Doutor Baptista de Sousa, o engenheiro humano numa rua de Benfica

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

No próximo domingo, dia 2 de Março,  completa-se o 110º aniversário do coronel-médico alfacinha  José Baptista de Sousa que desde o Edital municipal de 31/03/1970 dá nome à Rua B à Travessa da Granja (Quinta do Portal Novo), na freguesia de Benfica.

O pedido resultou de uma sugestão de Eduardo Mimoso Serra, carta que a Comissão Municipal de Toponímia analisou na sua reunião de 20 de Março de 1970 e, pelo mesmo Edital foi também atribuído o nome do brigadeiro-médico Nicolau de Bettencourt ao troço da Estrada de Benfica compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo conhecido vulgarmente por Praça de Espanha (este topónimo só foi oficializado por Edital de 29/01/1979).

José Baptista de Sousa (Lisboa/02.03.1904 – 03.12.1967/Lisboa), nascido na então Freguesia de Camões (depois Coração de Jesus e agora, Santo António), foi um Coronel Médico que em  em 1927 se formou Medicina, na Faculdade da Universidade de Lisboa, onde foi assistente da cadeira de Patologia Cirúrgica. De 1928 a 1929, frequentou com aproveitamento, no Hospital Militar Principal, o Curso Técnico de Oficiais Milicianos Médicos e a seguir concorreu ao Quadro Permanente de Oficiais Médicos, tendo sido promovido a alferes em 1929 e, chegando a major em 1953 e, passado à reserva em 1963, por motivos de saúde.

Serviu em várias unidades e estabelecimentos militares como a Guarda Nacional Republicana (1936 – 1942), os Hospitais Militar Regionais nº 2 e nº 3 e o Hospital Militar Principal de Lisboa (1951-1961), onde foi  Chefe da Clínica Cirúrgica. Foi também chefe dos Serviços de Cirurgia do Instituto Português de Oncologia. A partir de 1964 foi  Consultor de Cirurgia da Direcção do Serviço de Saúde Militar.

Em 17 de Janeiro de 1942, Baptista de Sousa foi é nomeado para integrar as Forças Expedicionárias a Cabo Verde, ficando em S. Vicente, de 22 de Fevereiro até 10 de Setembro de 1944, como director do Hospital Militar Principal de Cabo Verde, o médico-cirurgião dos militares mas também dos civis, o que lhe granjeou muitas simpatias locais. Apelidaram-no de “engenheiro humano” e na despedida a população ofereceu-lhe o iate Morabeza. Também demonstrou aí coragem cívica ao declarar nos atestados de óbito a fome, ao contrário das orientações oficiais.  De 1947 a 1950, esteve a prestar serviço na Escola Médico-Cirúrgica de Goa.

José Baptista de Sousa foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e,  em Mindelo (S. Vicente) hospital recebeu o seu nome: Hospital Baptista de Sousa. Também inspirou as mornas Dr Baptista de Sousa de Béléza (Xavier Cruz) e, Engenheiro Humano do Maestro Jotamont  (Jorge Monteiro).

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