O filósofo José Marinho numa rua de Benfica

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

No primeiro dia deste mês completou-se o 110º aniversário do filósofo José Marinho que desde o Edital de 04/12/1981 dá nome à Rua C à Avenida do Uruguai, em Benfica, na sequência do parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia à proposta de o homenagear  aprovada em reunião de Câmara de 13 de Abril de 1981.

José Carlos de Araújo Marinho (Porto/01.02.1904 – 05.08.1975/Lisboa) foi um dos grandes pensadores de Portugal que defendeu que a independência política de Portugal dependia fundamentalmente da independência da Cultura Portuguesa. Licenciado em Filologia Românica pela Universidade do Porto, com a tese Ensaio sobre Teixeira de Pascoaesfrequentou também algumas cadeiras de Filosofia onde foi aluno de Leonardo Coimbra e, colega de Álvaro Ribeiro, Delfim Santos, Agostinho da Silva ou Adolfo Casais Monteiro. Participou nas tertúlias dos cafés do Porto, em torno de Leonardo Coimbra, Hernâni Cidade ou  Luís Cardim, partilhando o ideário da chamada Renascença Portuguesa. 

Em 1925,  tornou-se professor de liceu, de Português, Francês e Filosofia, primeiro no Porto, depois em Faro e finalmente, em Viseu. Em 1928 foi para Coimbra, para frequentar a Escola Normal Superior, a fim de se tornar efectivo nos quadros dos professores de liceu. No ano de 1930, a 30 de Julho, após ter realizado o estágio pedagógico no Liceu Pedro Nunes em Lisboa, é aprovado no Exame de Estado com a tese «Teoria e Metodologia do ensino do Português e do Francês», com 19 valores. Em 1932 termina Aforismos sobre o Que Mais Importa, que havia começado no ano de 1924 e, em 1936, é afastado do ensino por questões de ordem política e, é preso no Aljube.

Em 1940 passa a viver em Lisboa, trabalhando como tradutor e colaborando em jornais e revistas, ao mesmo tempo que dá lições particulares a estudantes liceais. Volta a estar perto de Álvaro Ribeiro, e a animar com ele tertúlias filosóficas nos cafés da cidade, criando o grupo de Filosofia Portuguesa que incluía nomes como Afonso Botelho, António Quadros, Dalila Pereira da Costa ou Orlando Vitorino.  Nesta altura concluiu a obra sobre Leonardo Coimbra que havia começado em 1932, mas que apenas publicará em 1945 sob o título O Pensamento Filosófico de Leonardo CoimbraEntre 1947 e 1954 escreveu, por sugestão de Hernâni Cidade, Nova Interpretação do Sebastianismo e, no ano de 1961 publicou uma das suas maiores obras, sob o título Teoria do Ser e da Verdade, procurando evidenciar os pressupostos ontológicos da Filosofia enquanto processo de libertação espiritual. Em 1963, Delfim Santos convidou-o para integrar o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian e, aí permaneceu até à sua morte. Em 1964,  deu à estampa Elementos para uma Antropologia Situada e, em 1972 apresentou Filosofia, Ensinoou Iniciação?. Em 1976 foi ainda editada, a título póstumo, a sua Verdade, Condição e Destino no Pensamento Português Contemporâneo.

Freguesia de Benfica (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

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