Enamorados pelas ruas de Lisboa

pedro e inês coração 33

Sob o título «Enamorados pelas ruas de Lisboa» vamos hoje discorrer sobre os topónimos alfacinhas que a Lisboa de  hoje guarda nas suas ruas e que revelam  20 pares enamorados.

Desde logo, a Rua Pedro e Inês (Edital de 16/09/2009), na Freguesia do Parque das Nações, que evoca o casal icónico do amor português, popularizado também em Os Lusíadas: D. Pedro I e Dona Inês de Castro. Em função das estratégias e interesses políticos da época, D. Pedro I que reinou de 1357 a 1367, tinha desde tenra idade casamento agendado com D. Constança, princesa e filha do Infante de Castela, que chegou a Portugal em 1340, com um séquito que integrava uma aia galega chamada Inês de Castro e por quem D. Pedro se apaixonou deixando de lado as conveniências de Estado e as reprovações da corte que considerava aquela ligação indecorosa e temia a influência da família galega dos Castros na coroa portuguesa. O rei D. Afonso despachou D. Inês para um exílio próximo da fronteira Espanhola, em 1344, mas entretanto D. Constança faleceu pouco depois de dar à luz D. Fernando, e D. Pedro trouxe Inês para viver consigo no Paço de Santa Clara, tendo desta relação nascido D. Diniz, D. Beatriz e D. João. D. Afonso aproveitou a ausência de D. Pedro numa caçada e enviou três homens para decapitarem Inês de Castro ( 7 de Janeiro de 1355). D. Pedro declarou guerra ao pai e dois anos passados, com a morte D. Afonso e a sua própria subida ao trono promoveu a captura dos 3 assassinos de D. Inês, provou que casara com ela em Bragança e, mandou construir dois esplêndidos túmulos, frente a frente, no Mosteiro de Alcobaça para onde transladou o corpo de D. Inês e ao qual se juntou em 1367.

Mas Lisboa guarda ainda mais casais nas suas artérias, sendo a maioria ligada ao teatro. Por ordem cronológica de entrada em cena da figura feminina encontramos logo no Edital de 12/03/1932  a Rua Rosa Damasceno e a Rua Eduardo Brazão; a Rua Actriz Virgínia (31/03/1932) a a Rua Ferreira da Silva (12/03/1932);  a Rua Actriz Palmira Bastos (04/11/1970) e a Rua Sousa Bastos (20/03/1995) em Marvila;  a Rua Maria Lalande (Edital de  31/01/1978) e a Rua Francisco Ribeiro-Ribeirinho (24/04/1986); a Rua Laura Alves (29/02/1988) e a Rua do compositor Frederico Valério (30/07/1999);  a Rua Amélia Rey Colaço (21/08/1990) e a Rua Actor Robles Monteiro (09/02/1970), em Benfica; e, a Rua Brunilde Júdice (01/02/1993) e a Rua Actor Alves da Costa  (26/03/1971).

Ainda ligados a áreas de cultura e artísticas temos também  os Largos Madalena Perdigão e Azeredo Perdigão, ambos da direcção da Fundação Gulbenkian; a Rua da escritora Maria Amália Vaz de Carvalho e a Rua do poeta Gonçalves Crespo; a Rua da escritora Branca de Gonta Colaço e a Rua do pintor Jorge Colaço; a Rua da pintora Sara Afonso e a Rua do pintor e tudo Almada Negreiros;  o Miradouro da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen e a Rua do jornalista Francisco Sousa Tavares; e, o caso único das ruas do casal de juristas Elina Guimarães e Prof. Adelino da Palma Carlos.

Independentemente do maior ou menor grau de enamoramento, Lisboa mostra ainda pares reais: o Largo Dona Estefânia (também com uma Rua e uma Travessa) e a Rua D. Pedro V; a Rua de Santa Isabel (ou o Largo Rainha Santa Isabel) e a Rua de D. Dinis – O Lavrador; a Rua Dona Maria Ana de Áustria e a Rua D. João V;  a Rua Maria Pia e a Rua Dom Luís I (também com uma Praça); a Avenida Rainha Dona Leonor e a Avenida D. João II (ou a Praça Príncipe Perfeito); e, a Avenida Rainha Dona Amélia e a Avenida Dom Carlos I (mais a Esplanada D. Carlos I ao Parque das Nações).

Finalmente, referimos mais 3 casais que a toponímia lisboeta já integrou mas que entretanto se desfizeram por desaparecimento da artéria ou do topónimo de um dos cônjuges: a recém-desaparecida Rua Maria Helena no Bairro da Cruz Vermelha, em 2006 e, a ainda existente Avenida Marechal António de Spínola ( 23/04/2004); a Rua Bela da Rainha – evocativa da Rainha D. Mariana Vitória –  que desde 5 de Novembro de 1910 se designa Rua da Prata e a Rua Augusta que se refere a D. José I; e, a Praça Rainha Dona Filipa ( 10/11/1966) no Lumiar e a Avenida D. João I que apesar de atribuída em Edital de 1932 nunca teve execução.

Freguesia do Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações

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