O Largo de Roque Laia no seu 110º aniversário

Freguesia do Areeiro

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Passa hoje o 110º aniversário de nascimento de Roque Laia, advogado que tinha muito orgulho em ter sido professor primário e que Lisboa consagra num Largo, constituído pelo lote A entre a Rua Américo Durão e a Rua A da Urbanização das Olaias,  desde há 16 anos, através da publicação do Edital de 11/07/1997.

Mariano dos Santos Roque Laia (Lisboa/08.11.1903 – 02.12.1996/Lisboa) que nasceu na antiga Freguesia dos Anjos, foi um professor primário e universitário, para além de advogado que se distinguiu particularmente na defesa dos presos políticos e pelo seu «Guia das Assembleias Gerais» (1957) que almejou 9 edições e que é obra de referência nesta área do Direito.

A partir de 1920 ensinou na Escola nº 1 ligada à Voz do Operário assim como na Casa Pia de Lisboa e, nos anos de 1974 e 75 foi professor extraordinário da Faculdade de Direito de Lisboa, das cadeiras de Direito Penal e de Processo Penal, bem como do curso semestral de Direito do Inquilinato. Leccionou ainda um curso sobre Assembleias Gerais no Instituto de Altos Estudos Militares após o 25 de Abril de 1974.

Mariano Roque Laia foi também um dos 43 advogados que mesmo sem direito a vencimento defendeu presos políticos presentes a Tribunais Militares e Tribunais Plenários no período do Estado Novo, como Manuel João da Palma Carlos, Salgado ZenhaVasco da Gama FernandesDuarte Vidal, Macaísta Malheiros, Joaquim Mestre, Jorge Sampaio, Victor Wengorovius ou Mário Soares, tendo estado por exemplo no célebre «Julgamento dos 100» no Castelo de S.Jorge ou no julgamento do assalto ao quartel de Beja realizado no último dia do ano de 1961.

Roque Laia publicou mais algumas dezenas de obras, a maioria sobre Inquilinato, como « As últimas leis sobre o inquilinato urbano» (1975) e, entre as quais se destacam a sua «Sinopse do Código de Processo Civil» (1963) e, em 1974 fez 6 programas televisivos sobre Assembleias Gerais. Durante mais de 30 anos chefiou os serviços jurídicos da Associação dos Inquilinos Lisbonenses e, representou também várias associações e colectividades como, por exemplo, a Federação Portuguesa de Campismo, a Unicoope, a Sociedade Protectora dos Animais ou o Clube Estrela.

Como cidadão, Mariano Roque Laia era um republicano maçónico, sem qualquer filiação partidária que após o 25 de Abril de 1974 foi candidato independente pela UDP a deputado e a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Largo roque-laia 33

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