Pombal e a Imprensa Nacional numa rua de Lisboa

Freguesia da Misericórdia e de Santo António

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

A Rua da Imprensa Nacional nasceu de uma decisão da Câmara Municipal  de 1880 para renomear a Travessa do Pombal e nela homenagear a Impressão Régia criada pelo Marquês de Pombal em 1768,  com a missão de «animar as letras e levantar uma impressão util ao publico pelas suas produções, e digna da capital destes reinos».

Segundo documentos escritos (de 1785 e de 1804) terá residido nesta artéria o  3º Marquês de Pombal e, daí terá nascido o topónimo Travessa do Pombal que a publicação do Edital municipal de 29/12/1880 transformou em Rua da Imprensa Nacional, na sequência da Deliberação Camarária de 27/12/1880.

A Impressão Régia, também chamada Régia Oficina Tipográfica e, a partir de 1833, Imprensa Nacional, foi criada pelo Marquês do Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo) por alvará de 24 de Dezembro de 1768, o qual ditava que deveria “fazer-se útil e respeitável pela perfeição dos caracteres e pela abundância e asseio das suas impressões” . Começou a funcionar no ano seguinte, à Cotovia, zona de Lisboa em pleno desenvolvimento industrial pós-Terramoto, após a aquisição dos equipamentos tipográficos de Miguel Manescal da Costa e, do arrendamento do palácio de D. Fernando Soares de Noronha (que acabou por ser comprado por 16 contos de réis em 1816), na então Rua Direita da Fábrica das Sedas, quase defronte do Colégio dos Nobres e que hoje conhecemos como Rua da Escola Politécnica. A entrada fazia-se pela artéria que é também hoje a Rua da Imprensa Nacional. Em 1895 o antigo prédio foi demolido e construído no local um novo, por fases,  cujas obras só se concluíram em 1913.

A Impressão Régia foi, nos termos do Alvará, «unida a fabrica dos caractéres que até agora esteve a cargo da Junta do Commercio», fundada em 1732 por Jean de Villeneuve.  O seu 1º «abridor de estampas» foi Joaquim Carneiro da Silva e, entre 1802 e 1815, foi Francesco Bartolozzi. Um dos seus primeiros trabalhos foi o de imprimir cartas de jogar, já que em Julho de 1769 foi incorporada na Impressão Régia a Fábrica de Cartas de Jogar e Papelões, monopólio que terminou em 1832. E indissociável da sua história é a publicação do «Diário da República», que começou por se designar «Gazeta de Lisboa» (1715) e depois, sucessivamente, «Diário do Governo» (1820), «Diário da Regência» (1821), «Diário do Governo» (1821- 1823), «Gazeta de Lisboa» (1823 – 1833), «Crónica Constitucional de Lisboa» rapidamente encurtado para «Crónica de Lisboa» (1833 – 1834), «Gazeta Oficial do Governo» e «Gazeta do Governo» (1834), «Diário do Governo» (1859), «Diário de Lisboa» (1860 – 1868) e «Diário do Governo» (1869 – 1976).

Gerida até 1801 pela Conferência, sob a tutela, sucessivamente, da Junta do Comércio (1768), da Junta de Administração das Fábricas do Reino e Águas Livres (1778), da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros (1788) e, finalmente, do Presidente do Real Erário (1801), a partir desta data e até 1810, a Impressão Régia foi administrada por uma Junta Económica e Administrativa, coadjuvada por uma Junta Literária, composta por quatro professores régios, que devia decidir acerca das obras a serem publicadas. Em 1810, recebe nova reforma administrativa, ficando sob a gestão de um único administrador, Joaquim António Xavier Anes da Costa, até 1833. Depois de uma fase de instabilidade política, de 1833 a 1838, em que conheceu três administradores, Rodrigo da Fonseca Magalhães, António de Oliveira Marreca e José Liberato Freire de Carvalho, à frente de uma Comissão Administrativa que integrava João Vieira Caldas e Gaspar José Marques, a Imprensa Nacional foi sucessivamente gerida por dois irmãos, José Frederico Pereira Marecos, de 1838 a 1844, e Firmo Augusto Pereira Marecos, de 1844 a 1878. Em 1910, com o advento da República, tomou posse do lugar Luís Derouet, que em 1927 foi assassinado à porta do edifício por um tipógrafo desempregado, apesar de a sua administração ter criado desenvolvimento social com a Cooperativa A Pensionista (1913), a Caixa de Auxílio a Viúvas e Órfãos (1918) e, a Previdência Mútua (1923). Em 1969, a Imprensa Nacional passou a empresa pública pelo Decreto-Lei nº 49476 e, finalmente, em Julho de 1972, funde-se com a Casa da Moeda.

Placa Tipo II

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2 thoughts on “Pombal e a Imprensa Nacional numa rua de Lisboa

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