A Avenida de Columbano

Columbano na «Ilustração Portuguesa» de 20.11.1905

Columbano na Ilustração Portuguesa de 20.11.1905

O pintor alfacinha e 2º director do Museu de Arte Contemporânea,  Columbano Bordalo Pinheiro, teve direito a uma nova Avenida lisboeta pelo Edital de 12/11/1929, onde se expressa  que tal é « em homenagem ao insigne mestre da arte da pintura, Columbano, dar á Avenida em construção, ligando a Avenida de Berne com a Estrada de Campolide a denominação de “Avenida Columbano Bordalo Pinheiro”».

Columbano (Lisboa/21.11.1857 – 06.11.1929/Lisboa), filho do pintor, escultor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro e, irmão mais novo dos também artistas plásticos Maria Augusta Bordalo Pinheiro e Rafael Bordalo Pinheiro, estudou desenho e pintura histórica na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, tendo sido aluno de Tomás da Anunciação, Miguel Lupi, Vítor Bastos e Simões de Almeida e, em 1881 partiu para Paris graças a uma bolsa de estudo, tendo logo no ano seguinte apresentado no Salon de Paris o quadro Soirée chez lui Concerto de Amadoresque foi bem recebido pela crítica local.

Columbano integrou o Grupo do Leão – assim denominado por se reunirem na Cervejaria Leão (depois, Leão de Ouro), na artéria que hoje conhecemos como Rua Primeiro de Dezembro (então Rua e Largo do Príncipe), entre 1881 e 1889 –, com o seu irmão Rafael, Silva Porto, José Malhoa, Alberto de Oliveira, António Ramalho, Cipriano Martins, Henrique Pinto, João Vaz, Moura Girão, Ribeiro Cristino, Rodrigues Vieira, todos jovens artistas empenhados numa reforma estética com a novidade da pintura de ar livre. Columbano retratou-os numa tela em 1885.  

Aliás, a pintura de Columbano ficou famosa pelos seus retratos, sendo de destacar os de Antero de Quental (1889), Bulhão Pato, Eça de Queirós, João Rosa,  Lopes de Mendonça, Luz Soriano, Mariano Pina, Miguel Bombarda, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, actor Taborda, Soares do Reis,  Teófilo Braga e, da sua irmã Maria Augusta. 

Placa Tipo II (Foto José Carlos Batista)

Placa Tipo II – Freguesias de Campolide e São Domingos de Benfica
(Foto José Carlos Batista)

Por outro lado, Columbano também se notabilizou  na pintura de decoração, sendo suas as pinturas da sala de recepção do Palácio de Belém, os painéis dos Passos Perdidos da Assembleia da República, os medalhões dos Paços do Concelho de Lisboa,  o tecto do Teatro Nacional (destruído no incêndio de 1964), o salão de baile do sr. conde de Valenças bem como, no Palácio das Necessidades e  no Museu Militar.

Em 1901 tornou-se professor de pintura histórica da Academia de Belas-Artes de Lisboa e aí esteve até 1924 . Depois da implantação da República em 5 de Outubro de 1910, foi nomeado pelo Governo Provisório logo a 15 de Outubro como membro da Comissão encarregue de escolher o modelo da nova bandeira, junto com o jornalista João Chagas e o primeiro-tenente da Marinha António Ladislau Parreira e o Capitão Afonso Pala, e cujo resultado foi apresentado no dia 1 de Dezembro E, em 1914, sucedeu a Carlos Reis no cargo de director do Museu de Arte Contemporânea (hoje, Museu do Chiado)  onde se manteve até ao ano da sua morte.

A título de curiosidade, refira-se que os  irmãos Maria Augusta, Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro trabalharam em 1887 na decoração do Palácio do Beau Séjour.

«O Grupo do Leão», 1885, óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro, Museu do Chiado

O Grupo do Leão, 1885, óleo sobre tela de Columbano, Museu do Chiado