A Rua Nova que Rui Fernandes Almada mandou abrir

Placa Tipo III (Foto: Artur Matos)

Placa Tipo III
(Foto: Artur Matos)

A Rua Nova do Almada foi uma artéria mandada abrir por Rui Fernandes de Almada,  que era então o presidente do Senado da Câmara de Lisboa e, em honra do qual a Câmara excepcionalmente decidiu  denominá-la Rua Nova do Almada, em 1665.

Foi esta artéria remodelada após o terramoto de 1755 e o topónimo teve direito a carta de lei em 17 de Junho de 1787O nome “Rua Nova” também resultou da necessidade de desambiguação com a Rua do Almada na freguesia de São Paulo.

Rui Fernandes de Almada, nascido cerca de 1600,  foi um fidalgo que exerceu os cargos de presidente do Senado Municipal e de provedor da Casa da Índia, tendo neste último a  suceder-lhe o seu filho Cristóvão de Almada, tendo sido também Governador e capitão geral de Mazagão..

A abertura da Rua Nova do Almada foi notícia na época, como se pode ler no Mercúrio Português de Maio de 1665: «e porque o cuidado da guerra [da Restauração] não embaraça o do Governo político, em 13 deste mês se começou, em Lisboa, a abrir uma formosa Rua, de 30 a 35 palmos de largura, que começa na Rua da Calcetaria e sai ao Espírito Santo, muito convenientemente para formosura e serventia do Bairro Baixo para o Alto da cidade e sobe tão invisível, e sensivelmente, que quase parece que tudo fica plano. Por esta razão, há muitos anos que era desejada e se intentou. Nunca se conseguiu porque era necessário comprar, e derrubar muitas casas que, naquele lugar, faziam vários becos estreitos, conforme a fábrica antiga das cidades. Pode-se conseguir, com a resolução que tomou Rui Fernandes de Almada, que entrou a ser presidente do Senado da Câmara, e por memória, ao autor da obra tão útil, quis o Senado que a Rua ficasse com o seu nome e se chama a rua Nova do Almada”.

Esta artéria foi morada da Igreja da Conceição Nova até aos anos 50 do século XX, quando foi demolida para dar lugar ao edifício da  Caixa Geral de Depósitos, assim como dos estabelecimentos comerciais Eduardo Martins, Valentim de Carvalho, Casa Batalha e Pastelaria Ferrari, desaparecidos sob o efeito do incêndio de 25 de Agosto de 1988.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Artur Matos)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

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