A Esperança numa rua da Madragoa

(Foto de Alexandra Aníbal) Freguesia da Estrela

(Foto de Alexandra Aníbal)
Freguesia da Estrela

Na Madragoa vive a Rua da Esperança, provavelmente desde o século XVI, nascida da piedade de gentes do mar, e que após o  Terramoto de 1755 teve um alívio de trânsito pela abertura da Calçada Marquês de Abrantes.

Sobre a Rua da Esperança, informa-nos Norberto Araújo (Peregrinações em Lisboa, vol. VII) que « Esta Rua da Esperança, com carácter bairrista, despido de pitoresco, mas expressivo – e que deve seu nome ao nobre Convento da Esperança de que falarei abaixo – foi reconstruída depois do Terramoto; dela saem, pelo lado Norte, agora à nossa esquerda, a Calçada do Castelo Picão, a Travessa das Izabéis, e a Travessa do Pasteleiro, bizarras e populares, que vão dar ao coração da Madragoa, e pelo lado Sul a já citada Travessa dos Barbadinhos».

O Convento da Esperança que deu o seu nome ao arruamento era afinal o Convento de Nossa Senhora da Piedade mas Norberto Araújo explica como se alterou a denominação:  «Em 1530 D. Izabel de Mendanha (…) fundou neste sítio um Convento de Nossa Senhora da Piedade (…) a que se acrescentava “da Boa Vista”, porque ficava neste sítio [ era popularmente conhecido como Mosteiro da Piedade da Boavista]. (…) Mas, Dilecto, dirás tu: se o Mosteiro era de Nossa Senhora da Piedade porque passou a ser, e ainda é hoje, na sua memória, “da Esperança”? Pois sempre te quero contar e vale a pena. Êste sítio era, à borda do rio, muito de marítimos. E os homens do mar foram sempre dados a devoção, (…) Constituíram uma irmandade de pilotos e mestres náuticos intitulada de Nossa Senhora da Esperança. Prosperou de tal forma que se tornou o fulcro devoto do Convento; a gente plebeia do mar absorveu em seu prestígio a classe nobre a que o Mosteiro estava ligado. (…) E o Mosteiro deixa de ser chamado da Piedade – da nobreza que o fundara -, para passar a ser da Esperança – dos marinheiros que a êle se achegaram.».

No século XVII eram célebres os queijinhos de espécie e o bolo podre das freiras do Convento da Esperança, edifício que foi demolido em 1889 e, em cujos terrenos foi erguido o Quartel de Sapadores de Bombeiros de Lisboa. Refira-se ainda que o Almirante Gago Coutinho morou no  2º andar do n.º 164 desta artéria.

[Agradecemos a  Alexandra Aníbal a gentil cedência da fotografia]