A Rua Áurea dos ourives pombalinos

A Rua Áurea em 1900

A Rua Áurea em 1900
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Áurea, conhecida como Rua do Ouro, é uma das artérias da Baixa pombalina que consta da Portaria de 5 de Novembro de 1760, aquela que  inaugurou em Lisboa a prática da atribuição de nomes de ruas por Decreto e, assim é o primeiro diploma de toponímia.

D. José I fez publicar a Portaria na qual se estabelece a denominação dos arruamentos da Baixa lisboeta, reconstruída com ruas largas sob o plano moderno de Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, «entre as Praças do Comercio e a do Rocîo», ao mesmo tempo que regulamenta a distribuição dos ofícios e ramos do comércio pelas diferentes 14 artérias: «Rua Nova d’El Rey [hoje, Rua do Comércio], Rua Augusta, Rua Áurea, Rua Bella da Rainha [hoje, Rua da Prata], Rua Nova da Rainha [hoje Rua dos Fanqueiros], Rua dos Douradores, Rua dos Correeiros, Rua dos Sapateiros, Rua de S. Julião, Rua da Conceição, Rua de S. Nicolau, Rua da Victoria, Rua da Assumpção e Rua de Santa Justa». Para a Rua Áurea determinava que nela se instalassem os ourives da cidade e, que nas lojas que sobrassem ficassem relojoeiros e, volanteiros, que apresentavam artigos variados.

Já na 2ª metade do século XVI, Lisboa tinha uma Rua Nova dos Ourives ou Rua dos Ourives do Ouro, ou ainda Rua Ourivesaria do Ouro, aberta sobre um antigo esteio do Tejo que D. João II mandou parcialmente tapar, talvez situada na área hoje ocupada pelas ruas de São Nicolau e de São Julião e , após o Terramoto, nasce a nova Rua Áurea, rasgada e integrada no todo simétrico a que chamamos a Baixa Pombalina.

Curioso é que a Rua do Ouro novecentista tenha também albergado diversos estabelecimentos bancários: o Monte Pio dos Empregados Públicos (1840), o Banco de Portugal (na última metade do séc. XIX) e, o Banco Lisboa & Açores (1907).

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

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