A rua do Primeiro-Ministro assassinado na Noite Sangrenta

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

Pelo Edital municipal de 12/03/1932 foi o nome de António Granjo atribuído, com o título abreviado de doutor, à Rua F do projecto aprovado em sessão de câmara de 15 de maio de 1930, tendo os restantes arruamentos desta nova urbanização recebido os nomes da nobelizada – em 1903 e 1910- Madame Curie (na Avenida B) , do Mestre de esgrima António Martins (Rua A), dos escritores Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida ( ruas D e E, respectivamente) e, do jornalista e professor de literatura Basílio Teles (Rua G).

António Joaquim Granjo (Chaves/27.12.1881 – 20.10.1921/Lisboa), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi republicano desde a sua juventude e tornou-se deputado da Assembleia Nacional Constituinte logo na eleição de 28 de maio de 1911. Em 1919, de fevereiro a julho, foi presidente da Câmara Municipal de Chaves e, insurgiu-se contra a Monarquia do Norte e a tentativa de instauração de um regime monárquico. Nesse mesmo ano foi eleito pelo partido republicano evolucionista para a câmara dos deputados, e mais tarde, foi o fundador do movimento sucessor: o partido republicano liberal. Desempenhou ainda os cargos de Ministro da Justiça e dos Cultos – durante o governo de coligação de Domingos Pereira (30 de março a 29 de junho de 1919)-, bem como de Primeiro- Ministro por dois breves mandatos (de 19 de julho a 20 de novembro de 1920 e de 30 de agosto de 1921 até ao seu assassinato na Noite Sangrenta de Outubro), tendo no primeiro acumulado ainda a pasta da Agricultura.

A 19 de outubro de 1921 eclodiu em Lisboa uma revolta de cariz radical que levou António Granjo a pedir a demissão do cargo de primeiro ministro mas, no dia seguinte, acabou crivado de balas dos marinheiros e soldados da GNR integrantes do movimento revolucionário em curso, comandados pelo Cabo Olímpio, o «dente de ouro». Foram também assassinados outros republicanos do 5 de Outubro de 1910, como Machado Santos e José Carlos da Maia, cujo denominador comum era terem sido opositores da corrente radical que dominou a Primeira República.

Ao longo da sua vida, António Granjo foi ainda director do jornal A República e, bateu-se pela participação portuguesa na I Guerra Mundial, tendo mesmo escrito um livro sobre as suas experiências enquanto alferes miliciano intitulado A Grande Aventura.

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

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