse parte. Assim, nas Comemorações Centenárias de Lisboa, nas festas dos Santos Populares e em diversos júris de apreciação de obras culturais.»

Desde muito novo que Augusto Vieira da Silva se dedicara ao estudo da história militar de Lisboa – tinha-se formado em Engenharia Militar na Escola do Exército – e, foi também o 1º presidente do Grupo Amigos de Lisboa, em 1936. A sua ligação a Lisboa traduziu-se tabém num apaixonado coleccionismo sobre a cidade, espólio que a CML adquiriu em 1953 e que veio a constituir o núcleo principal do Gabinete de Estudos Olisiponenses . Foi ainda o 1º Director do Museu da Cidade, quando este foi criado em 1922, no Carmo, para além de ter pertencido à Associação dos Arqueólogos Portugueses, onde desempenhou os cargos de vice presidente (1925-28) e de presidente (de 1928 até à sua extinção), na Secção de Estudo Olisiponenses.

Como estudioso de Lisboa seguiu Júlio de Castilho, mas abriu caminho para a inovação, como sintetizou o Prof. Orlando Ribeiro, em texto de 1945: « a reacção no sentido da objectividade de um tratamento científico, e não literário, destes assuntos, se deve precisamente ao mais notável continuador de Castilho, o Eng.º Vieira da Silva, considerado com toda a justiça como o primeiro olisipógrafo actual.»  Vieira da Silva era também membro da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História, sendo de destacar como suas obras principais «O Castelo de São Jorge» (1898), «A Cerca Moura de Lisboa: estudo histórico-descritivo» (1899), «Judiaria Velha de Lisboa» (1900), «A Judiaria Nova e as Primitivas Tercenas de Lisboa» (1901), «Os bairros de Lisboa» (1930),  « As Termas Romanas da Rua da Prata, em Lisboa» (1934),  «A Cerca Moura de Lisboa e o esteiro do Tejo na Baixa» (1939), os 2 volumes de «As Muralhas da Ribeira de Lisboa» (1941), «Chafarizes monumentais e interessantes de Lisboa desaparecidos (1942), « As freguesias de Lisboa: estudo histórico» (1943), «Epigrafia de Olisipo» (1944), os 2 volumes de «A Cerca Fernandina de Lisboa» (1948-49), «Fantasias sobre a origem do nome de Lisboa» (1949) e, os 3 volumes de «Dispersos»(1954-60).

Em 1934, Vieira da Silva recebeu a medalha de ouro de mérito municipal e em 1943, o prémio Júlio de Castilho.

Foto de Augusto Vieira da Silva inserida no volume I de «Dispersos» (1954)

Foto de Augusto Vieira da Silva inserida no volume I de «Dispersos» (1954)

10 thoughts on “No 1º aniversário desta página o olisipógrafo Vieira da Silva

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  10. XXXXXXXXXX Amigos: C vai uma ligeirssima correco: no texto sobre Vieira da Silva, fala-se da “Associao dos Amigos de Lisboa” – que no existe! O nome posto instituio em 1936 e que nunca foi alterado GRUPO “AMIGOS DE LISBOA” (assim, com aspas e tudo…). Para meu desgosto e de alguns fiis verdade, at j vai havendo membros da Junta Directiva do Grupo que nem sabem bem o nome daquilo que dirigem – e chamam-lhe tambm Associao. Coisas… Gostaria de ter os endereos electrnicos dos amigos Antnio Adriano e Paula Machado. Pode ser? Saudaes alfacinhas do Appio Sottomayor XXXXXXXXXX Date: Sat, 2 Nov 2013 06:33:34 +0000 To: appiosottomayor@hotmail.com

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